Projeto quer fazer de Fortaleza a capital mundial do oxigênio

Objetivo da proposta do empresário Américo Picanço é plantar 2 milhões de árvores na RMF

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
(Atualizado às 07:43)
Legenda: Foto do Parque do Cocó, o pulmão da cidade de Fortaleza, que precisa, porém, de mais áreas verdes
Foto: Fernando Travessoni
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Será possível plantar dois milhões de árvores em Fortaleza e nas sedes e zonas rurais de municípios de sua Região Metropolitana? O empresário cearense Américo Picanço diz que sim, e já elaborou – em parceria com o Instituto de Pesquisas e Ações Sociais (IPAS), organismo com sede em Teresina dedicado ao meio ambiente – um projeto que, além dessa meta, tem outra: transformar Fortaleza na Capital Mundial do Oxigênio. A ideia do projeto de Picanço é arborizar os espaços públicos, que carecem de árvores.

Entre esses espaços, de acordo com Américo Picanço, está com destaque o canteiro central de todas as avenidas e rodovias da RMF, e ele já escolheu as espécies arbóreas que serão cultivadas nele: o ipê branco e amarelo, a escumilha africana rosa e o flamboyant vermelho.

O que pretende Picanço parece muito difícil de ser realizado. O empresário Pio Rodrigues – reconhecidamente um militante da defesa e preservação do meio ambiente e da natureza – plantou, durante mais de um ano, 40 mil mudas de árvores no Parque do Cocó, para o que contou com a ajuda da chuva e de uma multidão de amigos.

O Cocó ficou mais bonito e mais verde, graças a uma iniciativa que quase não contou com ajuda dos poderes públicos, a não ser a cessão do espaço para o plantio e cultivo das mudas, que hoje já alcançaram a idade juvenil e agora entram na idade adulta. Pense agora no plantio de dois milhões de árvores – um trabalho para vários Hércules!

Américo Picanço deseja tirar proveito da COP 30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas que se realizará no próximo mês de novembro na cidade de Belém, capital do Estado do Pará, que está transformada em um gigantesco canteiro de obras de abertura de novas avenidas, de melhoria da mobilidade urbana e da implantação de uma estrutura hoteleira capaz de receber milhares de pessoas procedentes de países dos cinco continentes.

“Como todos estamos voltados para a COP 30 e há, no Brasil, um crescente sentimento de que é preciso, com urgência, salvar o planeta ameaçado pelo aquecimento global, este é o momento para, aqui no Ceará, darmos um passo na direção correta de ajudar nesse esforço mundial pela melhoria da vida humana”, diz Picanço que, nas décadas de 60, 70 e 80 do século passado, era chamado de “o rei da noite”, pois empreendia na abertura e operação de bares e boates.

Hoje, sua cabeça empresarial mudou e está adequada às novas exigências dos consumidores, que pedem melhor qualidade de vida, premissa que deve orientar todos os investimentos. E como ele pretende viabilizar sua proposta? Resposta: com o apoio do governo do estado e das prefeituras dos municípios da RMF. É outro severo desafio, que poderá ser vencido, se Picanço e o seu parceiro IPAS conseguirem chegar às empresas multinacionais e aos fundos internacionais que já estão financiando projetos de recuperação de áreas degradadas em países da África e da América Latina, incluindo o Brasil.

Esses financiamentos são concedidos a projetos viáveis, muito bem elaborados do ponto de vista técnico e ambiental. O IPAS, dirigido pelo piauiense Jorge Machado – outro apaixonado pelo meio ambiente, que ajudou Américo Picanço a elaborar a proposta em tela – tem expertise na área.

Esta coluna teve acesso ao projeto básico dessa parceria. Ele é ousado, mas precisa de, obrigatoriamente, fazer-se interessante para os grandes financiadores de empreendimentos com esses objetivos, que, vale repetir, já vêm sendo implantados em várias regiões do mundo, inclusive no Brasil, com participação do BNDES, que tem um fundo específico, o Banco do Brasil e o Fundo Climático Estratégico. O fundo do BNDES está voltado para o financiamento de projetos de restauração de áreas degradadas no chamado Arco do Desmatamento, entre o Araguaia e o Tocantins, onde o governo quer erguer o Arco da Restauração.

Ao pretender fazer de Fortaleza a Capital do Oxigênio, Américo Picanço antevê o canteiro central das Avenidas Carlos Jereissati, Raul Barbosa e Desembargador Moreira enfeitado de ipê branco, flamboyant vermelho e escumilha africana rosa. Sonhar faz bem, e sonhar com parceiros é melhor ainda.

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