Buscas sobre como fazer gasolina caseira crescem; especialistas alertam para riscos

Manusear insumos inflamáveis e explosivos está entre os riscos de se tentar produzir combustíveis em pequena escala

Legenda: No Ceará, a gasolina já chegou à marca de R$ 8,20
Foto: Thiago Gadelha

Com os aumentos mais recentes do preço da gasolina nas bombas, muito brasileiros procuram alternativas para garantir locomoção com carros e motos. Contudo, uma das saídas, segundo especialistas, pode render mais riscos do que benefícios, considerando que as buscas por formas fazer gasolina caseira tiverem um pico histórico no último mês de março.

Contudo, para o consultor da área de petróleo e gás Bruno Iughetti a produção caseira de combustíveis não é recomendada pelos riscos de se manusear insumos inflamáveis ou explosivos. 

"A produção de gasolina doméstica é uma loucura e uma insensatez sem justificativa. Os únicos habilitados são as refinarias nacionais, públicas e privadas. O risco é de sério acidente doméstico, mas também porque conta da qualidade. É uma mistura de hidrocarbonetos e domesticamente não há viabilidade. Não há sensatez para essa saída, temos de confiar nas refinarias", disse. 

A opinião foi corroborada pelo engenheiro químico e coordenador de inovação da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho do Governo do Estado, Expedito Parente Jr.

Além dos riscos à segurança, ele também destacou que economicamente a iniciativa não faria sentido, já que altos níveis de investimento ajudam a reduzir os custos de produção de combustíveis.

"Toda produção de combustível no Brasil é regulada e não há tecnologia consagrada para produção de gasolina e diesel em pequena escala. É risco, mas é algo inflamável e explosivo. Eu desconheço iniciativas em baixas escalas, mas há iniciativas de se produzir óleo diesel e gasolina a partir de insumos tropicais, como biodiesel, em plantas menores que uma refinaria, mas ainda assim é um projeto em escala industrial", explicou Expedito. 

"Essa indústria é muito intensa em capital, então aumentar a escala de produção reduz custos, porque se dilui custos, então não vejo um modelo econômico viável em pequena escala", completou.

Além disso, ambos os especialistas alertaram para os riscos do nível de qualidade dos combustíveis caseiros comprometer os sistemas dos veículos em forem utilizados, podendo danificar motor e outras peças de carros e motos.

Perspectivas de aumento 

Apesar dos riscos, o consumidor não deverá ter uma trégua dos aumentos de preços para os combustíveis no Brasil tão cedo.

De acordo com Iughetti, o conflito entre Rússia e Ucrânia, deverá ajudar a manter o preço do barril do petróleo em alta por um tempo considerável.

Além disso, as variações cambiais até o fim do ano também devem colaborar para manter o valor de revenda do diesel e da gasolina em patamares elevados. 

Desde 2016, ainda no governo Michel Temer, a Petrobras adotou um modelo de paridade de importação como fórmula de composição dos preços no Brasil. O sistema usa as cotações do barril de petróleo no mercado internacional e o do dólar como base para os reajustes nas refinarias do País. 

Gasolina até R$ 8,5

Esse cenário deve fazer com que o valor de revenda do litro da gasolina encerre 2022 no intervalo entre R$ 8,40 e R$ 8,50, segundo Iughetti. 

"Com certeza, hoje temos quase a certeza de que teremos novos aumentos por conta de efeitos na Guerra da Ucrânia e Rússia, e isso tem elevado o preço o barril do petróleo. E existe o segundo elo, que é a variação cambial, porque assistimos à queda das bolsas e a desvalorização do real e isso deve implicar da gasolina", disse. 

"Realisticamente falando eu não vejo nenhuma probabilidade da gasolina chegar a R$ 10 o litro. Pela sequência de aumento, devemos chegar a R$ 8,40 e R$ 8,50. e isso é bastante representativo. Mas isso dependerá dos efeitos da produção mundial", completou.



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