Saem de cena o INSS e o Master, entram os Bolsonaro
Para empresários cearenses, ouvidos por esta coluna, a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro atraiu a atenção da mídia, que já deixou de lado os escândalos mais recentes
Escândalo é o que não falta ao Brasil e aos brasileiros. E neste momento ele está pluralizado, como lembraram dois empresários com os quais esta coluna conversou ontem a respeito da agora mais conturbada cena política, econômica e social do país.
No Congresso Nacional, por exemplo, há uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura o escandaloso e criminoso desvio de bilhões de reais do INSS, onde se abriga a multidão de velhinhos e velinhas aposentados e pensionistas, dos quais foram surrupiados, de 2016 até 2024, algo como R$ 8 bilhões, podendo ser muito mais, segundo estimam as investigações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público, que ainda prosseguem.
A CPMI do INSS a – que no começo, como todas as outras, chama a atenção da mídia e no fim das contas deve terminar em pizza depois de produzir fumaça – envolve gente muto importante ligada à direção de sindicatos e associações disso e daquilo. Há sobrenomes influentes e, por isto mesmo, dispensados de depoimentos.
Por enquanto, o que se sabe sobre esse escândalo é o seguinte: o governo tirou do Tesouro Nacional, isto é, da sociedade, o dinheiro necessário para ressarcir os que foram ludibriados pelo bilionário esquema de corrupção montado com a participação e o conhecimento do comando da Previdência Social. Os responsáveis pelo crime, porém, seguem, até aqui, livres, lépidos e fagueiros, e com os bolsos cheios. A única providência adotada pelo governo – como resposta à opinião pública -- foi a demissão do ministro da Previdência e do presidente do INSS.
Agora, surgiu outro escândalo, ainda maior e mais tonitruante, o rombo do Banco Master, um conglomerado de empresas que pode ser comparado a um polvo que habita o oceano financeiro, alcançando, com seus tentáculos e ventosas, instituições e pessoas de fora e de dentro dos três poderes da República, como indicam as primeiras investigações da PF e da mídia. Se essas investigações forem mesmo aprofundadas, não sobrará pedra sobre pedra, admitem os que acompanham a marcha dos acontecimentos.
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e seu sócio Augusto Ferreira Lima foram presos e seguem presos. Deles, a PF apreendeu bens valiosos - avião, joias, automóveis de luxo, obras de arte. Na Câmara dos Deputados, há uma movimentação pela abertura de uma CPI para apurar até onde foi a fraude do Banco Master, mas é provável que se frustre essa tentativa, tantos são os “altos interesses em jogo”, comentaram os empresários.
Até sexta-feira, 21, a mídia mantinha foco nesses dois escândalos, que vinham abalando o governo e pondo em risco a sua oscilante popularidade. Desde às 6 horas da manhã de sábado, 22, todavia, o foco virou para o ex-presidente Jair Bolsonaro, que confessou ter ele mesmo, em sua residência, onde cumpria prisão domiciliar – sob efeito de um surto de ansiedade provocado por medicamentos – tentado abrir a tornozeleira eletrônica instalada na sua perna esquerda por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF, fazendo tocar o sinal de alarme na PF, para cujo edifício sede, em Brasília, ele foi conduzido e acomodado em uma cela especial, onde cumpre agora prisão preventiva.
Na opinião dos dois empresários com os quais a coluna conversou ontem, “a nova prisão de Bolsonaro e suas implicações na vida da política nacional – interna e externa – atrairá, como já atraiu, toda a atenção da imprensa nacional e internacional, razão pela qual o escândalo do INSS, as fraudes do Banco Master e o pântano da política fiscal serão postos em segundo plano”.
Bolsonaro e o bolsonarismo inspiram uma larga pauta de assuntos, um dos quais diz respeito à próxima eleição presidencial de 2026. Quem será o seu candidato? Alguém de sobrenome Bolsonaro ou Tarcísio de Freitas, Romeu Zema, Ronaldo Caiado ou Ratinho Júnior? A nova cena da política brasileira já fez rachar a direita e a centro direita, ao mesmo tempo em que uniu a esquerda. A família Bolsonaro, sob o argumento de que Tarcísio e os outros “são candidatos do esquema”, parede disposta a não renunciar à candidatura presidencial. Mas quem da família? Os com possibilidade estão sob severa vigilância do STF.
No exterior, principalmente nos EUA, a prisão de Bolsonaro, que está prestes a iniciar o cumprimento da pena de 27 anos de prisão sentenciada pelo STF, com o voto contra do ministro Luiz Fux, repercute e continuará repercutindo, até porque tem a ver com a posição pessoal do presidente Donald Trump, amigo dos Bolsonaro.
