Será na Ibiapaba o Centro Tecnológico para o cultivo protegido

O titular da SDE, Fábio Feijó, encantou-se com a tecnologia holandesa. Há no chão ibiapabano mais de 600 hectares produzindo hortifrutis em estufas

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
Legenda: O professor Filip von Noort, da Wageningen University, fala para Elmo Aguiar, Fábio Feijó (de óculos) e Sílvio Carlos Ribeiro.
Foto: Egídio Serpa
Um oferecimento de:

Delft (Holanda) – Entusiasmado o com que viu e ouviu ontem pela manhã no Instituto de Educação da Água e à tarde na Wagingen University, maior centro de pesquisa mundial sobre o cultivo protegido, o secretário do Desenvolvimento Econômico (SDE) do governo do Ceará, Fábio Feijó, anunciou a esta coluna que o projeto de implantação do Centro Tecnológico de Desenvolvimento do Cultivo Protegido na geografia cearense está sendo reexaminado com prioridade pela Secretaria Executiva do Agronegócio de sua pasta, ocupada pelo agrônomo Sílvio Carlos Ribeiro. 

O reexame poderá incluir a relocalização do equipamento, inicialmente previsto para a área onde antigamente funcionou a usina de açúcar de Barbalha, na região do Cariri, no Sul do estado. 

Sobre este tema, a coluna tem ouvido de empresários do agro que o melhor lugar para abrigar esse empreendimento é a Chapada da Ibiapaba, levando em conta que é lá onde esse moderno e revolucionário tipo de cultivo cresce na velocidade do frevo, existindo hoje naquela região uma área de mais de 600 hectares de estufas que produzem, principalmente, flores, verduras e legumes, incluindo tomates e pimentões coloridos. 

Os secretários Fábio Feijó e Sílvio Carlos Ribeiro, além do presidente da Agência de Defesa da Agropecuária (Adagri), Elmo Aguiar, e do coordenador de Recursos Hídricos da SDE, Erildo Pontes, integram a Missão Técnica conjunta da Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem (Abid) e Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (Faec) que desde ontem, 6, e até próxima sexta-feira, 10, está aqui na Holanda para conhecer e apropriar-se das últimas tecnologias de gestão da água, da agricultura irrigada, do cultivo protegido e da logística do agro.  

O dia de ontem da missão começou no Institute for Water Education (IWE), um organismo que opera sob os auspícios da Unesco e cujo objetivo é formar e qualificar profissionais para a administração dos recursos hídricos em todos os setores, um dos quais o da agricultura irrigada. O IWE tem atuação em vários países do mundo, principalmente nos da África.  

O professor Pieter van der Zaag, especialista em irrigação e do quadro de doutores do instituto, falou aos missionários cearenses e referiu-se a projetos em execução pela IWE no Kênia, Etiópia e Mali, entre os quais o que utiliza o leito seco dos rios para a perfuração de poços e para a construção de barragens subterrâneas. Trata-se de algo semelhante ao que o agrônomo e agropecuarista cearense José Maria Pimenta executou ao tempo em que presidiu a Ematerce. Pimenta tem dito e repetido que as barragens subterrâneas são um dos melhores caminhos para garantir água às populações do semiárido nas épocas de estio. 

O secretário Fábio Feijó interveio e sugeriu a celebração de uma parceria do IWE com o governo do Ceará por meio do programa Cientista Chefe de Agricultura, uma iniciativa abrigada na SDE com a finalidade de estudar como produzir mais com menos água e menos área no semiárido cearense. A sugestão foi imediatamente aceita e a direção do IWE adotará as providências para a sua viabilização. 

FOCO NO CULTIVO PROTEGIDO 

A segunda parte da programação de ontem foi cumprida durante toda a tarde na cidade de Bleiswijck, mais precisamente na Wageningen University & Research – WUR, uma fundação da Universidade de Wageningen que tem, em seu Centro de Tecnologia de Cultivo Protegido, uma experiência que o torna o principal centro mundial nessa tecnologia.  

A WUR tem parcerias com grandes empresas privadas, algumas multinacnioais, das quais recebe financiamento para a realização de pesquisas do interesse delas. É esse aporte de recursos financeiros que a torna sustentável da universidade. 

