Juntos no mesmo palanque 12 anos depois, o que esperar da aliança entre Lula e Eunício em 2022

O emedebista foi eleito senador, em 2010, em dobradinha apadrinhada pelo então presidente; em 2022, o contexto é outro

Lula e Eunício Oliveira durante convenção
Legenda: Com a presença de Lula, o MDB de Eunício Oliveira também formalizou suas candidaturas neste sábado (30)
Foto: Kid Júnior

Cheia de lideranças petistas - municipais, estaduais e nacionais -, a convenção que oficializou Elmano de Freitas como candidato a governador pelo PT, neste sábado (30), também promoveu um "flashback" eleitoral: Lula e Eunício Oliveira dividindo juntos, novamente, o mesmo palanque. 

O ex-senador, principal liderança do MDB no Estado, estava no palco montado no Centro de Eventos do Ceará porque lá também foi realizada a convenção que formalizou as candidaturas do MDB cearense para o pleito deste ano. 

A presença do ex-presidente foi aproveitada não apenas pelo PT na "convenção conjunta" anunciada por emedebistas. A aliança entre Lula e Eunício está clara: o cearense fará campanha pelo petista em 2022 - e aposta no apoio do ex-presidente para também ser eleito - e voltar a ter protagonismo no Congresso Nacional a partir do ano que vem.

"Quem vota em um, vota no outro"

Doze anos atrás, funcionou. Em 2010, com apoio do então presidente, o líder emedebista foi eleito senador em dobradinha com o petista José Pimentel. Naquela eleição, se "viralizar" fosse uma palavra da moda, poderia definir uma frase de Lula lembrada até hoje: "quem vota em um, vota no outro. Quem vota no outro, vota no outro. E não precisa votar em mais ninguém", dizia ele, na propaganda eleitoral na TV.

Após um hiato preenchido nacionalmente por um impeachment - e a relação conflituosa entre os dois partidos antes e depois da saída da ex-presidente Dilma Rousseff do poder -,  o reencontro acontece sob outro contexto. Embora tenha recebido menções elogiosas de Lula e do próprio ex-governador Camilo Santana - que, aliás, foi adversário de Eunício quando eleito pela primeira vez para o Governo do Estado, em 2014 -, o ex-senador recebeu vaias do público presente no ato deste sábado. 

Camilo Santana e Eunício Oliveira
Legenda: Na convenção, Eunício recebeu menções elogiosas de Lula e do ex-governador Camilo Santana
Foto: Thiago Gadelha

Se engasgada por apoiadores do ex-presidente, a mágoa, mesmo que ainda exista entre atores políticos envolvidos na aliança, não é maior do que o pragmatismo. 

Novidade?

Ao empreender esforços em busca da construção de uma "frente ampla", enquanto a chamada terceira via parece ainda mais frágil nas composições eleitorais e a candidatura do presidente Jair Bolsonaro (PL) também se movimenta pela reeleição, na junção de Lula e Eunício, com a devida participação de Camilo, o recado é olhar para a frente. É preciso dizer, contudo, que na política isso nem sempre significa novidade. Não é a primeira - nem será a última - reviravolta a confirmar isso. O pleito que se avizinha já coleciona várias delas.

Doze anos depois, a aliança terá o mesmo efeito? O que se espera dela, hoje, não é necessariamente o que fora alinhado em 2010. Com Lula, Eunício pode ter mais a ganhar em âmbito local do que o ex-presidente com o apoio do emedebista. Nacionalmente, ter o apoio do ex-senador cearense, assim como de outros caciques do MDB, é estratégico para o petista diante da pulverização de candidaturas colocadas até então - entre elas, a da senadora Simone Tebet.

O resultado, desta vez, só o eleitorado dirá. Certo é que, embora a campanha, efetivamente, ainda não tenha começado, a dupla será vista mais vezes por aí a partir de agosto.



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