Por que o Aeroporto de Fortaleza é um dos mais bem avaliados do mundo?

Escrito por
Igor Pires igor.aer.ita@gmail.com
Legenda: O ranking combina três critérios: pontualidade (60% da nota), experiência do passageiro e infraestrutura e conforto.
Foto: Kid Jr / SVM.

Não é de hoje que o Aeroporto de Fortaleza aparece bem avaliado nacionalmente. Agora, o resultado é ainda mais positivo: o ranking da AirHelp, plataforma online estrangeira, posiciona Fortaleza como o 2º melhor do mundo, logo atrás do Aeroporto do Panamá.

Com nota 8,42 em um levantamento que avaliou 279 aeroportos em 76 países, Fortaleza ficou atrás apenas do Aeroporto do Panamá (nota 8,48) e se destacou especialmente na experiência do passageiro, obtendo a maior nota entre todos os aeroportos brasileiros: 8,7 pontos.

O ranking combina três critérios: pontualidade (60% da nota), experiência do passageiro e infraestrutura e conforto.

É natural que o resultado cause certo espanto, dada a magnitude da colocação (2º do mundo), porém o equipamento da Capital cearense de fato tem vários atributos que permitem oferecer elevado nível de serviço ao passageiro.

O que explica esse resultado?

O Aeroporto de Fortaleza já acumulou múltiplos primeiros lugares na pesquisa de satisfação de passageiros da Agência Nacional de Aviação Civil/Secretaria de Aviação Civil ( Anac/Sac) e aparece de forma recorrente no topo de sua categoria: aeroportos entre 5 e 10 milhões de passageiros.

O Aeroporto de Fortaleza movimentou, em 2025, mais de 6 milhões de passageiros e possui capacidade atual para 12 milhões, ou seja, opera com cerca de 50% de sua capacidade instalada.

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Assim, o equipamento tem a fluidez adequada para sua operação, por isso se destaca no quesito pontualidade. A demanda atual de passageiros e aeronaves garante uma operação confortável: menos filas, mais agilidade, menos estresse.

Um exemplo claro disso é o raio-X. Em Fortaleza, na maioria das vezes, o passageiro chega, passa pela inspeção praticamente sem espera e já está no nível dos portões de embarque, sem precisar subir e descer escadas, sem fluxos confusos.

Essa eficiência se estende ao lado operacional. O pátio permite adequada movimentação simultânea de aeronaves no lado leste do aeroporto (linhas ZA e ZB), há mais de uma alternativa de taxiamento até a pista (taxiway Kilo e Lima) e a boa quantidade de 14 pontes de embarque reduz drasticamente a necessidade de posições remotas, um dos maiores pontos de desgaste na experiência de viagem.

No ar, a lógica se mantém. A aproximação das aeronaves é, na maior parte do dia, rápida. Há um pico concentrado perto do meio-dia, mas, fora disso, é raro ver aviões em espera ou recebendo vetorações demoradas (solicitações de desvio na rota de voo).

Some-se a isso à elevada previsibilidade meteorológica: a pista praticamente não muda sua cabeceira ativa ao longo do ano, o que evita retrabalho.

Ou seja, o clima ajuda muito. Fortaleza tem condições meteorológicas estáveis, com baixíssima incidência de fechamento do aeroporto ou de voos alternados. Isso, sozinho, já é um diferencial enorme quando comparado a outros mercados.

Mesmo a pista - que não é das maiores do Brasil, com 2.755 metros - cumpre bem seu papel. Permite a operação de aeronaves de grande porte (4E), como o Airbus A350, o Boeing 777-200 e o 787-9, sem restrições relevantes.

O terminal também evoluiu. A área nova é ampla, moderna e confortável, sendo uma das melhores salas de embarque do país hoje. Tudo está, realmente, a poucos minutos de caminhada.

A parte antiga da sala de embarque, embora menos ampla, não compromete o fluxo: é larga o suficiente para funcionar sem gargalos.