Durante 90 minutos, os missionários cearenses ouviram exposições feitas por cinco dos cientistas da WUR – três dos quais mulheres – que abordaram as diferentes virtudes do cultivo protegido. Eles disseram que, como na Holanda o sol praticamente desaparece durante boa parte do ano (no outono e no inverno, o céu permanece nublado), as estufas dos gigantescos laboratórios da instituição têm de usar iluminação especial para que se produza a fotossíntese, e o resultado é excelente, mas seu custo é muito alto. 

“No Ceará, com luminosidade solar durante todo o ano, esse custo nem existe”, disseram à coluna Michel Freire e Francisco Régis Cirino Nogueira, sócios da 3V3 Tecnologia, uma startup cearense de tecnologia voltada para o agro, que integram a missão. Luiz Felipe Santiago. gerente Executivo da Fapija (Federação dos Produtores do Projeto de Irrigação Jaguaribe-Apodi) manifestou a mesma opinião. Resumindo, o cultivo protegido tem um futuro brilhante no chão cearense. 

O professor Filip van Noort, que comanda as pesquisas da WUR e que tem boas informações sobre o clima e o solo do Ceará e do Nordeste, disse, com outras palavras, que os cearenses são abençoados, pois dispõem do sol o tempo inteiro, e isto é muito mais do que meio aminho andado para o êxito de empreendimentos de cultivo protegido. Ele tem razão, e isto está provado na Ibiapaba. 

Depois dessa primeira parte teórica, os cearenses, comboiados pelo professor Filip e pela professora Ria Hulsman, foram ver, na prática, como se desenvolvem as pesquisas de diferentes culturas submetidas ao ambiente protegido. O grupo viu, bem desenvolvidas, culturas de algodão, pimenta do reino, café, baunilha e alfafa. Essas pesquisas são encomendadas e bancadas por empresas europeias e de outros continentes. 

Depois da visita, este colunista aproximou-se dos dois secretários do governo cearense e quis saber em que estágio se encontra o projeto de implantação do Centro Tecnológico de Desenvolvimento do Cultivo Protegido, que já deveria estar concluído e em operação, pois faz três anos que a SDE o promete. 

Fábio Feijó respondeu, anunciando que ele está sendo reexaminado e que, a partir de agora, fruto do que ambos haviam acabado de ver e ouvir, esse reexame ganhará mais velocidade, tendo em vista sua plena e garantida viabilidade econômica, técnica e financeira, “como aqui ficou provado”. 

Indagado sobre se o empreendimento será em Barbalha, como se previu na origem do projeto, Feijó, com o assentimento de Sílvio Carlos Ribeiro, revelou que é possível que o local mudado. E por que não na Chapada da Ibiapaba, onde os pequenos e grandes empresários já instalaram o equivalente a mais de 600 hectares de estufas para o cultivo protegido? O titular da SDE respondeu com uma frase: 

“É, deve ser lá.”  

Programação -- Hoje, 7, pela manhã, a missão percorrerá um roteiro temático guiado na World Horti Center, maior referência mundial em horticultura de estufa. Nesse centro, os missionários ouvirão os especialistas sobre a horticultura holandesa e suas inovadoras tecnologia, incluindo soluções inteligentes na estufa, e conhecerão seus pavilhões temáticos, como I-Grow, WaterWise, Robotics & AI, Cadeia de Valor e Energia.   

À tarde, prosseguirá o roteiro temático com foco na planta e no cultivo e na cooperação como força silenciosa do sucesso (OVO drieluik), abordando os pavilhões Power of Plants, Health, Cultivation for Compounds e a integração entre produtores, fornecedores e pesquisa, ou seja, um momento também dedicado ao cultivo protegido.   

COOPERCON-CE FAZ PARCERIA COM A RACK 

Novidade! A Cooperativa da Construção Civil do Ceará (Coopercon-CE) participou na semana passada, da Expo Construção Offsite 2026, em São Paulo, durante a qual seus diretores acompanharam as principais tendências da construção industrializada e cumpriram uma agenda de visitas técnicas a empresas, centros de pesquisa e empreendimentos de referência.  

Durante a missão, a direção da cooperativa celebrou uma parceria com a Rack, indústria brasileira fabricante de elevadores cremalheira, gruas e minigruas, ampliando o acesso dos seus cooperados a equipamentos e soluções para o setor.  

A programação também incluiu visita ao Centro de Pesquisa da Saint-Gobain e a obras em diferentes fases de execução na capital paulista e em Salto (SP).

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