PecBrasil: todos os auditórios lotados de produtores rurais

Num deles, dedicado a palestras técnicas sobre a carcinicultura, Cristiano Maia falou sobre o presente e o futuro da criação de camarão no Ceará

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
Legenda: Cristiano Maia fala na PecBrasil para mais de 200 produtores de camarão do Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte
Foto: Egídio Serpa
Um oferecimento de:

Na PecBrasil 2026, que desde ontem se realiza no Centro de Eventos do Ceará, chama atenção a total lotação dos vários auditórios nos quais são proferidas as palestras e ministrados os cursos técnicos, ouvidos com atenção por quem produz no campo. Por que tanto interesse? – foi a pergunta que a coluna fez a Sérgio Oliveira, superintendente da representação cearense do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), organismo integrante do Sistema Faec. Ele respondeu:  

“Trata-se da boa consequência do avanço dos diferentes ramos do setor agropastoril, que cresceu, também, na transmissão e na absorção do conhecimento, o que envolve o ensino da tecnologia e a prática da inovação. Ao longo do ano passado, o Senar-Ceará qualificou, com seus cursos itinerantes, mais de 10 mil produtores rurais em todo o estado”. 

Sérgio Oliveira sabe do que fala, pois é ele quem comanda o esforço que a Federação da Agricultura e Pecuária (Faec) – promotora, com o Sebrae-Ceará, da PecBrasil – desenvolve para adequar o agro cearense às exigências do mercado: produtos de alta qualidade, produzidos por mão de obra idem.  

Este colunista percorreu os auditórios da PecBrasil e surpreendeu-se com o número de produtores rurais neles presentes – pessoas simples, como o são, aliás, os que labutam na zona rural, cultivando e colhendo vitaminas, proteínas e fibras vegetais que alimentam, embelezam, vestem e tornam saborosa a vida do consumidor final, ou seja, de todos nós.  

Exemplo do que acima foi dito aconteceu entre as 9 e as 10 horas de ontem, no Auditório 8 localizado no mezzanino do Pavilhão Oeste do Centro de Eventos. Cerca de 300 criadores de camarão do Ceará, do Rio Grande do Norte e do Piauí ouviram com muito silêncio e atenção o que lhes disse o empresário cearense Cristiano Maia, maior carcinicultor do país e dono da Samaria Camarões, que lhes falou sobre as potencialidades do setor aqui e nos estados vizinhos. O palestrante não frustrou a atenta plateia, que o aplaudiu.  

Maia começou dizendo que o camarão é hoje uma das proteínas mais valorizadas do mundo, e tanto é verdade que o seu consumo na Europa, nos Estados Unidos e, principalmente, no Brasil, cresce a cada ano. E acrescentou que o mercado interno brasileiro tem, atualmente, preço melhor do que o oferecido pelos mercados norte-americano e europeu.  

“Minha empresa já chegou a exportar toda a sua produção para os Estados Unidos da América, mas hoje está totalmente dedicada ao mercado brasileiro. Mas para isso fizemos um trabalho muito interessante, que deu e segue dando excelentes resultados. Nós visitamos algumas cidades estratégicas do Sudeste, entre as quais a paulista Ribeirão Preto e a mineira Juiz de Fora. Lá conversamos com os proprietários e com os chefes de cozinha dos seus principais restaurantes, mostrando a eles a qualidade do nosso produto e o seu alto valor nutritivo. Deu resultado. O consumo de camarão nos restaurantes dessas cidades mais do que dobrou. Resumindo: hoje, fornecemos camarão para as grandes redes de restaurante do país”, disse Cristiano Maia com o entusiasmo e o jeito de sempre. 

Em seguida, ele contou que está “muito otimista” com a chance de voltar a exportar para os países da Europa como resultado do acordo celebrado pelo Mercosul com a União Europeia. E revelou que se mantém permanentemente em contato com o Ministério da Agricultura, que, juntamente com o Ministério de Relações Exteriores, conduz os entendimentos.  

A propósito de Cristiano Maia: esta coluna obteve a informação de que ele está, neste momento, investindo pesado na aquisição de bois de corte de alta linhagem. Seu objetivo é ter até 2008 – quando o Grupo Masteboi tiver construído e em operação seu grande e moderno frigorífico de Iguatu, no Centro Sul do Ceará – um rebanho de 30 mil a 40 mil animais, preferencialmente da raça Nelore. 

Outra informação sobre Cristiano Maia: ele comprou, há poucos dias, mais uma grande fazenda camaroneira no Rio Grande do Norte, na qual investe para dobrar a atual produção de sua Samaria Camarões, a maior do país. No Rio Grande do Norte, está, também, a Potiporã, que ele adquiriu em 2018 do Grupo Queiroz Galvão. Aqui no Ceará, ele produz camarão em Beberibe e em Paraipaba.

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