Investidor cearense mira renda fixa em tempos voláteis, mas está aberto a diversificar
Estado soma 160 mil investidores na B3 e renova recorde.
Com 160 mil investidores pessoas físicas cadastrados na B3 e R$ 9 bilhões aportados, o Ceará vem ganhando tração no mundo dos investimentos, embora ainda haja vasta margem para crescimento.
Na Expert XP, maior festival de investimentos do mundo, realizado em São Paulo, esbarrar com um cearense não é difícil. O estado concentra escritórios relevantes em âmbito regional e nacional. Bancos e assessorias disputam o dinheiro do Ceará, que, aliás, é o estado nordestino com o maior número de bilionários.
Para Daniel Demétrio, fundador da M7, com mais de R$ 5 bi sob custódia, o cearense tem um perfil peculiar. "O cearense é um povo muito empreendedor (…) e isso vai um pouco para o lado dos investimentos", afirma.
Com a Selic nas alturas, o momento, diz ele, é marcado por volatilidade, eleições no horizonte e conflitos internacionais, o que reforça a migração para renda fixa, mas, ainda assim, existe interesse do investidor local em diversificar, considerando, por exemplo, ativos internacionais.
"Esses juros altos fazem com que o investidor tenda para investimentos de renda fixa. Ele cessa e diminui um pouco o nível de apetite dele a risco (...) mas o investidor cearense de um modo geral, ele é muito qualificado em relação às demais regiões do país", completa o fundador da M7.
Segundo a assessora, a força do agronegócio e da indústria no estado impulsiona esse avanço, embora o investidor cearense ainda mantenha um perfil conservador. "Hoje o perfil do investidor cearense, ele acompanha o investidor brasileiro, ainda é muito conservador", afirma Wanadia.
Juros altos
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Com a Selic em patamar elevado, a renda fixa segue como principal destino dos recursos. "Um patamar de juros da taxa 15% fica atrativo. Você olhar para um juros de quase 15% e querer tomar risco em outro tipo de ativo" é mais difícil, avalia a assessora da XP.
Para Wanádia Martins, assessora de investimentos do XP baseada no Ceará, o ambiente pede customização. "O trabalho passa por um planejamento financeiro personalizado, que considera o momento de vida e a realidade de cada cliente. o atendimento é muito personalizado, não tem uma receitinha de bolo", diz.
Ela ressalta que a força do agronegócio e da indústria no Estado vem impulsionando o avanço nos investimentos.
Inteligência artificial na análise de portfólio
Demétrio também citou o uso de inteligência artificial como ferramenta de apoio na estruturação de carteiras. Segundo ele, a tecnologia ajuda a entender melhor o perfil do cliente e reduz vieses emocionais nas decisões de alocação. "A inteligência artificial, ela ajuda você a estruturar a carteira com a ausência de vieses emocionais", afirma.
Na XP, o avanço da educação financeira também é atribuído ao período da pandemia, quando o isolamento social levou parte dos investidores a buscar mais conhecimento sobre o mercado. A empresa mantém a XP Educação, braço voltado à formação de investidores e profissionais do setor.