Latam suspende voos entre Fortaleza e Parnaíba por razões operacionais e comerciais
A Latam decidiu suspender os voos entre Fortaleza e Parnaíba. As passagens não estão disponíveis no site da companhia desde pelo menos o último dia 18 de dezembro, quando leitores começaram a relatar o problema à Coluna.
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Segundo fontes ouvidas, a suspensão estaria relacionada a fissuras na pista e à presença de pedregulhos, que poderiam oferecer risco às operações, especialmente em caso de ingestão de FODs (Foreign Object Debris, ou objetos estranhos) pelos motores das aeronaves.
Contudo, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) confirmou que identificou pendências na pista durante fiscalizações de rotina, mas esclareceu que não determinou a suspensão de pousos e decolagens no aeroporto.
De acordo com a Anac, foi a própria Latam que optou pela suspensão. “A decisão de suspender a venda de passagens decorre de avaliação operacional e comercial da Latam, sobre a qual a Agência tomou ciência", informa o órgão.
Na prática, a decisão envolve questões de segurança e também fatores comerciais, como a viabilidade econômica da rota. A Latam não respondeu aos pedidos de comentário feitos pela Coluna.
Entenda o contexto
Os primeiros relatos sobre a suspensão dos voos surgiram por volta de 18/12. Na ocasião, a concessionária do Aeroporto de Parnaíba (@aerophb) informou, pelas redes sociais, que não havia paralisação das operações, embora os voos já não estivessem à venda.
Também naquele dia, uma fonte ligada ao Governo do Piauí afirmou que não havia comunicação oficial da Latam sobre a suspensão e que os voos voltariam a aparecer no sistema ainda na mesma data.
Isso, porém, não aconteceu. Até agora, o site da Latam segue sem oferecer passagens para a rota entre Fortaleza e Parnaíba.
Resultados da rota
A Latam inaugurou os voos para Parnaíba no último mês de setembro. A Coluna esteve presente no primeiro voo. Desde setembro, os voos já transportaram mais de 5.800 passageiros, entre idas e vindas, com taxa média de ocupação de 59%.
Para uma rota que já nasceu com o pagamento de subvenções, isto é, com o Governo do Piauí pagando pelos assentos vazio, o resultado não chega a ser ruim. O modelo é semelhante ao da subvenção entre Juazeiro do Norte e Fortaleza.
Parnaíba mostra que há, sim, demanda. A real rentabilidade do voo, no entanto, é uma incógnita e pode, segundo relato da Anac, ser um dos motivos da suspensão.
Os voos, inclusive, tinham previsão de ganhar uma frequência extra a partir do dia 11/12, passando a operar com três frequências semanais para Fortaleza até o início de fevereiro.
Na semana seguinte ao início previsto da terceira frequência, porém, os voos ficaram indisponíveis, o que representa uma grande perda. Torcemos para que eventuais pendências sejam rapidamente solucionadas e que os voos voltem a ser vendidos e a operar. A aviação regional brasileira precisa!
*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.