Agro elabora plano para o futuro governo do Ceará
Documento será entregue em agosto aos candidatos a governador do estado, sugerindo as diretrizes e prioridades para a agropecuária cearense
Exatamente uma semana antes da abertura da PecBrasil, novo nome da Pecnordeste, o universo da agropecuária cearense, liderado pela Federação da Agricultura e Pecuária (Faec) e apoiada pelos grandes, médios e pequenos empresários do setor, está a elaborar um Plano Estratégico de Desenvolvimento do Agro do Ceará para o quadriênio 2027-2030. Esse documento, quando concluído, será encaminhado no próximo mês de agosto à consideração dos candidatos ao Governo do Estado.
O Centro de Inteligência do Agro (Ciagro) da Faec, que é cópia fiel do Observatório da Indústria da Fiec, está auxiliando na elaboração do planejamento, que focará em alguns setores considerados prioritários, entre os quais o da irrigação, que tem potencial para multiplicar por cinco a produção e a produtividade atuais da agricultura, abrindo espaço para que se alcance a meta de US$ 1 bilhão em exportações dentro dos próximos cinco anos – o sonho e a meta do presidente da Faec, Amílcar Silveira, na opinião de quem “isso será possível pela substituição de culturas inexpressivas, do ponto de vista econômico, por outras de maior valor agregado”.
Na última segunda-feira, 32 empresários do agro reuniram-se, como o fazem semanalmente há 19 anos, e, sob a coordenação de Tom Prado, CEO da Itaueira Agropecuária, trocaram opiniões e sugestões em torno desse plano estratégico, que será de muita valia para todos os candidatos ao Palácio da Abolição”, alguns dos quais – esta é a constatação da coluna – nada conhecem sobre a economia primária estadual, muito menos sobre seus avanços na tecnologia e na inovação ocorridos ao longo dos últimos 20 anos.
Presente à reunião como convidado do grupo, o deputado Felipe Mota, com estreita ligação com a liderança do setor, apontou o que chamou de “pontos críticos” do agro cearense, começando pela escassez de água e o gerenciamento dos recursos hídricos.
De acordo com o parlamentar, há sucateamento na infraestrutura dos perímetros irrigados, que se encontram em estado de deterioração, citando, também, problemas operacionais, um dos quais está ligado aos constantes adiamentos da substituição de comportas do Perímetro de Morada Nova, o que compromete a regularidade do abastecimento dos lotes.
O Plano Estratégico do Agro, em elaboração, contemplará ações que já se desenvolvem em polos que crescem, como o da fruticultura, da sojicultura e da cotonicultura na Chapada do Apodi; o da horticultura e o da floricultura que prosperam na Chapada da Ibiapaba, onde o cultivo protegido (sob estufas) avança em alta velocidade; o da pecuária de corte (bovina e ovina), cujo horizonte é mais do que promissor com a próxima instalação do frigorífico do Grupo Masterboi em Iguatu; e o polo de grãos e fibras que nasce e progride em ritmo de frevo na Chapada do Araripe; enfim, o plano conterá não só as prioridades, mas as diretrizes que poderão dar um Norte ao futuro governo estadual para a sua agropecuária.
“Será a nossa contribuição para a futura administração”, como disseram os empresários Jorge Parente, Cristiano Maia, Fernando Franco, Raimundo Delfino, Gentil Linhares, João Teixeira, Anete Castro e Rita Grangeiro, que opinam na reunião sobre o Plano Estratégico para o Agro 2027-2030.
Resumindo: a comunidade empresarial do agro cearense entende que a Agricultura Familiar tem, como sempre teve, importância muito grande para o crescimento da agricultura e da pecuária leiteira do estado, mas reivindica do próximo governo uma atenção, também relevante, para a agricultura tecnificada, que emprega formalmente milhares de pessoas e produz e exporta, gerando divisas para o Ceará.
O que esse setor pede é um olhar mais atencioso para a irrigação, o que quer dizer a transferência para a gestão da Faec dos perímetros irrigados hoje sob a administração do Dnocs, que permanece na UTI do esquecimento, respirando por aparelhos.
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