PF descobre que Milton Ribeiro e pastor do MEC se comunicavam por telefones secretos

A descoberta aconteceu após a primeira interceptação telefônica autorizada pela Justiça no âmbito da investigação sobre um suposto esquema de corrupção no MEC

Milton Ribeiro
Legenda: Polícia Federal descobriu telefones secretos de Milton Ribeiro e pastor
Foto: Facebook/mribeiromec

O ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro, e o pastor Arilton Moura possuíam telefones secretos para se comunicarem, segundo descobriu a Polícia Federal (PF), após a primeira interceptação telefônica autorizada pela Justiça no âmbito da investigação sobre um suposto esquema de corrupção no MEC. As informações são do colunista Igor Gadelha, do Metrópoles

“Foi descoberto que os alvos Milton, Arilton, e Luciano (Musse, ex-gerente de projetos da Secretaria Executiva do MEC) possuem números de telefones celulares que até então eram desconhecidos e que devem constar de eventual nova decisão de interceptação”, escreveu a PF em relatório enviado ao Ministério Público Federal (MPF). 

Com a descoberta, a PF pediu a prorrogação da interceptação telefônica dos investigados e o deferimento de interceptação de novos terminais celulares móveis.

Prisão de Ribeiro

Milton Ribeiro, ex-ministro da Educação no governo de Jair Bolsonaro, foi alvo de um mandado de prisão preventiva pela Polícia Federal na manhã da última quarta-feira (22), em Santos, no Litoral de São Paulo. 

A PF o capturou no âmbito da Operação "Acesso Pago", cujo objetivo é apurar a prática de tráfico de influência e corrupção para a liberação de recursos públicos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para reforma e construção de escolas e creches. O dinheiro é usado ainda para aquisição de ônibus escolares e materiais didáticos, entre outros itens.

O mandado judicial cita o envolvimento do então ministro com os crimes de corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência.

“O crime de tráfico de influência está previsto no artigo 332 do Código Penal, com pena prevista de 2 a 5 anos de reclusão. São investigados também fatos tipificados como crime de corrupção passiva (2 a 12 anos de reclusão), prevaricação (3 meses a 1 ano de detenção) e advocacia administrativa (1 a 3 meses), todos previstos no Código Penal”, informou a PF em nota.

Prisão cassada

O desembargador Ney Bello, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, deferiu liminar e cassou a prisão preventiva do ex-ministro nesta quinta-feira (23). No começo da tarde, Ribeiro deixou a carceragem da Polícia Federal em São Paulo.

A decisão atende a um habeas corpus apresentado pela defesa do ex-ministro. Mais cedo, o desembargador plantonista Morais da Rocha rejeitou o mesmo pedido, alegando que a defesa não tinha apresentado os documentos que evidenciavam constrangimento ilegal na prisão.

 

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