Rebecca e Talita estreiam no Circuito Brasileiro e priorizam entrosamento para ciclo olímpico

Atletas do Ceará e Mato Grosso do Sul divulgaram dupla no início do mês e começam temporada em competição no Rio de Janeiro

Rebecca  e Talita
Legenda: Rebecca e Talita
Foto: Reprodução

Depois de uma Olimpíada, o sonho da próxima edição já começa na sequência. Para quem participou é vontade de reviver uma experiência indescritível, ápice para a maioria dos atletas. Para aqueles que não estiveram nos Jogos, a vontade se renova. 

O início do ciclo olímpico em território nacional acontece esta semana, com a etapa do Rio de Janeiro, do Circuito Brasileiro. A cearense Rebecca e a sul-mato-grossense Talita formam uma das novas parcerias que iniciam a caminhada em busca das vagas em Paris 2024. Elas deram entrevista excusiva para a coluna e falaram sobre o início do trabalho e os planos.

A cearense foi quem fez o convite e conta sobre o processo: “Com a Talita já foi uma vontade de jogar de muito tempo, uma atleta mais experiente, já foi pra algumas Olimpíadas[...] Eu foco muito na questão do bem-estar, como eu admiro muito ela e gosto muito, eu não tô focando agora em resultados [...] Tô mais preocupada da gente se dar bem, de buscar entrosamento. Até por que a corrida olímpica só começa no ano anterior. A gente tem muita coisa pra jogar ainda.” 

Acompanhe a entrevista completa com Rebecca Silva:

Talita topou o convite e já está morando em Fortaleza, onde esteve durante dois anos, quando fez a parceria com a cearense de coração, Larissa. Sobre a decisão, ela acrescenta: “A Rebecca me perguntou se eu gostaria de fazer um ciclo. [...] Tem a admiração e respeito que eu tenho pela Rebecca[...] Tem que querer ganhar com a pessoa e isso tudo complementa.”

 A estreia delas deve acontecer na próxima quinta-feira (23). A tabela do Circuito só será divulgada na noite desta quarta-feira (22). 

No vôlei de praia, apenas duas duplas representam cada País nas Olimpíadas em categorias feminino e masculino e os ciclos dessas parcerias costumam ser bastante voláteis. Na época da Rio 2016, por exemplo, nenhuma das quatro duplas brasileiras que estiveram em Tóquio 2020 já existiam na configuração que chegou aos últimos Jogos. Agora, três dos times anunciaram o fim, além de Ana Patrícia e Rebecca, Evandro e Bruno Schmidt e Alisson e Álvaro optaram por encerrar as parcerias.

Acompanhe a entrevista completa com Talita Antunes:

Aprendizado olímpico 

A cearense Rebecca participou de sua primeira Olimpíada em Tóquio, ao lado de Ana Patrícia. Apesar de não ter conquistado a tão sonhada medalha, nossa representante não vê o resultado como negativo, destaca a experiência e promete foco para o próximo ciclo.

“Fiquei muito feliz. Lógico que todo mundo queria aquele pódi. Mas um quinto lugar numa Olimpíada não acho que seria um resultado ruim. Essa questão de conseguir a classificação pelo Brasil, já é um desafio a mais, porque o Brasil tem muitos times competitivos. O objetivo sempre é ir pra próxima, ir pra próxima, então eu tô bem focada nisso.” 

Já Talita, participou de três Olimpíadas. Em Pequim 2008, ficou em 4º lugar ao lado de Renata. Em Londres 2012, com Maria Elisa, terminou em 9º. Já na Rio 2016, a parceria com a Larissa, resultou na 4º colocação. 

Em busca da 4ª Olimpíada, ela conta que não se imaginava aos 39 anos lutando por esse objetivo, mas que o bem-estar e o histórico sem graves lesões resultaram nessa possibilidade: “É um grande desafio. Por si só já seria um grande desafio. Buscar uma Olimpíada pelo Brasil já é um projeto grande, é difícil [...]  

Juntas, o jogo delas se complementa. Já que Rebecca atua, principalmente, pelo lado direito e na defesa. Talita se destaca como bloqueadora e joga pelo lado esquerdo. O encaixe, no entanto, deve vir ao longo da temporada e as duas demonstram a consciência da importância do processo de um ciclo, recheado de competições, não apenas da vaga olímpica. 

Rebecca e Talita são treinadas pelo renomado técnico Reis Castro e têm Fortaleza como sede. São esperança do Estado de emplacar mais uma dupla “local” nas Olimpíadas.