Silêncio no Carnapistrano: evento marcado por esvaziamento do público viraliza nas redes sociais
Última atração, marcada para 2 horas da manhã, brincou com situação; veja vídeo.
A noite da segunda-feira (16) do Carnapistrano 2026, em Capistrano, revelou um cenário desolador para quem esperava a efervescência do Carnaval no Maciço de Baturité. Em vez de multidões e folia, o que se viu foi um público praticamente inexistente na Praça da Prefeitura, no centro da Cidade. O esvaziamento do evento, realizado a 110km de Fortaleza, gerou repercussão imediata nas redes sociais.
O Governo Municipal, no entanto, afirmou em postagem que "a praça permaneceu cheia até o fim, consolidando mais um dia de sucesso" do evento.
A reportagem do Diário do Nordeste procurou a Prefeitura de Capistrano, organizadora do evento, para solicitar um posicionamento sobre a baixa adesão e os critérios de investimento na festa, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.
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"Cantar para mil ou para dois": Raul Soeiro está em vídeos de show sem plateia
No centro desse episódio de falta de adesão ao evento está uma das atrações da noite, o cantor Raul Soeiro. Natural de Camocim, ele iniciou sua trajetória de forma humilde, lembrando que seu primeiro cachê foi apenas "um pastel e um suquinho de laranja no copo". Radicado em Baturité desde 2015, ele soma 16 anos de carreira vivendo exclusivamente da música para sustentar sua família.
"Eu não preciso provar nada para ninguém. Eu sei quem eu sou e o que eu faço. Um evento não define minha caminhada", desabafou o artista ao comentar o impacto das imagens do show vazio.
Honrar o compromisso para quem estiver presente
Escalado como a última atração da noite, Raul subiu ao palco às 2h da manhã. Ao chegar, encontrou cerca de 50 pessoas, número que minguou para apenas 10 ou 15 presentes durante sua apresentação.
"Independente de público, grande ou pequeno, a gente tem que honrar o compromisso que assume", afirmou Raul, que manteve o show com o mesmo profissionalismo de uma praça lotada.
Ele ressaltou que, mesmo diante do fracasso de público, a organização cumpriu o pagamento do seu cachê. Para o cantor, a essência da profissão vai além dos números.
Artista de verdade tem que cantar com o coração para quem tiver presente e honrar os compromissos".
Maldade e desvalorização da cultura local
O que mais incomodou o artista não foi o pátio vazio, mas a rapidez com que o registro do "insucesso" viralizou. Raul notou que, enquanto postagens de sucesso têm pouco alcance, o vídeo da situação em Capistrano teve compartilhamentos instantâneos.
“A maldade humana é algo incrível. Tem gente que está só esperando um tropeço pra rir, debochar e esnobar”, lamentou.
Ele aproveitou o episódio para cobrar um olhar mais generoso dos meios de comunicação e páginas locais para com os artistas da região. “Quando só se divulga o negativo, a cultura da região enfraquece”, alertou, defendendo que o sucesso real é pautado no caráter e na perseverança.