Tempo de TV, fundo eleitoral e estrutura: as vantagens de atrair a União Progressista no Ceará

Sob comando de Capitão Wagner, União Brasil e Progressistas devem seguir mesmo na oposição estadual.

Escrito por
Inácio Aguiar inacio.aguiar@svm.com.br
(Atualizado às 12:01)
Legenda: Na última sexta (27), Capitão Wagner e Roberto Cláudio comandaram coletiva de imprensa para anunciar o comando da federação no Estado
Foto: Ascom/União Brasil

Federados após a confirmação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na semana passada, União Brasil e Progressistas passam a ter a maior bancada no Congresso Nacional, 101 deputados e 12 senadores,  além do maior número de governadores e prefeitos.  

Esse capital político deverá render à Federação União Progressista a maior fatia do Fundo Especial de Financiamento de Campanhas. Segundo estudos divulgados recentemente, se aproxima de R$ 1 bilhão o montante, que deve corresponder a 20% do total do fundo ao qual os partidos têm acesso para financiar seus candidatos pelo País.

O total é de R$ 4,9 bilhões, segundo o Orçamento da União aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente Lula. 

A última semana, no Ceará, foi marcada pela confirmação de que a federação deve ficar na oposição, após a nomeação de Capitão Wagner para comandar o grupo do Estado. Mas qual é de fato a vantagem de ficar com a federação para as forças políticas no Ceará? 

Veja também

Vitória simbólica em queda de braço  

A primeira vantagem política concreta é da oposição. A nomeação de Wagner é uma vitória simbólica contra um governador em exercício e pré-candidato à reeleição. Em disputas como esta, quem dispõe de mais elementos e força política para atrair legendas é o governismo, com a força das máquinas públicas.  

Ao resistir à pressão do Palácio e manter a federação, o grupo oposicionista sinaliza capacidade de articulação. 

Tempo de TV 

No plano prático, há ganhos. A federação tende a garantir à oposição, especialmente a um eventual projeto liderado por Ciro Gomes, um dos maiores tempos de propaganda em rádio e televisão na disputa estadual.  

Esse fator é considerável. Mais tempo significa maior espaço para apresentar propostas, construir imagem e dialogar com o eleitorado. Para quem está fora do governo, trata-se de um ativo estratégico. Para quem está no poder, a perda desse espaço reduz a vantagem natural de quem busca mostrar realizações. 

Para confirmar isso, é bom que se diga, o grupo precisa atrair o apoio formal também do PL.  

Estrutura partidária e recursos 

A robustez nacional da federação se traduz em acesso ampliado à bilionária fatia do fundo eleitoral.  

Na prática, isso significa campanhas mais estruturadas, com maior capacidade de capilaridade e presença nos municípios.  

Impacto na base governista  

Outro impacto direto recai sobre a base do governo. Ao ficar com a  federação, a oposição não permite reforço do bloco governista e ainda retira dele o Progressistas, partido que hoje integra a gestão estadual.  

Sem a União Progressista, o grupo governista deve intensificar a busca por legendas que garantam tempo de televisão e estrutura eleitoral.