O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou bloquear R$ 119 milhões em bens do ex-deputado Valdemar Costa Neto após a Polícia Federal (PF) apontar supostas irregularidades em indicações de emendas, conforme o g1.
Indicações só podem ser feitas por deputados e senadores. Como não pode exercer o mandato, Valdemar também não deveria realizar indicações.
O esquema seria operado por Mariângela Fialek, servidora da Câmara dos Deputados conhecida como “Tuca”. A funcionária, que também é ex-assessora do ex-deputado Arthur Lira (PP), é apontada como “personagem principal” do “arranjo funcional informal”.
Investigação da PF diz que pelo menos 21 emendas parlamentares foram desviadas para beneficiar Valdemar, e que isso teria sido feito por funcionários da Casa. Os valores das indicações chegariam ao total bloqueado por Dino.
Já o papel de Mariângela seria organizar o fluxo das emendas e centralizar a movimentação, atuando sob orientações que foram atribuídas ao ex-deputado. A investigação aponta que ela era acionada por meio de ligações de Valdemar.
"O encaminhamento direcionava essas emendas alocando, falsamente, deputados federais como 'solicitantes' das indicações, a fim de conferir ares de legalidade às indicações formalizadas conforme diretrizes de um não parlamentar”, expressa trecho da decisão do magistrado.
O documento segue: “Conforme se observa, fala-se de um volume considerável de emendas parlamentares indicadas por uma pessoa não detentora de mandato”.
Além do bloqueio de bens, o magistrado intimou a Controladoria-Geral da União (CGU), a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Câmara dos Deputados para que tomem as medidas cabíveis em até 10 dias.
À TV Globo, Valdemar negou que tenha feito as indicações. Disse ainda que essa é uma atribuição do líder do partido na Câmara em alguns casos.
Mariângela Fialek já foi alvo da PF
Em dezembro de 2025, a PF deflagrou uma operação com o objetivo de investigar a destinação irregular de recursos públicos por meio de emendas parlamentares. Dois mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Brasília. As ordens judiciais foram expedidas pelo STF.
Um dos alvos da operação foi Mariângela Fialek. Policiais fizeram buscas em salas da funcionária na Câmara e também na casa dela. Na epóca, ela era responsável pelo setor que organiza a indicação de emendas parlamentares.
Segundo a PF, os alvos estavam sendo investigados os crimes de peculato, falsidade ideológica, uso de documento falso e corrupção.