População do Brasil envelhece e põe economia em risco

Casais maduros e jovens estão preferindo, em vez de filhos, criar cães e gatos.

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
Legenda: No Brasil, cresce a população de idosos, ao mesmo tempo em que casais preferem criar animais de estimação do que ter filhos
Foto: José Leomar / SVM
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 Na palestra que pronunciou na 3ª feira, 16, no Seminário Gestores Públicos - Prefeitos 2026, o cientista social, economista, diplomata e empresário Marcos Troyjo abordou a questão do envelhecimento da população mundial, que, nos países mais desenvolvidos e nos em vias de desenvolvimento, registra uma maior perspectiva de vida influenciada por vários motivos, alguns dos quais estão ligados à melhor alimentação (nos países africanos, isso acontece muito lentamente).  

Troyjo lembrou que, em 1867, quando Karl Marx escreveu seu famoso livro “O Capital”, a população da Inglaterra, que na época era o país mais rico do mundo, tinha expectativa de vida de apenas 38 anos.  

“Hoje, na mesma Inglaterra, essa expectativa é de 90 anos”, disse ele, com o cuidado de alargar esse número para os países do resto da Europa.  

Aqui, a expectativa de vida do brasileiro (é a coluna que assume esta informação) aproxima-se dos 80 anos, mas recentes estatísticas apontaram para um detalhe da nossa demografia: a população do país está a crescer, agora, bem menos do que crescia há 20 anos.  

Sobre isto, este colunista tem observado – com base no que vê e no que ouve de casais jovens, maduros e idosos – que as residências de hoje têm mais cães e gatos do que crianças. Por uma razão ainda não explicada, marido e mulher contemporâneos estão a optar pela companhia dos animais de estimação (os pets), algo que talvez nem Freud explique. 

Bem, é provável que a razão seja de ordem financeira: um filho para um casal de classe média significa uma escola privada – com sua mensalidade que aumenta até 10% a cada ano, afora as despesas com material escolar – e um plano de saúde que também tem pesada e anualizada correção. Mas a criação de caninos e felinos é uma opção cara: a consulta de um veterinário custa, no mínimo, R$ 500, mas pode chegar a R$ 800; um banho e tosa de cães e gatos em uma clínica especializada custa de R$ 40 a R$ 220, dependendo da grife da “pet shop”.  

(Nesta semana, este colunista acompanhou o drama de uma mulher de pouco mais de 30 anos, que, solteira, chorava havia três dias pela morte de seu cãozinho de estimação; era um choro como o de alguém que perdera a mãe, o pai ou o filho. Coisas da modernidade.) 

Retomemos o fio desta meada: a população brasileira envelhece mais rapidamente do que imaginavam os estatísticos. Resultado: a População Economicamente Ativa, a PEA, passa, também, a reduzir-se, criando problema para o já exageradamente deficitário orçamento da Previdência Social.  

De acordo com a opinião de Marcos Troyjo, o Brasil está vendo nascer e crescer a “economia prateada”, aquela dos acima de 50 anos de idade, “um mercado mundial exclusivamente voltado para produtos, serviços e soluções cujo consumidor final é o pessoal dessa faixa etária”. 

Esqueçamos os outros países e foquemos no Brasil: diante do que acima foi dito e observando a baixa produtividade do trabalhador brasileiro e na iminência da aprovação de uma PEC que acabará com a jornada 6x1 (seis dias de trabalho por um descanso), sem se falar na falta de mão de obra na indústria e no agro e no magnânimo conjunto de políticas sociais do governo, que incentiva o ócio remunerado, a pergunta que surge é a seguinte: em 2027, haverá dinheiro para equilibrar o orçamento do INSS, cujo déficit alcançou os R$ 400 bilhões anuais?  

Para superar esse gargalo, que é tão ou mais grave do que o da dívida pública com o alto custo de seus juros, os economistas apontam saídas, entre as quais o combate à informalidade do trabalho (algo dificílimo), a revisão das isenções tributárias, a readequação das idades mínimas e do tempo de contribuição, a contenção das despesas obrigatórias como alívio para o Orçamento Geral da União, a implementação da Reforma Tributária e um programa de fomento ao emprego qualificado. 

No mercado, tem-se a certeza de que, no dificílimo exercício financeiro de 2027, se reeleito for, o presidente Lula e seu governo não terão outra saída, a não ser encarar de frente e corajosamente o desafio de fazer uma revisão da política fiscal, e esta inclui, para reduzir a dívida e seus juros, a privatização de estatais ineficientes e dispensáveis, como os Correios, e a extinção de outros organismos vítimas do nanismo, como o Dnocs.