Projeto São Francisco: bombeamento suspenso preocupa o Ceará

O bombeamento das águas do S. Francisco para o ramal cearense do Canal Norte está suspenso desde setembro, e o Castanhão está quase seco. Leia mais: Adece, reformulada, financiará também micro, pequenos e vulneráveis

Legenda: Barragem de Jati, no interior do Ceará
Foto: Antonio Rodrigues

Preocupam-se os agricultores e pecuaristas do Ceará com a situação do açude Castanhão, que está com menos de 9% de sua capacidade de 6,5 bilhões de metros cúbicos de água. 

A preocupação faz sentido: desde setembro do ano passado, o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) mantém suspenso o bombeamento das águas do Projeto São Francisco de Integração de Bacias para o ramal cearense do seu Eixo Norte.

Assim, todos os 10 metros cúbicos por segundo bombeados desde a Estação Elevatória de Salgueiro (PE) para a barragem do Jati (CE) estão sendo desviados para a Paraíba e o Rio Grande do Norte. 

O Ceará precisa, nos próximos 90 dias, de 100 milhões de metros cúbicos para recarregar o Castanhão, garantindo o suprimento de água para a Região Metropolitana de Fortaleza.

A retomada do bombeamento depende de uma autorização do titular do MDR, Rogério Marinho, que há uma semana entrou em férias e não tem respondido a apelos de deputados federais cearenses, que pedem o reinício do bombeamento.

E a oportunidade é ótima para essa retomada, uma vez que o rio Salgado, por onde descem as águas do São Francisco em direção ao Castelão, está correndo em enchentes causadas pelas últimas chuvas no Sul do Ceará, onde estão os afluentes daquele que é um dos rios mais importantes daquela região.
 
O ministro Rogério Marinho tem-se mostrado simpático às reivindicações do governo e das lideranças empresariais do Ceará, mas a demora em solucionar o problema da suspensão do bombeamento é uma preocupação que tem crescido nos últimos dias.

Retomar esse bombeamento sem prejudicar paraibanos e potiguares é fácil: bastará ligar a segunda bomba da Estação Elevatória de Salgueiro, dobrando para 20 metros cúbicos por segundo o volume de água – 10 m³/s seriam dirigidos ao Castanhão e o restante seguiria o curso mantido desde setembro – ou seja, iria para o ramal do Canal Norte que leva água do São Francisco para os dois estados vizinhos.

REFORMULADA, ADECE FINANCIA MICRO E PEQUENO PRODUTOR 

Mudou a pirâmide das prioridades da política de desenvolvimento do Governo do Estado. 

A Adece – a Agência de Desenvolvimento Econômico do Ceará – transformada em organismo de fomento, passou, entre outras coisas, a ter o comando da gestão do novíssimo Fundo de Microcrédito, cujos recursos são destinados aos mais vulneráveis, às Microempresas Individuais (MEIs) e a qualquer pessoa física com vocação empreendedora que precisar de crédito para, por exemplo, adquirir uma máquina de costura ou um carrinho para a venda de sorvete.
 
Para iniciar suas atividades, o Fundo de Microcrédito gerido pela Adece já tem no seu caixa R$ 110 milhões, cuja origem é a seguinte: 2% dos encargos do FDI (Fundo de Desenvolvimento Industrial) e R$ 100 milhões do Fundo de Combate à Pobreza, o Fecop.
 
Mas há outra boa novidade, segundo revela à coluna o secretário do Desenvolvimento Econômico e Trabalho (Sedet), Francisco Maia Júnior. Trata-se do Fedaf, outro fundo constituído com recursos da Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA) e do Banco Mundial e destinado – e aqui está a novidade – “a financiar negócios não rurais em áreas rurais”.

“O Fedaf não financiará agricultores, mas ajudará a quem quiser montar negócios na zona rural, que não sejam, porém, atividades rurais. Por exemplo: dona Sebastiana, residente na área rural e vocacionada para a confecção de roupas, terá, se o solicitar, financiamento para a compra de máquina de costura e de tecidos para iniciar seu micro empreendimento”, explicou o secretário Maia Júnior, que disse que isto também vale para todas as vocações empreendedoras.
 
Para o segmento das médias e grandes empresas, que estão, respectivamente, no meio e no topo de sua nova pirâmide, a Adece dispõe de R$ 60 milhões destinados à construção de galpões industriais. 

Maia Júnior revela que a Santana Textiles, do empresário Raimundo Delfino, e a empresa calçadista Dilly serão as primeiras a receber esses galpões. Como contrapartida, elas farão os investimentos para a compra de máquinas e equipamentos para o processo industrial de cada uma (a Santana instalará uma usina de descaroçamento de algodão na Chapada do Apodi) e a Dilly ampliará suas unidades no interior do Estado. Ambas se comprometem, porém, a aumentar seu quadro de pessoal.

Além disso, as médias e grandes empresas dispõem também do FDI, que também foi reformulado, oferecendo agora – além dos regimes tributários especiais – terrenos e benfeitorias.

Maia Júnior afirma que a nova estrutura da Adece com seus novos fundos de financiamento só foi possível porque o Governo do Estado dotou a Secretaria de Desenvolvimento Econômico de “um time totalmente profissional que está focado na transparência, na segurança jurídica, no capital humano e nos clusters” (grupos de empresas de um mesmo setor de atividades que competem, mas se ajudam), afirma ele.

“O Ceara precisa crescer muito mais, e, ao mesmo empo, reduzir suas desigualdades e sua pobreza com sustentabilidade ambiental”, finaliza o secretário.