Pesquisa detecta vírus da gripe bovina pela primeira vez na América do Sul

Antes, o vírus só havia sido encontrado na América do Norte, Europa e Ásia. Ainda se estuda o impacto na população humana

Legenda: Uma amostra com o microorganismo foi encontrada em gado no Rio Grande do Sul
Foto: Agência Brasil

O vírus Influenza D, causador da gripe bovina, foi identificado pela primeira vez na América do Sul. Antes disso, o microorganismo só havia sido registrado na América do Norte, Europa e Ásia.

A descoberta foi feita por estudo realizado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em parceria com a Universidade Feevale, e publicada no periódico Archives of Virology. 

Uma amostra contendo o vírus foi registrada em um animal no Rio Grande do Sul. Já se suspeitava que a Influenza D circulasse entre os bovinos do país, mas este foi o primeiro caso registrado após cerca de um ano e meio de estudo, de acordo com o professor Cláudio Canal, membro da pesquisa e entrevistado pelo G1.

Transmissão para humanos

Já foram identificado anticorpos do Influenza D em humanos, sobretudo criadores de bovinos, o que indica que a transmissão para pessoas é possível. Os impactos, contudo, ainda estão em estudo. Se suspeita que a doença seja branda, com poucos ou nenhum sintomas clínicos.

"Porque é um vírus, causa a doença? Não, a doença é exceção. A maior parte das infecções virais não causa doença. Às vezes nem tem sintomas", diz Cláudio.

De acordo com o professor, um ponto de risco para o crescimento da infecção é a proximidade de rebanhos. O próximo passo do estudo é identificar se o vírus de fato causa doença nos bovinos e em que gravidade.

Além disso, é necessário verificar se há necessidade de desenvolvimento de uma vacina contra o microorganismo.

"[O estudo] É o ponto inicial. É uma doença muito recente. A gente sabe que tem. Agora a gente vai partir para ver quanto tem e qual a participação do vírus nas doenças respiratórias dos bovinos. Tem várias doenças respiratórias que podem levar à morte do bovino assim como no humano. Para algumas, já tem vacinas. Os vírus ou bactérias estão envolvidos e, muitas vezes, estão juntos. Não é um único causador, tem mais de um", coloca.