Previsão da CNI: PIB brasileiro crescerá 2% neste ano

Para o setor industrial, projeção é de alta de 2,1%; o agro deverá crescer 1,8%

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
(Atualizado às 09:41)
Legenda: A indústria brasileira deverá ter neste ano um crescimento robusto de 2,1%, segundo projeção da CNI
Foto: Helene Santos / SVM
Um oferecimento de:

Manteve-se em 2% a projeção da Confederação Nacional da Indústria (CNI) para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país para 2026. De acordo com o Informe Conjuntural do 2º Trimestre, divulgado hoje, quarta-feira, 22, a resiliência do setor de serviços e perspectivas mais positivas para a agropecuária e a indústria — em especial, a extrativa — devem influenciar positivamente a atividade econômica. 

Por outro lado, juros altos, custos elevados e o aumento das importações devem prejudicar o setor produtivo e limitar o desempenho da economia.   

“O cenário econômico de 2026 é marcado pelo crescimento moderado, sustentado principalmente pelos setores ligados às commodities e por estímulos à demanda. Em contrapartida, a combinação entre política monetária restritiva, condições financeiras adversas, inflação elevada e persistência das fragilidades fiscais continua limitando uma recuperação mais forte da economia” aponta Mario Sergio Telles, diretor de Economia da CNI. 

A indústria teve a projeção de crescimento revista de 1,6% para 2,1%. A perspectiva mais otimista se deve, sobretudo, à indústria extrativa. Menos sensível aos juros altos e impulsionada pelo aumento da produção de petróleo, deve avançar 9,1% em 2026 e não mais 7,8%, conforme a previsão anterior.   

O desempenho da indústria de transformação, por sua vez, deve ser comprometido por uma combinação de três fatores: entrada expressiva de produtos importados, juros elevados e custos crescentes em decorrência da guerra no Oriente Médio. Ainda assim, a CNI aumentou de 0,3% para 0,6% a expectativa de alta do setor.   

“A revisão da expectativa de crescimento da indústria de transformação se deve ao desempenho de três segmentos especificamente: derivados de petróleo, produtos farmoquímicos e farmacêuticos e automóveis. Contudo, é importante destacar que a maior parte do setor continua enfrentando dificuldades, uma vez que apenas sete dos 24 segmentos estão crescendo”, pondera Mario Sergio.   

Embora também sofra com os efeitos da política monetária, a indústria da construção deve ser impulsionada por iniciativas do governo, como a ampliação do Sistema Financeiro da Habitação, mudanças nas regras do crédito imobiliário, programa Reforma Casa Brasil e continuidade dos investimentos em infraestrutura. Por isso, a CNI reviu a projeção de crescimento do setor de 1,3% para 1,5%.   

E O AGRO? A expectativa de outra safra recorde — puxada pela soja — e o avanço da produção animal devem contribuir para o crescimento da agropecuária, de acordo com a CNI. Apesar do encarecimento de insumos por conta da guerra no Oriente Médio, o setor tende a crescer 1,8% em 2026. A expectativa anterior era de alta de 1,1%. Vale lembrar que, no fim do ano passado, a perspectiva para o setor era de estagnação.   

O setor de serviços foi o único a ter a estimativa de crescimento diminuída, de 2,1% para 1,9%. Ainda que o segmento de informação e comunicação, as vendas do varejo e o mercado de trabalho continuem sustentando o setor, bem como medidas de estímulo ao consumo — entre elas a ampliação da faixa de isenção do imposto de renda — alguns fatores limitam o desempenho dos serviços. Destacam-se o aumento do endividamento e da inadimplência das famílias e a manutenção dos juros altos, que desestimulam a demanda. 

A CNI aumentou de 4,4% para 5% a projeção de avanço do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2026. A revisão se explica, sobretudo, pela elevação dos preços dos alimentos e dos combustíveis, além da persistência da inflação de serviços.

Em relação às contas públicas, a CNI prevê aumento real de 5,8% da receita líquida federal. O crescimento da arrecadação, porém, será acompanhado pelo avanço dos gastos. A expectativa é que as despesas federais subam 4,5% acima da inflação. Nesse cenário, o déficit do governo deve alcançar cerca de R$ 55,3 bilhões — patamar semelhante ao registrado em 2025. Com as contas fechando no vermelho, a dívida pública deve fechar 2026 em 82% do PIB, o que representaria um aumento de 10,3 pontos percentuais do endividamento em dez anos.

Em meio à deterioração do quadro fiscal e do avanço da inflação, a CNI acredita que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central vai realizar somente dois cortes de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic, levando-a de 14,25% para 13,75%. A projeção do Informe Conjuntural do 1º Trimestre para a Selic ao fim de 2026 era de uma taxa de 12,75%.

“Vale destacar que a taxa de juros neutra, que é aquela que não retrai nem incentiva o crescimento econômico, está em 5%. Se as nossas projeções se confirmarem, os juros reais fechariam 2026 em torno de 9,2%, o que representa uma política monetária extremamente contracionista”, aponta Mario Sergio.