Longevidade e Ciência: o que os brasileiros que passaram dos 100 anos têm a nos ensinar?
Diversos pesquisadores de diferentes instituições têm realizado importantes investigações científicas sobre os centenários.
O Brasil é mundialmente conhecido por sua rica cultura, diversidade social e genética, destacando-se também em vários outros campos. Uma das áreas que têm despertado crescente interesse entre cientistas é a longevidade extrema observada em brasileiros centenários e supercentenários, pessoas com mais de 110 anos.
A partir desse interesse surge a seguinte pergunta: como algumas pessoas conseguem viver até os 100 anos ou mais com relativa saúde e autonomia?
Para responder a essa questão, diversos pesquisadores de diferentes instituições brasileiras têm realizado importantes investigações científicas. Uma das iniciativas que tem se destacado nessa busca é conduzida pelo Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL) da Universidade de São Paulo (USP).
O centro reúne um grupo de cientistas que analisam o DNA de brasileiros de diferentes regiões do País que ultrapassaram os 100 anos de idade, buscando compreender como determinados genes e variantes genéticas podem influenciar a longevidade desses indivíduos.
Veja também
No entanto, alcançar um século de vida não está relacionado apenas à genética. Outros fatores também podem contribuir para isso, como hábitos de vida, alimentação, ambiente, prática de atividades físicas, condições socioeconômicas, acesso aos serviços de saúde e as conexões sociais com a família e a comunidade.
Outro fator muito relevante, e quase único do Brasil, que tem chamado a atenção dos cientistas é a grande diversidade genética presente no DNA da população brasileira em razão da miscigenação entre populações indígenas, africanas e europeias. Enquanto estudos sobre longevidade em outros países são, em grande parte, focados predominantemente em populações caucasianas e asiáticas, no Brasil existe uma ampla mistura de ancestralidades em nossa composição genética.
Esse cenário faz com que algumas variações genéticas também possam influenciar a possibilidade de alcançar idades muito avançadas. Esses dados são muito importantes para a medicina e para a saúde pública, pois podem ajudar a compreender melhor a dinâmica de doenças crônicas, cardiovasculares e neurodegenerativas em idades mais avançadas e apontar caminhos para estratégias de prevenção.
Entre as pessoas mais longevas do Brasil e do mundo, podemos citar o conterrâneo cearense João Marinho Neto, com 113 anos, que atualmente é reconhecido como o homem mais velho do mundo. Em algumas entrevistas, quando perguntado sobre o seu “segredo” para tamanha longevidade, ele afirmou que o amor e o cuidado de seus familiares e entes queridos tiveram papel fundamental em sua vida.
Pesquisas também indicam que o vínculo e a conexão social com familiares e amigos são fatores comportamentais que contribuem positivamente para a qualidade de vida e, consequentemente, para viver bem por mais tempo.
Por isso, compreender a longevidade desses centenários é importante não apenas para entender como viver mais, mas também para refletir sobre como viver mais e melhor, com saúde, qualidade de vida e boas relações afetivas.
*Este texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.