Hipnose no consultório

Conheça mais sobre como o serviço de hipnose funciona em consultórios odontológicos e algumas de suas possibilidades e vantagens.

Hipnoterapeuta Ton Lucas em consultório odontológico com paciente
Gabriela Alcântara/ Divulgação

Uma alternativa eficaz mas ainda pouco comum à anestesia em consultórios odontológicos é a hipnose. Segundo a cirurgiã-dentista Karina Oyama Siqueira, a hipnose pode ser usada na odontologia nas mais diversas situações. “Desde para tirar o medo do dentista e do barulho do ‘motorzinho’, a condicionar crianças, diminuir a quantidade de saliva e de sangramento e até fazer anestesia hipnótica para realizar procedimentos como profilaxia (limpeza), restaurações, tratamentos de canal e cirurgias”, descreve a profissional.

Ela diz que a primeira extração dentária realizada somente com anestesia hipnótica data de 1836. Mesmo sendo uma técnica bastante antiga e cheia de benefícios, ainda é pouco utilizada pelos profissionais da odontologia. “Não tenho conhecimento da quantidade de dentistas que utilizam a hipnose em Fortaleza, mas sei que não são muitos”, aponta.

Possibilidades com a hipnose
No consultório da cirurgiã-dentista Karina Oyama Siqueira, em Fortaleza, a hipnose já foi utilizada para diminuir a ansiedade dos pacientes, para diminuir o sangramento durante a profilaxia (limpeza), para anestesiar antes de remover cáries e “o que eu mais gosto”, afirma ela: conseguir atender crianças hiperativas com medo de dentista. Karina cita um paciente de 4 anos que não parava sentado na cadeira. “Ele dizia que ia deixar fazer o procedimento, mas quando a broca ia chegando perto, ele levantava ou virava a cabeça. Foram algumas sessões de hipnose para conseguir que ele deixasse fazer os procedimentos. Hoje em dia, ele continua vindo ao consultório e, mesmo sem a presença do hipnólogo, ele agora é um paciente exemplar”, conta a profissional.

Cirurgiã-dentista Karina Oyama Siqueira
Karina Oyama: hipnose em consultórios odontológicos traz mais conforto ao paciente e mais agilidade nos procedimentos. Divulgação

Possibilidades
Karina Oyama explica que a intensidade e a eficiência da hipnose dependem inteiramente do paciente. Se ele realmente conseguir relaxar e se deixar levar, é possível substituir a anestesia local, garante a profissional. Além da anestesia, a hipnose consegue controlar a quantidade de saliva, de sangramento e de ansiedade do paciente.

O hipnoterapeuta e psicólogo Ton Lucas, que fez parte da equipe de Karina Oyama por dois anos, revela que a hipnose tem sido usada no mundo inteiro com bastante resultado. “Na França, por exemplo, há hospitais que contratam hipnólogos para fazer controle de dor, para cirurgias maiores, não só nessa questão odontológica”, informa.

Ele detalha que a hipnose no controle da dor é uma área com grande eficácia e muitos avanços no campo científico. “Há pessoas que são tranquilas em relação à dor, a tomar anestesia, só que têm medo de agulha, por exemplo. Às vezes, o medo da anestesia é, na verdade, medo de agulha. Nesse caso, a gente também tem resultados muito bons com a hipnose”, sinaliza o profissional.

Como funciona
De acordo com Ton Lucas, no consultório odontológico todos os pacientes passam, primeiramente, pelo dentista. Após avaliar a situação, se o profissional sugerir hipnose, o próximo passo é uma conversa com o hipnólogo, caso ele já esteja presente, ou um agendamento com este profissional. Inicialmente, o hipnólogo conversa com o paciente, explica o que é hipnose, esclarece que a técnica não tem nada de misticismo nem de dominação da mente, que se trata de atingir um estado de foco e concentração num processo inteiramente feito pela pessoa.

“O hipnólogo dá instruções, e o paciente faz aquilo acontecer, como se a gente fosse um GPS, mas a pessoa é que dirige o carro. E quando a pessoa está concentrada e começa a imaginar aquilo que o hipnólogo fala, por exemplo, imaginar uma anestesia, imaginar uma situação em que ela se sinta bem, imaginar um local em que ela se sinta tranquila, é como se a mente fosse transportada para esse outro lugar e ela consequentemente começa a sentir as emoções de estar naquele lugar. É por isso que hipnose causa relaxamento, causa sensação de bem-estar, entre várias outras sensações”, esclarece o profissional.

hipnoterapeuta e psicólogo Ton Lucas
O hipnoterapeuta e psicólogo Ton Lucas em ação: qualquer pessoa pode passar pela hipnose. Beatriz Santos

Usos múltiplos
“Recomendo muito a hipnose, não só para quem tem medo de dentista, mas para tratamentos de problemas em geral, de traumas a vícios. É uma ferramenta muito acessível, que resolve em pouco tempo traumas de uma vida inteira. Eu mesma fiz sessões de hipnose para perda de peso e foi um sucesso! Cheguei a eliminar mais de 20 kg”, ratifica a dentista Karina Oyama. Ela acrescenta que não há restrição para passar pela hipnose. Qualquer pessoa pode ser hipnotizada, enfatiza Ton Lucas.

Benefícios
Para o dentista, o benefício de usar a hipnose é oferecer um conforto a mais ao paciente, e conseguir realizar mais rapidamente os procedimentos, já que ocorre uma diminuição de fatores que interferem na realização dos procedimentos, como a pessoa se mexer por sentir dor, sangramento ou salivação intensos. Isso faz com que o paciente tenha uma experiência mais agradável, indolor e rápida, e também possibilita que pacientes com alergia ao anestésico possam realizar os procedimentos mais invasivos sem dor, opina a cirurgiã-dentista Karina Oyama Siqueira.

Como contratar
Pacientes interessados no serviço podem procurar normalmente hipnoterapeutas, pessoas que tenham formação em hipnose ou em hipnoterapia, pontua Ton Lucas. “Aqui em Fortaleza, há vários profissionais que atuam nessa área. Na internet é possível encontrar muita coisa. Pode ser contratado um hipnólogo que acompanhe ou então o próprio dentista, se ele tiver uma formação em hipnose pode hipnotizar o paciente, o que é bem comum”, contextualiza o hipnoterapeuta e psicólogo.