"Estamos colocando pedra na mochila", diz Caio Megale sobre situação fiscal do Brasil
Economista-chefe da XP afirma que arrecadação recorde não impede crescimento do déficit e aponta ajuste fiscal como principal desafio do próximo mandato presidencial.
O economista-chefe da XP, Caio Megale, afirma ser preocupante o cenário atual em que o Brasil enfrenta déficit fiscal mesmo em um ambiente com recorde de arrecadação.
Ele ressaltou, em entrevista a esta Coluna, na Expert XP, em São Paulo, que o déficit primário está em torno de 0,5% do PIB e o nominal chega a quase 8% do PIB, com a dívida pública acima de 80% do PIB.
DN Business
Megale integrará o line-up do DN Business, a ser realizado no dia 10 de agosto, no BS Design, em Fortaleza. As inscrições podem ser feitas na plataforma Sympla. Também estão confirmados os célebres economistas Eduardo Giannetti e Ana Paula Vescovi.
O público interessado pode optar pelo ingresso Padrão (R$ 349), que garante acesso ao ciclo de palestras, ou pelo ingresso VIP (R$ 849), que inclui um almoço exclusivo voltado ao networking direto com os palestrantes e lideranças do mercado.
Peso nas costas
Para Megale, o esgotamento das medidas de aumento de receita torna o ajuste pelo lado da despesa inevitável.
"Está muito claro que a gente precisa fazer alguma coisa do lado da despesa. A despesa cresce, ela é quase toda obrigatória, cresce num ritmo importante", afirma.
O economista descarta um colapso fiscal no curto prazo, mas alerta para o efeito cumulativo da inação.
"Não é algo que tem que fazer urgentemente, senão o país vai capotar (...) mas é algo que, se a gente não resolve, você vai pondo pedra na mochila. Aí vai ficando cada vez mais pesada", diz.
Segundo ele, essa dinâmica tende a se traduzir em menos crescimento do PIB, mais custos de produção e maior necessidade de arrecadação futura. O tema é "o principal para o próximo mandato presidencial", diz o especialista.
PIB, juros e petróleo
A XP projeta crescimento de 2% para o PIB brasileiro neste ano, com viés de alta, e desaceleração para 1% no ano que vem, à medida que os estímulos de 2024 perderem força e os efeitos da política monetária se intensificarem.
Sobre a próxima decisão do Banco Central, Megale diz estar "bem dividido" quanto a um novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic, hoje em 14,25%, diante da volta do petróleo à casa dos US$ 100 por barril e da piora nas expectativas de inflação para os próximos anos.
SERVIÇO DN BUSINESS
- Data: 10 de agosto de 2026 (segunda-feira);
- Horário: 8h;
- Local: BS Design - Fortaleza (CE);
- Inscrições: Link oficial do Sympla;
- Realização: Sistema Verdes Mares.
O Jornalista viajou a convite da XP.