Profissional que atendeu idoso em chão de UPA em Teresina diz que sistema colapsou e faz apelo

Paciente de 86 anos passou por seis ciclos de reanimação cardiopulmonar mas não resistiu. Não havia leitos nem equipamentos no ato do atendimento

Upa
Legenda: O paciente de 86 anos deu entrada com parada cardiorrespiratória, foi atendido no chão da UPA por falta de leito, mas não resistiu
Foto: Reprodução Instagram

Polyena Silveira, técnica em enfermagem que na última quarta-feira (17) protagonizou uma cena que impactou milhares de pessoas ao atender um idoso no chão de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Teresina, no Piauí, disse que o sistema de saúde municipal colapsou e que doentes e familiares esperam outras pessoas morrerem para conseguir leitos nas unidades de saúde. 

"Não temos vagas, não temos leitos.  O paciente deu entrada com parada cardiorrespiratória, não tínhamos leito, não tínhamos monitor, não tínhamos ventilador, mas o que podíamos fazer foi feito", disse ela sobre o atendimento prestado ao paciente de 86 anos, que morreu ainda no chão da unidade", disse Polyena em vídeo divulgado. 

Seis ciclos de reanimação cardiopulmonar foram feitos, segundo Polyena, mas não foi possível trazer o idoso de volta. Ainda não se sabe se o paciente estava infectado pelo coronavírus. 

Alta demanda 

Há oito anos atuando como técnica em enfermagem, e atualmente trabalhando na UPA do Promorar e no Hospital de Urgência de Teresina (HUT), a profissional disse nunca ter vivido uma situação parecida, resultado da alta demanda de atendimentos pela Covid-19.  

"Estamos em uma situação traumática, trabalhando assustados, com medo. Essa falta de equipamentos não é porque não tenha, mas porque a demanda está muito alta e consequentemente vai faltar", comenta. 

Polyena faz um apelo e pede para que as pessoas fiquem em casa, saindo apenas se necessário.

"Se não for uma saída que precise fique em casa por mim, que sou profissional de saúde, pelos meus amigos, que sofrem e estão sofrendo, por cada paciente que nós recebemos e que não temos onde colocar. Estamos sofrendo com as famílias dos pacientes, que ficam esperando lá fora uma alta, uma transferência, até mesmo um óbito para poder ocupar o lugar, é difícil", relata.