Jaguaretama terá primeira Biofábrica de coco em pó do país

Empreendimento do Instituto Ecoco do Brasil também produzirá leite de cabra em pó

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
(Atualizado às 04:42, em 15 de Julho de 2026)
Legenda: A Biofábrica (foto) é parceira da Uece no projeto de produção do ACP Lacte, que é empreendimento tecnologicamente inovador
Foto: Divulgação
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Jaguaretama, um município do Vale do Jaguaribe, no Leste do Ceará, será sede de um dos mais importantes projetos sustentáveis de inovação tecnológica do país. Lá, sob a liderança do Instituto Ecoco do Brasil, presidido pelo matemático cearense Bezerra de Menezes, está sendo implantada a primeira biofábrica destinada à produção de água de coco em pó e de leite de cabra em pó, dos quais se produzirão compostos lácteos funcionais. 

O empreendimento representa um marco para a ciência brasileira e posiciona o Ceará como referência nacional em bioeconomia, agregação de valor à cadeia produtiva do coco e da caprinocultura e, ainda, inovação voltada à segurança alimentar. 

A unidade industrial terá capacidade para processar, diariamente, até 5 mil litros de matéria-prima, produzindo o ACP Lacte, um composto desenvolvido a partir da água de coco e do leite de cabra, reunindo elevado valor nutricional e grande potencial de aplicação em programas públicos e privados de alimentação.

Como a oferta de leite de cabra na região é limitada, a fábrica processará, diariamente, 800 litros de leite de cabra, aos quais serão adicionados 1.200 litros de água de coco, perfazendo o total de 2 mil litros. Dessa mistura, que entrará no sprayday em forma líquida, sairão 400 quilos de ACP Lacte - um alimento completo, especialmente para a nutrição de crianças. 

Cada porção de apenas 50 gramas desse bioproduto fornece 115 calorias.

Jaguaretama foi escolhido para sediar a Biofábrica por reunir vocação para a caprinocultura, disponibilidade de matéria-prima e forte potencial de integração da agricultura familiar, estimulando a geração de emprego e renda, inclusão produtiva e desenvolvimento regional. 

O projeto foi concebido para contribuir com o esforço público e privado de enfrentamento da vulnerabilidade nutricional e da fome proteica, especialmente entre crianças, idosos e pacientes hospitalizados. As perspectivas de utilização incluem alimentação hospitalar, protocolos de jejum pré-operatório, merenda escolar, suplementação nutricional e reposição hidroeletrolítica para atletas. 

A tecnologia da água de coco em pó foi desenvolvida por pesquisadores cearenses liderados pelos professores-doutores e cientistas José Ferreira Nunes e Cristiane Melo, da Universidade Estadual do Ceará (Uece), tornando-se uma inovação, ao possibilitar a transformação da água de coco em pó preservando, todavia, suas propriedades nutricionais. 

Para o presidente do Instituto Ecoco do Brasil, a Biofábrica representa um novo modelo de desenvolvimento para o semiárido nordestino. 

“A implantação dessa Biofábrica demonstra que é possível transformar conhecimento científico em desenvolvimento econômico, inclusão social e dignidade. Jaguaretama passa a fazer parte da história da inovação brasileira, tornando-se referência para projetos que unem ciência, sustentabilidade e geração de oportunidades para a população”, como disse o professor José Nunes. 

Além do impacto econômico, o projeto fortalece a aproximação da pesquisa científica com o setor produtivo, universidades, produtores rurais e instituições públicas, criando um ambiente favorável à inovação e ao desenvolvimento sustentável. 

Com esse projeto pioneiro, o Instituto Ecoco do Brasil reafirma sua missão de promover soluções inovadoras para o desenvolvimento social, ambiental e econômico, consolidando Jaguaretama como um novo polo nacional da bioeconomia.

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