Excesso de lideranças desafia Elmano e Camilo na montagem da chapa majoritária para 2026

São ao menos sete nomes de peso no grupo governista disputando três vagas disponíveis na chapa de reeleição do governador

Escrito por
Inácio Aguiar inacio.aguiar@svm.com.br
Legenda: Ministro da Educação e o governador já estão fazendo as contas e movendo peças para traçar a estratégia governista
Foto: Reprodução

Faltando pouco mais de um ano para as eleições de 2026, o governador Elmano de Freitas (PT) e o ministro da Educação, Camilo Santana (PT), evitam falar, mantendo um silêncio estratégico, sobre a formação da chapa majoritária no Ceará para 2026. Em público, o discurso é de foco na gestão e unidade. Mas, nos bastidores, a disputa pelas vagas é o tema que movimenta os aliados e revela disputas silenciosas no grupo. 

O desafio está posto. Serão quatro vagas na chapa: governador, vice-governador e duas ao Senado. Elmano será candidato à reeleição. As outras três posições, no entanto, precisam acomodar um leque de liderança e partidos que dão sustentação ao governo e que cobram o preço. 

Cid Gomes é a primeira peça no tabuleiro 

O arco de alianças é extenso e complexo. Cid Gomes (PSB) é a primeira peça do tabuleiro. Liderança do PSB e ex-governador, Cid mantem um grupo aliado coeso e tem peso na costura decisiva do governismo. Nos bastidores, o desejo do governador e do ministro é tê-lo como candidato ao Senado, mas Cid tem feito articulações em favor de Júnior Mano. A aliados, Cid tem reforçado a aliança com o comando, mas cobra que os partidos aliados sejam ouvidos.

Veja também

Domingos Filho tem o PSD como trunfo 

Domingos Filho (PSD) levou seu grupo de volta ao governismo em 2024, na disputa pela Prefeitura de Fortaleza, emplacando a filha, Gabriella Aguiar, como vice-prefeita na chapa de Evandro Leitão. Atualmente, ocupa uma secretaria estratégica do governo Elmano e comanda, no Estado, um dos principais partidos do País. Pouco tem falado sobre a eleição de 2026, mas nos bastidores o comando do grupo já sabe que o PSD tem um pleito de ter uma vaga na chapa majoritária.  

Chiquinho Feitosa segura o Republicanos na base 

Chiquinho Feitosa, presidente estadual do Republicanos, assumiu um papel fundamental para o grupo em 2022, quando do rompimento entre PT e PDT. Chiquinho diz ter o compromisso do comando do grupo por uma vaga de senador. E segue fazendo tratativas sobre o assunto. Empresário de destaque, Chiquinho é uma figura com forte trânsito em Brasília, tanto no mundo político como no Judiciário. Ele é cunhado do ministro do STF, Gilmar Mendes. 

Eunício quer MDB mantendo vaga na chapa 

Eunício Oliveira (MDB) é outra liderança que mira uma vaga ao Senado. Ex-presidente do Congresso Nacional, o parlamentar lidera o MDB que ocupa, atualmente, o cargo de vice-governadora, com Jade Romero. O partido deseja manter uma vaga na chapa majoritária. Jade, por sinal, é um dos nomes fortes do Partido, tendo o compromisso do comando do grupo governista. No comando, há a compreensão de que em meio à crise política com a cassação da ex-presidente Dilma, Eunício deu colaboração decisiva para o primeiro governo de Camilo Santana. 

Guimarães aposta em acordo com Lula para ficar com uma vaga 

No PT, o nome comentando há algum tempo é o de José Guimarães, figura histórica e com protagonismo nacional, líder do governo Lula na Câmara dos Deputados. O próprio deputado diz ter o compromisso do comando governista e do presidente Lula de que será candidato ao Senado. Entretanto, a amplitude do arco de aliança dificulta a reserva de duas vagas para o mesmo partido na chapa. 

Chagas Vieira é um nome de Camilo e Elmano no jogo 

Além dos nomes mais consolidados do ponto de vista político, há outras lideranças emergentes no grupo que também estão no centro do governo e miram vaga em 2026. O nome mais visível é do secretário chefe da Casa Civil do governo, Chagas Vieira. Jornalista, Chagas é braço direito do ministro Camilo Santana e chefiou a Casa Civil de Camilo, Izolda e Elmano. A ele, a base aliada atribui um crescimento da atuação do governo Elmano. O secretário ainda não tem filiação partidária, mas a proximidade com o comando eleva o patamar dele na disputa pelas vagas. 

Moses é aposta para atrair a União Progressista 

Some-se a lista o nome do deputado federal Moses Rodrigues (União Brasil). Moses está cada vez mais próximo do governo do Estado e é parte da estratégia do grupo para tentar atrair a União Progressista para a base do governo, oficialmente. Filho do prefeito de Sobral, Oscar Rodrigues, Moses compõe o grupo de oposição a Cid Gomes no Município. Nos bastidores, o senador foi ouvido pelo comando do grupo sobre a estratégia e confirmou que não iria se opor à chegada de Moses ao grupo. 

Opções de acomodação fora da linha de frente 

O problema é objetivo: há mais nomes que vagas disponíveis. E, nesse contexto, alguém vai sobrar. As opções de acomodação fora da linha principal da chapa são limitadas, mas existem: as suplências ao Senado, por exemplo, viraram opção. Outra alternativa de negociação é a Presidência da Assembleia Legislativa, que volta ao centro das articulações como espaço de poder e barganha. 

A solução final não dependerá apenas da política local, mas também da conjuntura nacional. A força de Camilo no governo Lula, o desempenho do PT e o comportamento da oposição, em âmbito local e nacional, são variáveis que podem embaralhar ou destravar as negociações.