Como ficam os investimentos na poupança e Tesouro com a alta da Selic? Entenda

Os especialistas alertaram para possível fim de ciclo de altas da taxa básica de juros e recomendaram atenção para mudanças de estratégias

Legenda: Na última reunião, o Copom do Banco Central elevou a Selic para 13,75%
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Com mais um aumento da taxa básica de juros brasileira, as opções em renda fixa, como a poupança e os títulos do Tesouro, devem ter um ganho de rendimento e se fortalecer como opção para os investidores.

Contudo, especialistas alertarem que essa pode ser a penúltima elevação da Selic neste ciclo, indicando ser necessário atenção para o cenário econômico antes de atualizar novas estratégias. Até a consolidação do cenário, no entanto, a renda fixa deverá promover bons resultados nos próximos meses.

Segundo Ricardo Coimbra, economista e membro do Conselho Regional de Economia (Corecon) no Ceará, a última elevação da Selic, para 13,75%, além de incrementar o potencial das aplicações em renda fixa, pode, também, trazer impactos diretos na Bolsa de Valores (renda variável).

O reflexo direto, explicou ele, é que a elevação dos ganhos da poupança e do título do Tesouro deve fortalecer opções durante o momento de instabilidade nas economias nacional e internacional.

O cenário deve dar mais conforto aos investidores conservadores e incentivar parte dos mais agressivos a aumentar os aportes nesse tipo de investimento.

"A nova elevação da Selic proporciona maior potencialidade para o mercado de renda fixa e as aplicações vinculadas ao Tesouro, então o mercado vem elevando a taxa de rentabilidade e a renda fixa fica mais atrativa", disse Coimbra.

Contudo, a Selic mais alta também, além de enfraquecer ações em empresas do setor varejo e reduzir o potencial de ganhos no mercado de ações, poderá fortalecer investimentos em empresas favorecidas pelos juros mais altos, como os bancos. Como o encarecimento do valor dos empréstimos, a procura por ações das instituições financeiras poderá crescer e elevar a cotação desses papéis.

Coimbra, no entanto, destacou ser preciso manter a cautela ao investir em ações nesse momento, considerando o momento de instabilidade gerado pelas eleições e pelas crises no mercado internacional.

"De alguma forma também pode gerar ganhos na renda variável já que investidores mais conservadores ainda por conta da instabilidade da Bolsa em 2022 por diversos fatores podem ter influência no mercado de ações, principalmente com empresas que têm relação da taxa de juros, como as empresas de varejo, que terão dificuldade com a venda de produtos e termos uma queda do preço de ações. Mas as ações dos Bancos podem ter uma valorização por conta desse crescimento dos juros, então também há reflexos na Bolsa de Valores", disse.

"Já era algo previsto então não deve ser um impacto muito significativo, principalmente em relação às previsões na Bolsa, porque se espera que essa tenha sido a penúltima elevação da taxa de juros nesse ciclo, dependendo do comportamento da inflação", completou.

Rendimento previsto

A perspectiva é corroborada pela diretora do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Ceará (Ibef-CE) Darla Lopes. A economista, no entanto, destacou que os investidores precisão estar atentos ao próprio perfil antes de definir a estratégia de aportes.

"Acontece que, ao fazer um investimento, se observe o perfil do investidor. Se tenho um perfil conservador, eu já tenho de procurar mais opções em renda fixa. E considerando esse retorno grande da renda fixa, a tendência é que o investidor mais agressivo migre para a renda fixa, tentando evitar esse momento político mais delicado, pela eleição", disse.

Darla também destacou que, mesmo na renda fixa, algumas opções podem ser mais vantajosas em relação a outras, indicando ser necessário um estudo prévio das condições de investimento. Segundo os cálculos da economista, o retorno em um banco digital, por exemplo, que segue o Certificado de Depósito Interbancário (CDI), já deve apresentar um retorno superior ao da poupança.

Veja os retornos em 1 ano ao se investir R$ 1 mil, considerando a Selic a 13,75%:

  • Poupança: R$ 92,62
  • Banco digital com 100% do CDI: R$ 112,61
  • Título ou banco com 110% do CDI: R$ 123,87

Alteração de estratégia

Apesar do fortalecimento das opções de renda fixa, Vicente Ferrer, conselheiro do Corecon, também alertou que o cenário de possível controle da inflação pode gerar uma reversão de elevações da Selic no fim deste ano e em 2023. Caso isso se confirme, investidores poderão ter de reajustar estratégias, buscando títulos pré-fixados para manter rendimentos no longo prazo.

Ferrer, no entanto, destacou a importância de se buscar as indicações de profissionais da área e manter-se sempre atualizado sobre o cenário econômico brasileiro e as possíveis mudanças na taxa Selic.

"Estamos vendo uma redução da inflação e a economia, que estava indicando uma queda do PIB, tem uma perspectiva de elevação do PIB em 2022. E o aumento da Selic é uma medida positiva para os investidores em renda fixa, mas acho que chegamos a um limite. A partir de agora precisamos ver a economia aquecer. Os investidores que aproveitaram até agora essa alta dos juros, continuem assim, mas a tendência para 2023 é que a conjuntura nacional tenha uma Selic que comece novamente a cair. Só que isso vai depender muito do crescimento da economia", disse.