Quatro servidores da Receita vazaram dados de parentes de ministros do STF

Operação da Receita Federal descobriu a identidade dos funcionários, que já usam tornozeleira eletrônico.

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
(Atualizado às 16:32)
Legenda: Auditores da Receita Federal identificaram quatro dos seus servidores que vazaram dados fiscais de parentes de ministros do STF
Foto: Shutterstock
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Mais incríveis novidades estão escandalizando, ainda mais, perante a opinião pública, o dia a dia das instituições brasileira. E todas, direta ou indiretamente, têm a ver com o escândalo do Banco Master, liquidado pelo Banco no dia 18 de novembro pela prática de operações fraudulentas que lesaram 1,6 milhão de pessoas físicas e jurídicas em quase todo o país, deixando um rombo de R$ 50 bilhões somente no Fundo Garantidor de Crédito (FGC). 

A última dessas novidades tem data de hoje, terça-feira de carnaval, dia 17: a Receita Federal descobriu que foi quebrado, sem autorização oficial, o sigilo fiscal de parentes de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Nesta mesma data, a Polícia Federal executou quatro mandados de busca e apreensão em endereços de São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador.  

Os alvos dessa operação foram os servidores Luiz Antônio Martins Nunes, Lucian Pery Santos Nascimento, Ruth Machado dos Santos e Ricardo Mansano de Moraes. Todos já foram indiciados e estão, agora, usando tornozeleira eletrônica, tiveram seus passaportes apreendidos e não podem ausentar-se de suas cidades.  

A propósito dessa operação, a Receita Federal distribuiu a seguinte nota: 

“A Receita Federal do Brasil não tolera desvios, especialmente relacionados ao sigilo fiscal, pilar básico do sistema tributário.  

“Além dos procedimentos no âmbito do inquérito, noticiados hoje (17/2/2026), com base em informações prestadas pela própria Receita Federal do Brasil, há prévio procedimento investigatório em parceria com a autoridade policial, cujos resultados poderão ser divulgados oportunamente. 

“Em 12 de janeiro desde ano, o STF solicitou à Receita Federal auditoria em seus sistemas para identificar desvios no acesso a dados de ministros da Corte, parentes e outros nos últimos 3 anos. O trabalho foi incluído em procedimento que já havia sido aberto no dia anterior pela Corregedoria da Receita Federal com base em notícias veiculadas pela imprensa.  

“A auditoria, que envolve dezenas de sistemas e contribuintes, está em andamento, sendo que desvios já detectados foram preliminarmente informados ao relator no STF. 

“Os sistemas da Receita Federal são totalmente rastreáveis, de modo que qualquer desvio é detectável, auditável e punível, inclusive na esfera criminal. 

“Desde 2023, foram ampliados os controles de acessos a dados, com forte restrição aos perfis de acesso e ampliação de alertas. Foram concluídos 7 processos disciplinares no período, com 3 demissões e sanções nos demais. O mesmo rigor orienta e orientará todo o processo.” 

As buscas de apreensões de hoje foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, atendendo pedido da Procuradoria Geral da República (PGR).  

Na semana passada, o ministro Dias Toffoli surpreendeu ao dizer que recebeu R$ 20 milhões de um fundo de investimento administrado pelo Banco Master, referente à venda da parte de sua família no resort Tayaiá, onde Toffoli foi filmado recebendo personalidades do mundo financeiro.  

Foi revelado que a esposa e os filhos do ministro Alexandre de Moraes são donos de um escritório de advocacia que, por contrato, presta serviços ao Banco Master, recebendo para isso R$ 3,6 milhões por mês, durante 36 meses. A PGR disse que o contrato é legal. Com certeza é legal, mas é estranho, do ponto de vista moral e ético.  

Fontes parlamentares com gabinetes na Câmara dos Deputados e no Senado Federal disseram hoje a esta coluna que, pela gravidade do escândalo do Banco Master, pela sua extensão, envolvendo grandes e importantes autoridades dos três poderes da República, o caso poderá ter uma reviravolta nos próximos dias, da mesma maneira que teve a Operação Lava Jato, que foi anulada por filigranas jurídicas. 

Neste momento, porém, mesmo sendo último dia de carnaval, a terça-feira movimenta a grande mídia. Colunistas dos grandes jornais do país estão começando a desconfiar de que o escândalo do Banco Master, “o maior da história desta país”, como o disse o próprio ministro da Fazenda, Fernando Haddad, terminará em pizza.  

Mas há, no estamento da política e dos políticos, que aposta em que o caso do Banco Master poderá ter influência na campanha eleitoral deste ano.  

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