E se nada der certo, eu volto para o Ceará

Meus pais na porta de casa, em Mombaça
Legenda: Meus pais na porta de casa, em Mombaça

Esses dias, publiquei um vídeo nas minhas redes sociais que falava sobre a importância de um porto seguro, sobre voltar para seu lugar de origem. Na verdade, esse texto é uma adaptação de um vídeo muito antigo, onde o gênio Lima Duarte recita um poema antes de uma apresentação de Belchior no programa Som Brasil, com a música Princesa do Meu Lugar.

Por falar nisso, você conhece essa canção? Sugiro que escute imediatamente. Inclusive, pode até parar de ler esta coluna, ouvir a canção e depois concluir essa leitura. Tudo terá outro significado. Você vai encontrar algumas versões, como de Amelinha ou da cantora potiguar Daíra - essa segunda, uma de minhas favoritas. Entretanto, indico que ouça a fonte, o próprio Belchior cantando:

Não há pranto que apague Dos meus olhos o clarão Nem metrópole onde eu não veja O luar, o luar do meu do sertão

Quando adaptei e gravei esse poema, parei pra refletir sobre onde estou agora, sobre ser um nordestino, artista, vindo do interior e, atualmente, no eixo Rio-São Paulo. E me deixou feliz compreender que aqui tudo é temporário e, em breve, volto pra casa, porque continuo morando no meu Ceará. Eu não fiz a migração. Eu não precisei fazê-la.

Existe uma diferença grande entre sair e abandonar: sair é extremamente importante, pois nos faz crescer, conhecer novos lugares, novas culturas e aprender com elas, mas abandonar, deixar pra sempre o seu lugar… isso não é mais necessário. Foi-se o tempo em que migrar para o Sudeste era sinônimo de vencer na vida.

Tampouco há problema em tomar a decisão irreversível de mudar de cidade, afinal, às vezes, os ventos sopram e são mais favoráveis noutras encruzilhadas. Importante mesmo é o que lhe faz feliz, o que lhe deixa realizado. Meu ponto é sobre essa mudança ser uma opção e não mais uma condição de vida.

De todo modo, o risco de enfrentar um outro lugar pode ser recheado de medo, mas ele precisa ter cobertura de coragem, afinal, planos sempre podem dar muito certo, como também podem não sair conforme o esperado. No meio desse caminho, erros e acertos são essenciais. Até porque errar faz parte, traz vivência, experiência, aprendizado, muda a rota.

Migrar ou sair e depois voltar pra sua terra não significa fracasso. Significa que você construiu raízes fortes e relações sólidas o suficiente para ter pra onde voltar. Nenhum sucesso em empreitadas fora de seu local de origem será maior do que o sucesso de ter um ponto de partida, uma base, um lugar no mundo,  .

“Se me der vontade de ir embora Vida dentro, mundo afora Meu amor, não vá chorar Ao ver que o cajueiro anda florando Saiba que estarei voltando ​Princesa do meu lugar”

*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.