O aeroporto possui boa quantidade de assentos e mesas na área de embarque e na praça de alimentação, o que proporciona muita conveniência aos passageiros e frequentadores.

Localização e experiência do passageiro

Além disso, o aeroporto está praticamente no coração da cidade, em seu centro geográfico. Em uma capital do porte de Fortaleza, isso faz toda a diferença: uma enorme quantidade de bairros consegue acessar o terminal em menos de 25 minutos. É difícil encontrar localização tão boa entre as principais capitais do país.

Chegando ao aeroporto, o passageiro consegue acessar um excelente mix de serviços, sobretudo alimentação e lojas de variedades. Ao mesmo tempo, o aeroporto possui 7 salas VIP, que oferecem ainda mais conforto e exclusividade aos clientes.

No Norte-Nordeste, não há aeroporto com tantas salas VIP. Movimento que esta Coluna acompanha há algum tempo e que coloca Fortaleza em um patamar normalmente restrito aos grandes hubs do Sudeste.

Os quesitos acima ajudam nos critérios de experiência, conforto e infraestrutura. Há ainda um vetor importante de melhoria recente: a mobilidade.

A chegada do VLT visa prover conectividade entre o aeroporto e a Cidade. O trajeto é rápido, climatizado e, neste momento, gratuito. A expansão prevista para o Castelão e para o Dias Macedo tende a reforçar essa necessidade de o aeroporto ser muito bem conectado com a Cidade.

Vale lembrar, ainda, que o aeroporto já teve uma conectividade interessante, como antes da pandemia, o que representa muita conveniência ao cliente, ou seja, voar direto para grandes destinos mundiais.

Hoje, o Aeroporto está recuperando parte dessa conexão e já se aproxima do que tinha antes. Por isso, poucos aeroportos oferecem localização tão privilegiada ao passageiro como o FOR, seja para a Europa, seja para a América do Norte.

Isso tudo explica por que Fortaleza aparece tão bem avaliada.

Há, porém, pontos de melhoria

O meio-fio superior, destinado ao embarque e desembarque de passageiros, segue sendo um gargalo importante. O espaço exíguo favorece filas duplas e dificuldade de fluidez, o que contrasta com o restante da experiência positiva.

O estacionamento deveria ter mais vagas cobertas e precisaria ser mais barato. O aeroporto destoa de outros equipamentos por não ter um edifício-garagem que ofereça mais vagas e sombra.

O VLT, que passa a ligar o equipamento à "rede ferroviária" da Cdade, ainda opera com pouca frequência. O tempo entre viagens deveria ser menor que 10 minutos para que os passageiros percebam o real valor do modal.

No quesito operacional, uma saída rápida (nova taxiway) de aeronaves para a pista 13 poderia garantir maior número de operações de pousos e decolagens por hora, já que a taxiway Delta (à direita da aeronave que pousa) não favorece a liberação rápida de aeronaves maiores.

Vale notar, ainda, que aeronaves que pousam mas não conseguem frear até a taxiway Delta precisam livrar a cabeceira pela esquerda, ou seja, pelo lado norte do aeródromo (oposto ao terminal de passageiros).

Seria possível construir uma taxiway pela direita na cabeceira 31? Acredito que não, porque o preço para isso seria o desmatamento de árvores próximas àquela cabeceira.

Em um quesito mais cultural, há quem reclame que o Aeroporto tem temática pouco ligada aos costumes cearenses, sendo pragmático demais. Isso acontece sobretudo na área ampliada, que contrasta com tanta modernidade e ambiente padronizado.

Os banheiros não estão eventualmente sujos como os de Guarulhos, mas poderiam ser mais agradáveis aos passageiros, sobretudo fora do horário de pico.

Fortaleza opera há anos com padrão internacional e elevada qualidade. Se ajustar ou melhorar os pontos citados acima, pode se consolidar de fato como o melhor aeroporto do Brasil e buscar reconhecimento mundial.

*Este texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.

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