Demanda e falta de planejamento geram crise de oxigênio e medicamentos no Interior

Em meio ao pior momento da pandemia, prefeitos correm atrás de garantir insumos hospitalares fundamentais para salvar vidas

Legenda: A fila de espera por leitos de UTI está fazendo com que hospitais menores fiquem mais tempo com pacientes graves, agravando a crise
Foto: Thiago Gadelha

Depois da crise de abastecimento de oxigênio, que vem amedrontando a população do Interior, o novo tormento dos prefeitos e secretários de saúde em diversas cidades do Estado, em meio à pandemia, é o baixo estoque de medicamentos para intubação nos hospitais. Não há um número fechado, segundo a Associação da Municípios e Prefeitos do Ceará (Aprece), mas a crise é grande nos municípios que têm ao menos um hospital de pequeno porte. 

A dificuldade, que levou os municípios a fazerem novo apelo ao Governo do Estado, se dá, na avaliação de gestores ouvidos por esta coluna, por conta da grande fila de pedidos de internação em UTI em todo o Estado. A lista passa de 500 nomes, o que obriga os hospitais menores a ficarem com pacientes graves por mais tempo, em alguns casos, nos que possuem respiradores, obrigando as equipes médicas a fazerem intubação. 

O outro motivo, que dificilmente algum dos prefeitos aborda, é a falta de planejamento dos gestores municipais em relação aos insumos da Saúde.

O argumento de que o crescimento exponencial de casos desde fevereiro pegou a todos de surpresa só explica em parte a situação atual. Em janeiro, até pela situação de Manaus, já havia indicativos claros de que a pandemia iria recrudescer. 

Agora, porém, é correr para apagar o incêndio. O Estado está atendendo às demandas dos municípios que já apresentaram o problema. E pretende fazer compras conjuntas na indústria para evitar que medicamentos sedativos, anestésicos e bloqueadores musculares faltem à população no pior momento da pandemia.

Crise nacional no setor

Nacionalmente, é bom que se diga, o quadro em relação a estes insumos é preocupante. Diante do altíssimo consumo em todo o País, o Ministério da Saúde está tentando fazer compras internacionais das medicações, o que tem causado tensão em profissionais da área. São diversos os estados com estoques no limite. 

O governador do Estado da Bahia, Rui Costa (PT), orientou a Procuradoria do Estado que entre com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar barrar o que considera “alta abusiva” nos preços destes medicamentos no mercado. Segundo ele, fornecedores estão elevando os valores em meio à pior crise de saúde da História.