Toy Story se atualiza a cada sequência; Veja análise do 5° filme

Novo longa da franquia de sucesso da Disney reflete sobre como os novos tempos transformaram o "brincar".

Escrito por
Mylena Gadelha mylena.gadelha@svm.com.br
Legenda: Brinquedos têm uma nova ameaça, mas, assim como nós, descobrem que nem tudo na infância é tão simples quanto parece.
Foto: Divulgação/Walt Diesney Studios.

Não é fácil se manter relevante. Para muitas franquias de sucesso no cinema, é complicado atualizar as histórias, transformar os personagens ou até mesmo construir debates por meio da arte. Esse, entretanto, não tem sido um problema de "Toy Story". Diga-se o que quiser, mas a cada sequência os caminhos de Woody, Buzz Lightyear e de outros brinquedos parecem se entrelaçar com muitos de nós, seres humanos, ressurgindo como uma espécie de clássico de um espaço-tempo.

Lá em 1995, há mais de 30 anos, a animação se tornou um sucesso. Trouxe às telas uma história aparentemente simples, sobre uma criança e brinquedos que ganham vida, mas com uma reflexão um tanto mais complexa sobre a amizade e os laços formados a partir dela.

Veja o trailer de "Toy Story 5":

A cada novo lançamento — este ano chegamos ao 5º, já nos cinemas desde a última quinta-feira (18) — "Toy Story" versa mais sobre a questão. No entanto, vai além. Aprofunda-se também sobre as mudanças no crescimento infantil, a tecnologia no mundo tão presente até nos pequenos detalhes e como, acima de tudo, temos nos transformado com o decorrer dos anos, presentes em uma realidade que não é a mesma agora, em 2027, da que foi em 1995

Novo filme é sinal dos tempos atuais

Essas discussões estão ali, permeando e se reconfigurando diante dos olhos de quem assiste ao novo filme. A proposta do longa continua a de "Toy Story 4": afasta a figura de Andy para nos fazer acompanhar Bonnie, justamente para nos mostrar que a história não é mais a mesma.

Conforme a sinopse, Woody, Buzz, Jessie e a turma enfrentam um novo desafio quando Bonnie ganha um tablet, a Lilypad. Para não serem descartados ao perceberem que estão sendo deixados de lado, eles se movimentam para provar que ainda são relevantes, mas percebem que até a tecnologia, muitas vezes tão vilanizada, pode ter o próprio espaço positivo em uma nova realidade.

Cena animada em quarto infantil mostra uma criança sentada na cama olhando um tablet verde, ao lado de um adulto, enquanto dois brinquedos observam pela lateral através de uma persiana.
Legenda: Tecnologia ganha peso central na trama de Toy Story 5, mas discussão do longa continua misturando nostalgia com a reflexão sobre como nos adaptamos constantemente às mudanças do mundo.
Foto: Divulgação/Walt Disney Studios.

A protagonista precisa, agora, lidar com essa tecnologia refazendo a infância, formando as personalidades das crianças e até trazendo sensações tão difíceis para os pequenos. Bonnie se depara com o fato de que muitos da idade dela já têm acesso às telas e se vê perdida diante do universo dos brinquedos, antes uma representação lúdica tão forte. Mas a reflexão é maior: em que cenários é possível conciliar esse fator a um crescimento saudável? 

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Os amigos, obviamente, continuam como tema central de "Toy Story". Se no 4º a amizade entre os brinquedos foi posta à prova, o filme resolveu ampliar a discussão, voltando o olhar para os humanos e a socialização como fator crucial a nos cercar desde cedo.

Clássica, a franquia se mantém no posto com maestria, tanto por tocar como por saber exatamente por quais caminhos seguir. Se as crianças de 1995 lembram até hoje do primeiro filme com carinho, assim como os adultos, o movimento não deve ser diferente desta vez. "Toy Story 5" ainda é nostálgico, mas tem muito a dizer sobre o momento em que vivemos atualmente. Um verdadeiro mérito dos criadores e, por que não, destes personagens tão amados. 

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