Lubnor: impasse entre Prefeitura e Petrobras segue sem solução; petroleiros criticam a privatização

Cerca de 30% do terreno da refinaria que fica próxima ao Porto do Mucuripe pertence ao Município; trabalhadores querem que Prefeitura não venda

Legenda: Metade da produção da refinaria, dizem os trabalhadores, é de asfalto, um produto de baixo valor agregado.
Foto: Juarez Cavalcanti

O imbróglio envolvendo a Petrobras e a Prefeitura de Fortaleza, em torno da possível venda da Lubnor, continua sem solução. A reunião entre membros da companhia e o Executivo Municipal ainda não tem algo conclusivo. Do outro lado, trabalhadores apontam problemas na venda e pressionam os órgãos público a tentarem resolver a questão.

O município já comunicou que não abre mão do ativo dos terrenos públicos envolvidos e que pode até mesmo judicializar a questão. A Petrobras reconhece as pendências e diz que a empresa interessada na compra tem ciência das questões a serem resolvidas.

Nesta última quarta (8), às vésperas do encontro com a Companhia, o prefeito Sarto recebeu, no Paço Municipal, o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Petróleo nos Estados do Ceará e Piauí (Sindipetro CE/PI). Os representantes da categoria demonstram preocupação com a privatização da Lubnor e apresentam os argumentos.

Iran Vieira, presidente do sindicato, faz críticas à condução da Petrobras sob influência do governo Jair Bolsonaro e alega que a companhia só poderia ter feito a venda da Lubnor após resolver as pendências em relação aos terrenos públicos. Entretanto, as reclamações da categoria vão além.

“O valor da venda (anunciado por US$ 34 milhões) não paga nem os terrentos, tendo em vista que além da refinaria, incluíram no bolo o terreno do clube dos petroleiros que tem 40 mil metros quadrados na Praia do Futuro. Só o valor do terreno do clube a preço de mercado já daria metade do valor anunciado”.
Iran Vieira
Presidente do Sindipetro CE/PI

Diante das questões envolvidas, os profissionais querem que a Prefeitura não venda o terreno para a Petrobras. “Não podemos apoiar a entrega de um patrimônio público”, diz ele.

A mobilização, segundo detalha, é para evitar que o prefeito mande à Câmara Municipal um pedido para a venda do terreno. Se o executivo mandar, os petroleiros pretendem fazer uma mobilização com os vereadores.

Movimento no Legislativo

Na Câmara Municipal, está em curso o movimento também de dificultar a venda da Lubnor, anunciada pela Petrobras no dia 25 de maio.

No último dia 2 de junho, o vereador Guilherme Sampaio entrou com uma ação popular na Justiça para tentar barrar a privatização. Iran Vieira, o presidente do Sindicato dos Petroleiros, subscreve essa ação.

Além disso, a bancada do PDT no Legislativo Municipal pediu uma audiência e a formação de uma Comissão para visitar a refinaria. Essas providências já foram tomadas e o presidente da Casa, vereador Antônio Henrique (PDT), prevê para a próxima semana a visita ao local.