As cenas dos próximos capítulos dessa já longa novela da política brasileira -- “podem anotar”, preveem os dois empresários -- terão forte e decisiva influência na eleição do próximo ano, “e essa influência terá a mídia como bússola”.
HÁ 40 ANOS, MARIA LUIZA TORNOU-SE PREFEITA DE FORTALEZA
Será apresentada na próxima sexta-feira, 28, às 19 horas, no Cine São Luiz, a edição única do filme “Prefeita”, que narra a surpreendente vitória da petista Maria Luiza Fontenele à Prefeitura de Fortaleza. Ela se tornou a primeira mulher a governar esta capital.
A votação ocorreu no dia 15 de novembro de 1985, mas o resultado oficial só saiu dois dias depois, uma vez que naquela época o voto era em cédula de papel, exigindo contagem manual.
Perdoe a falsa modesta deste colunista, mas fui eu o único jornalista no país a antecipar a vitória de Maria Luiza. Aconteceu o seguinte:
Na manhã do dia da eleição, 15 de novembro, feriado nacional, eu fui com minha mulher e filhos a uma das barracas da Praia do Futuro. Minha única filha, que tinha 9 anos de idade, teve a ideia de fazer uma pesquisa entre as dezenas de pessoas adultas que ali se reuniam em torno de cerveja e caranguejo, produtos baratíssimos naqueles anos 80 do século passado.
A criança fazia uma pergunta simples: “Em quem você vai votar para prefeito?” Meia hora depois, ela retornou com a folha de papel que indicava o seguinte resultado: Maria Luiza 70%; Paes de Andrade, 15%.
De posse desse contundente placar, eu – na época repórter do Jornal do Brasil em Fortaleza – procurei logo o caminho de casa, onde, pelo meu telex, transmiti a notícia, antecipando que a candidata do PT seria eleita prefeita de Fortaleza. O JB publicou no dia seguinte a informação em duas colunas com o título: “Em Fortaleza, Maria Luiza deve surpreender”.
E foi o que aconteceu para decepção total do candidato favorito, Antônio Paes de Andrade, do PMDB, que dias antes, a pedido de um jornal local, posara diante do prédio da PMF como se tivesse vencido o pleito, como indicavam todas as pesquisas. Ele teve 31,91% dos votos; ela, 34,26%; Lúcio Alcântara, o terceiro, 26,06%.
O filme “Prefeita”, dirigido por Felipe Barroso, está cheio de depoimentos, um dos quais de Gonzaga Mota, que era o governador do estado e apoiava o candidato derrotado.
FROSTY: DA GARAGEM DE CASA AO DISTRITO INDUSTRIAL
Esta coluna tem dito e repetido que o melhor do Ceará é o cearense, e é verdade. Eis mais uma prova: nascida em 1990 na garagem de uma residência no bairro da Aldeota, aqui em Fortaleza, a empresa Sorvetes Frosty tem hoje uma grande e moderna fábrica no Distrito Industrial de Maracanaú, 130 lojas nos estados do Rio Grande do Norte, Maranhão, Piauí, Pernambuco, Paraíba e Pará, e um portfólio com mais de 300 produtos.
E tem mais: dá emprego a mais de 1 mil pessoas, tendo diversificado: além de sorvestes, ela produz, também, picolé, polpa de fruta, açaí, paletas e gelo para drinks. Dispõe, ainda, de uma frota própria de caminhões refrigerados e opera o sistema SAP para otimização de processos.
Edgard Filipe Segantini, sócio e CEO da Frosty, disse à coluna que sua empresa aderiu, há algum tempo, ao e-commerce, fazendo vendas diretas ao consumidor pela internet, por meio do seu site.
Presente em sete estados brasileiros - Ceará, Rio Grande do Norte, Maranhão, Piauí, Pernambuco, Paraíba e Pará, a Sorvetes Frosty tem sido um importante catalisador para o crescimento econômico das localidades onde atua. Com mais de 130 lojas e um portfólio superior a 300 produtos, a empresa oferece sorvetes, picolés, açaí, polpas de frutas, paletas e gelos para drinks.
Sob a direção de Edgard Filipe Segantini, a empresa aposta em modelos de varejo e atacado, permitindo que os consumidores adquiram produtos com preços de atacado a partir de cinco unidades, reforçando sua proposta de acessibilidade e volume.
Edgard Filipe Segantini, sócio e CEO da Frosty, disse à coluna que sua empresa aderiu, há algum tempo, ao e-commerce, fazendo vendas diretas ao consumidor pela internet, por meio do seu site.
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