Pecém terá em agosto obras de R$ 6 bi da termelétrica da Eneva

Lino Cançado, presidente da empresa, anuncia: a indústria cearense terá prioridade para fornecer produtos e serviços

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
(Atualizado às 10:58)
Legenda: O complexo industrial e portuário da Eneva no Pecém terá, além da termelétrica, o Píer Zero para a sua usina flutuante
Foto: Divulgação
Um oferecimento de:

Um time de técnicos da Eneva, liderado pelo seu presidente Lino Cançado, passou a tarde de ontem em visita ao Porto do Pecém, inspecionando os trabalhos de instalação dos canteiros de obras do que será, ali, o seu futuro complexo industrial que inclui um píer exclusivo para a operação de uma grande usina flutuante de regaseificação e uma termelétrica a gás natural que gerará 1.200 MW (ou 1,2 GW) a partir de 2029. O empreendimento será feito em parceria com a Diamante Energia. 

“Gostei do que vi”, disse Lino Cançado, falando com exclusividade a esta coluna. Ele confirmou que o investimento de sua empresa nesse empreendimento terá o tamanho de um Evereste de R$ 6 bilhões nos próximos dois anos. Lino transmitiu outras boas notícias: 

“Em agosto, faremos na Federação das Indústrias do Ceará (Fiec) o ato de apresentação oficial do nosso projeto. Já acertamos com o seu presidente Ricardo Cavalcante um acordo por meio do qual terá a indústria cearense prioridade na contratação dos produtos e serviços a serem utilizados durante a obra de construção de nossa termelétrica e, também, ao longo de sua operação, que começará dentro de dois anos”, anunciou o presidente da Eneva. 

(A propósito: a Omnia, responsável pela construção do Data Center da chinesa ByteDance, dona do TikTok, 90% dos produtos e serviços utilizados na obra estão sendo fornecidos por empresas industriais cearenses.) 

Exibindo um contagiante entusiasmo, Lino Cançado referiu-se, também, à instalação do canteiro de obras da Marquise Infraestrutura, empresa do cearense Grupo Marquise, que executará os trabalhos de construção do chamado Píer Zero do Porto do Pecém, no qual atracará sua usina flutuante de regaseificação. Só nessa obra serão investidos cerca de R$ 600 milhões. Ele disse que as providências da Marquise estão bem adiantadas, já tendo iniciado a batimetria para a cravação das estacadas que penetrarão até cinco metros na rocha no fundo do oceano. 

Foi a Marquise Infraestrutura, dirigida pelo engenheiro Renan Carvalho, que construiu a segunda ponte de acesso ao Porto do Pecém (um terminal offshore, dentro do mar) e, ainda, a expansão do Terminal de Múltiplo Uso (Tmut), que será de novo ampliado em mais 350 metros para receber um berço de atracação de navios que transportam graneis sólidos, algo que tem tudo a ver com a próxima chegada dos trens da Ferrovia Transnordestina, 85% de cujas obras de construção são executadas, também, pela Marquise Infraestrutura. 

A termelétrica da Eneva no Pecém será construída pela multinacional espanhola Sener, com sede em Madri, mas atuação global nas áreas de engenharia e tecnologia. Fundada em 1956, ela tem forte atuação no Brasil em infraestrutura e instalações complexas.  

Lino Cançado informou que a Sener está, também, instalando seu canteiro de obras no Pecém, que se localiza 10 km além do porto. Ele acrescentou que, no próximo mês de agosto, em data a ser ainda anunciada, os trabalhos de construção da termelétrica serão oficialmente iniciados. Antes, haverá um ato de apresentação do projeto no auditório da Casa da Indústria, sede da Fiec, em Fortaleza.  

A termelétrica da Eneva – disse Lino Cançado – será uma usina que operará na ponta tecnológica, com o que há de mais moderno no mundo. Em dois anos, quando estiver operando, ela acrescentará mais 1,2 GW aos 5,5 GW que o Ceará já produz hoje em energia elétrica das várias fontes de geração – solar, eólica, biomassa, gás natural e carvão mineral.  

Ao longo da construção da termelétrica, serão criados até 3 mil empregos diretos. Na fase de operação, porém, tendo em vista a alta tecnologia embarcada, o quadro de colaboradores será de, aproximadamente, 100 pessoas, a maioria técnicos. 

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