Memórias, lutas e vitórias

Mural do artista Allan Mwangi, em Kibera, no Quênia, em homenagem a George Floyd
Legenda: Mural do artista Allan Mwangi, em Kibera, no Quênia, em homenagem a George Floyd
Foto: GORDWIN ODHIAMBO / AFP

Hoje é Dia da África e 1 ano da Morte de George Floyd.

No pior período da humanidade, é preciso sempre ressaltar as conquistas num país que nega humanidade, dignidades e tira a vida de pessoas pretas todos os dias.

No pior ano da humanidade e o pior para as pessoas pretas, conseguimos pautar empresas nacionais e multinacionais com nossas pautas, ocupando espaços de influência, decisão e acesso a estruturas de poder e mando.

Ano em que o André Costa, advogado, cearense, único negro entre 81 do COFOAB, levou 30% de cotas para negros e negras na OAB, isso é muito, pois a Justiça tem sido usada sistematicamente para legitimar, impetrar e dar continuidade institucional as mais diversas injustiças contra nós.

Ano em que a agenda negra transbordou para todos os ambientes da sociedade, a Frente Nacional Antirracista nasceu e dessa vez não vai cair no esquecimento nem recuar. E conseguimos levar a agenda antirracista para além do nosso ambiente diário de lutas.

Enquanto muitos ficaram em casa, nós nunca saímos da rua, no país em que só racismo é capaz de manter isolamento social e corpos negros são os que mais morrem e adoecem de Covid-19. Pretos e Pretas são maioria entre as lideranças nas ações emergenciais, mais importantes e inovadores.

Ano difícil, mas homens e mulheres pretas ocuparam o maior reality show do país e até o último dia levaram nossa bandeira. E apesar da lógica do racismo à brasileira, que só reconhece o preto depois do sofrimento, a maioria está se recuperando, se refazendo e virando o jogo!

*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.



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