Sim, o Cinturão Digital do Ceará já funciona, diz a Etice
Esse backbone oferece infraestrutura de conectividade na ZPE do Pecém para atendimento imediato a empreendimentos de alta tecnologia,
Esta coluna publicou terça-feira, 21, a opinião de um industrial, segundo quem o Cinturão Digital do Ceará, que enlaça com fibra ótica toda a geografia cearense, precisa de cumprir sua finalidade, que é a de fornecer internet de alta velocidade e qualidade à indústria, sem a qual ela não alcançará o nível 4.0 (quatro ponto zero). Rápido no gatilho, o jornalista Flamínio Araripe, assessor de imprensa da Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice), que é, aliás, um profissional 100% dedicado aos temas tecnológicos, transmitiu à coluna as informações e os comentários a seguir, que põem a questão no seu devido lugar. Foi ele quem, em 1988, me substituiu como correspondente do Jornal do Brasil, quando o JB era o principal veículo da imprensa brasileira. Eis o que ele disse:
“O Cinturão Digital do Ceará (CDC) já dispõe de infraestrutura de conectividade na ZPE do Pecém para atendimento imediato a empreendimentos de alta tecnologia, incluindo data centers. O backbone do Governo do Estado, com 5.995 quilômetros de fibra óptica, está interligado aos centros de processamento de dados da Praia do Futuro e aos cabos submarinos internacionais que chegam a Fortaleza, oferecendo a baixa latência exigida por aplicações da indústria 4.0 e de Inteligência Artificial.
“A expansão dessa infraestrutura a empresas privadas também já está planejada. O presidente da Etice, Hugo Figueirêdo, anunciou para 2027 o lançamento do edital de licitação de seis pares de fibra óptica do Cinturão Digital. A iniciativa, aprovada pelo Conselho Gestor de Parcerias Público-Privadas (CGPPP), tem como objetivo ampliar a capacidade da rede para o interior do estado e atrair novos investimentos em processamento de alto desempenho, inteligência artificial e data centers. Esta estratégia tem por objetivo fixar a infraestrutura digital próxima aos grandes polos de geração de energia eólica e solar no interior.
“A primeira licitação do Cinturão Digital deu-se em 2015, tendo como ganhadora a Brisanet em consórcio com Wirelink e a Mob Telecom. O presidente e fundador da Brisanet, José Roberto Nogueira, reconhece que essa vitória no leilão de dois pares de fibra óptica do CDC, há 11 anos, foi um marco decisivo e divisor de águas na história de crescimento da empresa.
“Segundo Nogueira, o acesso ao backbone público de fibra óptica do Estado permitiu à sua operadora "iluminar" a infraestrutura existente e alavancar a expansão de sua malha própria, transformando o perfil da Brisanet de provedora de internet via rádio em uma gigante regional de telecomunicações em fibra óptica. Desde então, ela conseguiu ampliar sua rede para mais de 200 mil quilômetros de cabos no Nordeste e consolidar a liderança no mercado regional e criar as bases para novos saltos estratégicos, como a entrada na tecnologia móvel 5G.
“O Plano de Negócios 2026-2030 da Etice estabelece, em relação ao CDC, a implantação de rotas com tripla abordagem em polos estratégicos e a evolução da rede para 400 Gbps. O Cinturão Digital alcança cerca de 72% do território cearense, constituindo uma infraestrutura estratégica para o desenvolvimento da economia digital e para a atração de novos empreendimentos tecnológicos ao Estado.”
Para esta coluna e, também, para os industriais cearenses, o Cinturão Digital foi uma genial ideia do governo do estado, que, como acima está bem esclarecido, já atende a algumas áreas da atividade econômica do Ceará, incluindo o seu Complexo Industrial e Portuário do Pecém. A mesma fonte da informação aqui divulgada há três dias, provavelmente porque a área onde se localiza sua indústria ainda não foi alcançada pelos benefícios do CDC, sustenta sua crítica, mas agora acrescentando o comentário de que está “ciente de que o trabalho da Etice prossegue na busca da meta, que é a de entregar o que está prometido”.
Por falar em Tecnologia da Informação: no universo dos empresários e dos especialistas do setor, há, digamos assim, um ciúme ou uma dor de cotovelo porque o governo cearense parece mais focado em dar aleluias ao conjunto de investidores dos Data Centers que se implantam no Pecém ou na Praia do Futuro, do que em incentivar e reunir as empresas que aqui se dedicam a ele. Essas empresas e esses empresários sentem-se abandonados.
No tempo de Jesus Cristo, já havia a queixa de que santo de casa não faz milagre. Neste caso, todavia, a verdade é que as empresas e os profissionais cearenses de TI fazem milagres há muito tempo. Falta o reconhecimento do governo, do qual tudo parece depender
Veja também