Estado busca nome técnico para a Saúde e não pretende fazer mudanças de rumos na Pasta

De saída do cargo, Dr. Cabeto comprou brigas para manter uma linha de atuação principalmente na condução da pandemia

O governador Camilo Santana e o secretário de Saúde dr. Cabeto durante a pandemia
Legenda: Segundo o governador Camilo Santana, Cabeto pediu para deixar o cargo no governo do Estado

O Governo do Estado não pretende fazer mudanças de rumos na condução da Secretaria de Saúde do Estado após a saída de Dr. Cabeto. O governador Camilo Santana, busca, assim, alguém capaz de dar sequência ao trabalho em andamento iniciado pelo agora ex-secretário, que ficou dois anos e sete meses no cargo. 

O perfil desejado é alguém técnico, com atuação na área da Saúde, mas que também tenha habilidade de diálogos políticos. A busca pelo nome já começou, mas ainda não há prazo para a substituição. 

O Estado busca manter, principalmente, a atuação no comando da pandemia e também o processo de interiorização da saúde pública, que ganhou impulso após a pandemia, com o reforço, principalmente da instalação de leitos de UTI, que chegam a quase 30 município do Interior.

Outra questão a ser mantida é a prioridade de indicações técnicas na área, para a qual está marcado um concurso para contratação de 6 mil profissionais.  

Trajetória na pasta 

Ao assumir o cargo de secretário de Saúde do Estado, a convite do governador Camilo Santana, em 2019, início do segundo mandato do petista, o médico Carlos Roberto Martins Rodrigues, o Dr. Cabeto, surpreendeu. Com forte atuação no setor privado, uma das referências médicas do Estado, não se esperava que ele assumisse uma pasta historicamente complicada, cujas crises se multiplicavam. 

Desde então, Cabeto teve uma atuação marcante. Uma gestão que pode ser alvo de críticas, mas não por omissão. Em momentos difíceis para o governo, de intensa pressão de políticos, do setor produtivo e de outros segmentos da sociedade, inclusive da área médica, o secretário se manteve irredutível na defesa das medidas médicas e também não farmacológicas de enfrentamento à Covid-19. Isso ajudou o Ceará a ter protagonismo no combate à pandemia em âmbito nacional. 

A equipe chefiada por Dr. Cabeto elaborou protocolos de atendimento que serviram como referência, inclusive entregue ao Ministério da Saúde. 

O maior legado, porém, é na área de regionalização da Saúde estadual, desenvolvida a partir da Plataforma de Modernização da Saúde, lançada na gestão dele.

Nova estrutura  

Um dos principais frutos deste trabalho de planejamento é a criação da Fundação Regional de Saúde, que irá ficar responsável pela gestão de várias unidades estaduais. Um concurso já está lançado para a contratação de 6 mil profissionais de Saúde. 

Cabeto deixa o governo após o estado assinar contrato com o Instituto Butantan, de São Paulo, para a compra direta de 3 milhões de doses da vacina Coronavac, além daquelas já distribuídas pelo Plano Nacional de Imunização. 

Desde que entrou no governo, Cabeto deixou claro que gostaria de fazer uma “gestão disruptiva”. E sai tendo atacado os problemas que desejou: humanização do atendimento, valorização dos profissionais, interiorização das ações e planejamento estratégico. Alguns com mais êxito, outros nem tanto.