A noite que comprovou por que Neymar nunca será Messi

Enquanto um deu show em campo e mostrou amor à pátria, o outro fez jogo burocrático e deu entrevista lamentável

Messi e Neymar em jogos pelas seleções
Legenda: Messi privilegiou o futebol e o amor à Argentina. Neymar ficou preso a recordes pessoais e ataques à imprensa
Foto: AFP/ Lucas Figueiredo (CBF)

Antes de iniciar este texto, deixo claro que não torço Argentina e sou um fã de Seleção Brasileira desde a infância. Mas a noite desta quinta-feira (9), em rodada pelas Eliminatórias, causou duas sensações completamente opostas: admiração e perplexidade.

Começo pelo bom sentimento. As imagens de Lionel Messi, seis vezes eleito o melhor do mundo, chorando copiosamente após festejar, com meses de atraso, o título da Copa América junto ao torcedor argentino comovem qualquer apaixonado por futebol, mesmo que seja um torcedor brasileiro e que o título tenha sido conquistado sobre a nossa seleção.

Duas décadas de espera para que o argentino, acostumado a empilhar 'orelhudas da Champions League', títulos nacionais e continentais, vibrasse com uma conquista pela seleção. E ele comemorou e chorou com nunca fez na carreira. Demonstração genuína e indiscutível de amor à pátria. Sentimento que foge das pretensões pessoais.

Fora isso. Messi foi Messi em campo. Três gols, com direito a golaço. Colírio para os olhos dos amantes do futebol.

Outro lado da moeda

E a noite teve Neymar. Mas não o Neymar que ganhou Libertadores, Champions etc. Foi o pior Neymar possível, com um agravante: não é mais sombra do jogador que era em temporadas passadas. Lento, previsível e fora do ritmo do time. Fez um gol, sim. De bandeja, após belas jogadas dos companheiros Everton e Gabigol. Não foi substituído mais uma vez, mesmo merecendo, causando desconfiança sobre a liderança de Tite. Neymar não pode sair?

Gostaria de ficar apenas no campo, pois ele tem capacidade de recuperar a boa forma. Mas ainda teve uma entrevista lamentável. Ao repórter Eric Faria, da TV Globo, disse que não era respeitado. Não citou quem o desrespeitava nem o teor das chateações. Fez marketing pessoal, citando recordes e falou que passaria Pelé...

Pelé, o maior gênio da história do futebol brasileiro que está hospitalizado após retirar um tumor. Pelé que imortalizou a camisa do Santos, time que revelou Neymar para o mundo. Pelé, atleta que merecia todas as reverências de qualquer atleta e dedicatórias nos gols e menções em entrevistas.

Mas Neymar o citou sem sequer demonstrar humanidade pela condição de saúde do rei. Ao final, quando já saía rumo ao vestiário, foi abordado pelo repórter Eric Faria novamente: "você não vai deixar um recado para o Pelé, que está hospitalizado?". 

Uma mensagem pobre, sem sal, sem sentimento. Neymar vive um mundo paralelo, que não é o de referência esportiva nacional. Que o bastão seja passado a outro atleta brasileiro.