Carta de mãe de Henry é peça de ficção, diz advogado de Jairinho

Na edição deste domingo (25), o Fantástico divulgou um texto de 29 páginas que a professora Monique Medeiros mandou aos seus advogados mudando de versão sobre o caso

Carta
Legenda: Suspeito pelo homicídio do menino Henry Borel, 4 o vereador deve ter processo de cassação aberto nesta segunda (26) pelo Conselho de Ética da Câmera Municipal.
Foto: Tânia Rego / Agência Brasil

A carta escrita na prisão pela mãe do menino Henry Borel, 4, acusando o vereador Dr. Jairinho de dopá-la na noite em que seu filho morreu é uma peça de ficção, afirmou o advogado do parlamentar. O político deve ter processo de cassação aberto nesta segunda (26) pelo Conselho de Ética da Câmera Municipal.

"Sem falar sobre a tese da defesa, o que somente farei após a denúncia, posso adiantar que a carta da Monique é uma peça de ficção, que não encontra apoio algum nos elementos de prova carreados aos autos", disse Braz Sant'Anna em mensagem à reportagem.

Na edição deste domingo (25) do Fantástico foi divulgado um texto de 29 páginas que a professora Monique Medeiros mandou aos seus advogados mudando de versão e dizendo que foi acordada pelo ex-namorado quando o menino já estava desacordado na cama.

Monique narra que na madrugada do dia 8 de março colocou o filho para dormir após ele acordar três vezes. Quando o casal se cansou de assistir a uma série, por volta da 1h30, o vereador disse para irem para um dos quartos deitar.

Ele então "ligou a televisão num canal qualquer, baixinho, ligou o ar condicionado, me deu dois medicamentos que estava acostumado a me dar, pois dizia que eu dormia melhor, mas eu não o vi tomando. Logo, eu adormeci", disse ela.

Henry Borel
Legenda: Garoto chegou ao hospital sem vida e com diversas lesões, além de hemorragia interna
Foto: Reprodução

"De madrugada, ele me acordou dizendo para eu ir até o quarto, que ele pegou o Henry no chão, o colocou na cama e que meu filho estava respirando mal. Fui correndo até o quarto, meu filho estava de barriga pra cima, descoberto, com a boca aberta, olhos olhando para o nada, e pensei que tivesse desmaiado", prossegue.

Mudança no depoimento

A professora havia dito em seu primeiro depoimento, em meados de março, que ela vira o menino caído no chão primeiro, chamando Jairinho, que era quem teria tomado remédios para dormir.

Segundo a professora, mentiu anteriormente porque foi orientada: "Fui treinada por dias para contar uma versão mentirosa por me convencerem de que eu não teria como pagar por um advogado de defesa e que eu deveria proteger o Jairinho, já que ele se diz inocente", afirma.

A educadora também relata diversos episódios de ciúmes e de um relacionamento abusivo com Jairinho, ainda segundo o Fantástico. No caso mais grave, em dezembro de 2020, ela narra que chegou a ser enforcada pelo vereador porque não havia atendido uma ligação dele.

Conforme os advogados da professora disseram a Globo, ela está contando essa nova versão só agora porque nunca estava sozinha. "A Monique a todo momento sempre estava com alguém, nunca esteve sozinha, no sentido de ter a liberdade de poder falar aquilo que ela teria a dizer, precisava dizer", declarou Thiago Minagé.

Há mais de uma semana a defesa pede que Monique seja ouvida novamente no inquérito, que ainda não foi concluído porque se aguarda a perícia nos celulares de Jairinho.

Dr. Jairinho e Monique foram detidos no dia 8 de abril por policiais da 16ª DP, da Barra da Tijuca, para onde foram levados, após a juíza Elizabeth Louro Machado, do II Tribunal do Júri da Capital, expedir mandados de prisão temporária por 30 dias.

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