Suspeito de estupros em série já era investigado há mais de um ano

Homem cometeu novo crime neste mês e foi preso em flagrante. Pelo menos seis denúncias contra o caseiro foram recebidas pela Polícia Civil. Os crimes ocorriam em uma casa de veraneio onde ele trabalhava, em Beberibe

Um jovem, suspeito de cometer estupros em série em uma casa de veraneio no Município de Beberibe, já era investigado pela Polícia Civil do Ceará (PCCE) há mais de um ano. Entretanto, o caseiro Matheus Bruno Rocha Gomes, de 24 anos, foi preso apenas no último dia 14 de outubro, após fazer mais uma vítima. A Delegacia Municipal de Beberibe já recebeu as denúncias de seis mulheres contra o infrator.

A titular da Delegacia Municipal, delegada Ana Paula Scott, conta que o último crime aconteceu no dia anterior à prisão. Conforme as investigações, o suspeito estuprou uma jovem de 18 anos durante o dia 13 de outubro e decidiu liberá-la à noite. "Ele levou a vítima até a casa dela, ameaçando no caminho todo. Falando que, caso ela denunciasse, ele ia matar a mãe e a irmã dela. Mas ela chegou em casa e contou aos pais", detalha Ana Scott.

A jovem foi levada ao Hospital Municipal de Beberibe, que notificou a Polícia Civil sobre o crime. Poucas horas depois, o suspeito foi preso por policiais civis em uma ação desencadeada com a Polícia Militar do Ceará (PMCE).

Matheus Bruno já havia sido denunciado à Polícia Civil há um ano, pelo crime de extorsão. De acordo com um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), registrado no dia 20 de setembro de 2019 na Delegacia Regional de Aracati, uma jovem de então 20 anos revelou que fez sexo consensual com o caseiro naquele ano, mas depois passou a ser chantageada por ele para terem novas relações sexuais, sob pena de o homem divulgar cenas de sexo entre os dois nas redes sociais. A mulher não aceitou, e ele cobrou R$ 400 da mesma. Então, ela decidiu procurar a Polícia.

No dia seguinte, os policiais localizaram o suspeito e o levaram à Delegacia. Matheus alegou que as cenas de sexo foram filmadas por câmeras de monitoramento da casa de veraneio onde ele trabalhava, no Distrito de Sucatinga, em Beberibe. Ao chamar um técnico para apagar as imagens, esse profissional teria salvado as cenas e o chantageado, para não divulgar as imagens pelo mesmo preço de R$ 400. E que, sendo assim, Matheus pediu para a mulher para dividirem esse valor. Depois, ele entregou o aparelho celular aos investigadores e autorizou o acesso ao mesmo, segundo o Inquérito Policial.

Mais denúncias

Novas vítimas de Matheus Bruno começaram a aparecer na Delegacia de Beberibe, que deu andamento à investigação. Uma jovem de 15 anos contou à Polícia que também teve relações sexuais com o caseiro, que filmou a relação e passou a chantageá-la de publicar o conteúdo nas redes sociais. A adolescente tinha que fazer sexo com ele outras vezes. Para manterem contato, o caseiro prometeu um aparelho celular para a vítima.

Outra adolescente de 15 anos disse que conheceu Matheus em uma rede social, e ele começou a oferecer um celular e dinheiro em troca de "nudes" (imagens da jovem nua). Para obter essas imagens, o caseiro ameaçou de ir na casa dela e contar a relação entre os dois para os pais da adolescente.

Já uma mulher de 21 anos contou que foi ao encontro do homem, na casa onde ele trabalhava, mas teve relações sexuais contra a vontade dela. Segundo a jovem, o suspeito queria pagar pelo sexo, mas ela não aceitou, porque não é "prostituta". A mulher passou a ser ameaçada da mesma forma das outras vítimas.

No Inquérito em questão, a Polícia Civil pediu o afastamento do sigilo dos dados telefônicos de Matheus Bruno, ainda em novembro do ano passado. A medida foi apoiada pelo Ministério Público do Ceará (MPCE), em abril de 2020, e acatada pela Justiça Estadual, em maio último.

Emprego

De acordo com a delegada Ana Paula Scott, seis denúncias de estupros cometidos por Matheus Bruno Rocha Gomes, de vítimas entre 13 e 21 anos, já chegaram na Delegacia. Os crimes aconteciam na casa de veraneio onde ele trabalhava, no Distrito de Sucatinga. A delegada revelou que o suspeito também passou a se utilizar da promessa de emprego na residência, para atrair as vítimas.

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