Precisa usar protetor solar em dia nublado? Veja o que diz a Ciência

Entenda importância do protetor na prevenção do câncer de pele.

Escrito por
Ítalo Henrique producaodiario@svm.com.br
Legenda: Protetor solar surge como uma importante forma de proteção cutânea e de prevenção contra agravos à saúde.
Foto: PeopleImages/Shutterstock.

Depois de longos períodos de dias ensolarados, é comum que, com base no senso comum, algumas pessoas tendam a reduzir o uso do protetor solar ou até mesmo deixar de utilizá-lo em dias nublados, por exemplo. No entanto, a aplicação do filtro solar deve ser contínua e não apenas restrita a dias de sol intenso.

Para compreender melhor a importância do uso do protetor solar, é necessário entender a ciência por trás dele e como ele atua na prática.

Ao longo de todo o ano, a luz solar emite o que chamamos de radiação ultravioleta, que pode ser dividida em dois tipos de raios. A radiação UVA penetra a pele de forma mais profunda, pode causar envelhecimento precoce e contribui para o desenvolvimento do câncer de pele. Já a radiação UVB é mais intensa em dias ensolarados, sendo a principal responsável por queimaduras solares e também estando associada ao surgimento do câncer de pele quando há exposição prolongada sem fotoproteção (uso de filtro solar).

Com o passar do tempo, essa exposição solar sem proteção pode provocar mutações no DNA e levar ao desenvolvimento de câncer de pele, sendo os tipos mais comuns o carcinoma basocelular, o carcinoma espinocelular e o melanoma (o mais grave e com maiores chances de metástase se não for descoberto precocemente).

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Nesse contexto, o protetor solar surge como uma importante forma de proteção cutânea e de prevenção contra agravos à saúde.

Basicamente, esse produto atua como uma barreira que absorve ou reflete essa radiação, evitando danos às células da pele.

Ele pode ser classificado em dois tipos: o químico, que absorve a radiação UV e a libera em forma de calor pela pele, e o físico, que funciona como uma barreira que reflete e dispersa a radiação ultravioleta. Em alguns casos, também pode haver a combinação de ambos. Por isso, é fundamental o uso do filtro solar em todos os dias, pois a radiação ultravioleta está presente tanto em dias ensolarados quanto em dias nublados, já que ainda há incidência de luz visível.

Além disso, do ponto de vista epidemiológico, sabe-se que o câncer de pele não melanoma (como o basocelular e o espinocelular) está entre os tipos de câncer mais frequentes em todo o mundo. Por isso, a prevenção é amplamente recomendada e incentivada pela comunidade médica, bem como pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, que promove a campanha Dezembro Laranja, na qual, ao longo de todo o mês, são desenvolvidas ações de conscientização e um dia D de prevenção, em que diversos serviços credenciados oferecem atendimentos gratuitos para o diagnóstico precoce do câncer de pele, evitando, assim, que a doença seja identificada em estágios mais avançados e potencialmente mais graves.

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Outro ponto muito importante quando se fala em fotoproteção é que, durante muito tempo, persistiu o mito de que pessoas negras (pretas e pardas) não precisariam usar protetor solar, pois a maior quantidade de melanina já garantiria essa proteção contra os raios solares. No livro "Dermatologia para Pele Negra", primeiro livro acadêmico do Brasil sobre o tema, a médica dermatologista Katleen Conceição e colaboradores mostram que isso não é totalmente verdadeiro.

De fato, a maior quantidade de melanina confere uma proteção adicional, equivalente a cerca de FPS (fator de proteção solar) 13. No entanto, esse nível ainda não é suficiente para proteger adequadamente contra os raios UV, já que o FPS mínimo recomendado para proteção eficaz é 30. Portanto, de acordo com as evidências científicas mais atuais, esse mito não se sustenta. Pessoas negras também devem utilizar protetor solar para se proteger de possíveis queimaduras e prevenir o câncer de pele induzido pela radiação ultravioleta.

Dessa forma, é essencial manter o uso do protetor solar diariamente, independentemente das condições do tempo, e reaplicá-lo no rosto e nas áreas expostas ao longo do dia sempre que possível (idealmente a cada 2 a 3 horas). Vale lembrar que o mais importante não é utilizar o protetor solar de marca mais cara, mas sim aquele que possua FPS 30 ou superior e que seja acessível financeiramente.

 

*Este texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.