Possível candidatura do PSD a presidente pode mexer com palanques estaduais, inclusive no Ceará

Partido de Gilberto Kassab tem, agora, três pré-candidatos a presidente, todos de perfil à direita.

Escrito por
Inácio Aguiar inacio.aguiar@svm.com.br
Legenda: Presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab (à direita), parece não acreditar mais em uma candidatura de Tarcísio de Freitas ao Planalto
Foto: Reprodução/Redes sociais/Gilberto Kassab

A movimentação que levou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD nesta semana pode mexer com o xadrez político nacional e tem repercussões diretas nos estados, inclusive no Ceará. Aqui, o partido integra a base do governador Elmano de Freitas (PT).

Nos bastidores, a filiação de Caiado é vista como um entendimento de Gilberto Kassab, o presidente nacional da sigla, de que Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, está mesmo fora da corrida presidencial e o partido estaria passando a pensar de forma mais concreta na construção de uma candidatura própria. Naturalmente, isso pode mexer com os palanques estaduais em 2026.  

Três pré-candidatos e um Kassab mais estratégico 

Com a entrada de Caiado, o PSD passa a abrigar três nomes com potencial para disputar o Planalto: além dele, os governadores Eduardo Leite (RS) e Ratinho Júnior (PR). Todos com um perfil semelhante: conservadores, liberais na economia e críticos ao PT. Nenhum deles, porém, se alinha diretamente ao bolsonarismo, o que aponta para um horizonte de busca do PSD por um perfil de direita moderada, mirando o eleitorado que rejeita tanto o petismo como o bolsonarismo. 

É aí que o movimento do partido indica impactos aos palanques regionais. O PSD, que até aqui funciona como parceiro de aliança em várias regiões, inclusive do PT, passa a ter interesses eleitorais próprios na corrida presidencial, o que pode forçar reposicionamentos locais. 

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O Ceará no tabuleiro 

No Ceará, o PSD é comandado pelo ex-vice-governador Domingos Filho, atualmente secretário de Desenvolvimento Econômico do governo Elmano. A sigla foi parceira de chapa do PT na eleição em Fortaleza em 2024, quando Gabriella Aguiar, filha de Domingos, foi eleita vice-prefeita de Fortaleza, ao lado de Evandro Leitão. 

O PSD mantém espaço na gestão e participa do arco de alianças que dá sustentação a Elmano, agora em âmbito estadual. De maneira sutil, até o momento, têm sugerido que busca espaço na chapa majoritária que deve ter Elmano candidato a reeleição.  

Contudo, se uma candidatura presidencial se consolidar, o partido pode ser pressionado a subir no palanque do seu próprio candidato à Presidência, rompendo, ou ao menos tensionando, a aliança com o PT no estado. 

Impactos em outros estados e o recado ao Planalto 

Além do Ceará, há impactos relevantes em outros territórios. Na Bahia, ACM Neto, adversário do PT local, deve ter liberdade para articular com o partido, tendo em vista a proximidade dele com Ronaldo Caiado. 

Em Minas Gerais, o movimento do PSD pode facilitar a articulação do governador Romeu Zema, dificultado para a base lulista que tem força política no Estado. 

E nos maiores estados, como Rio de Janeiro e São Paulo, a fragmentação do centro, a partir do PSD, pode esvaziar palanques aliados de Lula. 

Esse novo desenho poderia ampliar a dificuldade do presidente em construir uma frente ampla atraindo o centro político.