Usinas eólicas em alto-mar têm potencial para gerar mais de 25 mil empregos no Ceará

Estado é responsável por 20% dos projetos de offshore do País, com 26 GW previstos

Offshore
Legenda: Parque eólico na costa do Reino Unido
Foto: Shutterstock

O Ceará já concentra em torno de 20% de todos os projetos de usinas eólicas offshore (em alto-mar) para a produção de energia no Brasil.

Caso saiam do papel no futuro, esses megaempreendimentos somariam a impressionante potência total de 26 GW (Gigawatts), conforme dados do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente), órgão ao qual os licenciamentos ambientais estão submetidos.

São 11 projetos no Ceará para diferentes locais, como Camocim, Caucaia, Morro Branco, entre outros. Em potência, o maior é o Alpha, com previsão de 6 GW.

Lista dos projetos eólicos offshore no Ceará

  • Caucaia (BI Energia): 576 MW
  • Jangada (Neoenergia): 3 GW
  • Camocim (Camocim Eirelli): 1,2 GW
  • Dragão do Mar (Qair): 1,2 GW
  • Alpha (Alpha Wind Morro Branco): 6 GW
  • Costa Nordeste (Geradora Eólica Brigadeiro): 3,8 GW
  • Asa Branca I (Eólica Brasil): 1 GW
  • Sopros do Ceará (Totalenergies): 3 GW
  • Projeto Pecém (Shell Brasil): 3 GW
  • Projeto Colibri (Equinor): 2 GW
  • Projeto Ibitucatu (Equinor): 2 GW 

"Esperamos que no médio/longo prazo, grande parte desses projetos se concretize", afirma Joaquim Rolim, coordenador do Núcleo de Energia da Federação das Indústrias (Fiec).

O potencial de geração de empregos nessas usinas bilionárias é imenso, diz ele. 

"Normalmente, a quantidade de empregos criados nos projetos eólicos offshore é entre 10 e 15 mil empregos por GW. Se considerarmos apenas 10% dos projetos, teríamos mais de 25.000 empregos criados".
Joaquim Rolim
Coord. Núcleo de Energia da Fiec

Joaquim Rolim
Legenda: Joaquim Rolim é coordenador do núcleo de Energia da Fiec
Foto: Divulgação/Fiec

A maior parte das vagas é para a construção dos parques em alto-mar, mas Rolim prevê o surgimento de empregos na área de administração e direito para a elaboração de contratos e modelos de negócios; em engenharia no desenvolvimento dos projetos; nas escolas e universidades para a capacitação de profissionais, na operação e manutenção de equipamentos, etc.

Megainvestimentos

Neste segmento de geração de energia, tudo é superlativo. Para se ter dimensão, cada GW instalado representa cerca de US$ 2 bilhões em investimentos.

Para começar a se concretizar, pontua Rolim, essa nova fronteira da economia cearense e brasileira precisa ainda do detalhamento dos regulamentos necessários. Outro ponto crucial é a realização de leilão federal para aquisição dessa nova fonte de energia limpa e renovável, o que incentivaria o seu desenvolvimento e criaria "condições para o aproveitamento do enorme manancial existente no Brasil"..

A geração offshore será medular para o sucesso do hidrogênio verde, outra vertente na qual o Estado se posiciona na vanguarda nacional.

Fiec Summit 

A produção de energia eólica offshore será um dos temas discutidos durante o Fiec Summit 2022. O painel "Desafios da Eólica Offshore no Brasil" ocorre no dia 4 de agosto, às 16h30, e terá a participação do presidente do conselho da Servtec, Lauro Fiúza Júnior, do secretário executivo de energia e telecomunicações da Seinfra, Adão Linhares e de Carlos Alberto Mendes, superintendente da Semace, com moderação do presidente do Sindienergia, Luiz Carlos Queiroz. 

O Fiec Summit acontece nos dias 3 e 4 de agosto, na Casa da Indústria, de forma híbrida, com inscrições abertas no site do evento.



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