PecBrasil: Prado lança livro de sua vida e emociona dois auditórios
Ontem, no Centro de Eventos, cerca de 1 mil pessoas ouviram do empresário Carlos Prado a lição de como usar a derrota para renascer
Tudo aconteceu diferentemente do programado. Primeiro, pecou quem imaginou a presença de apenas 200 pessoas, e por isto mesmo foram alinhadas 200 cadeiras; meia hora antes do início do evento, alguém inteligente chegou para o organizador e advertiu: multiplique por quatro os assentos, porque este auditório será pequeno para o público que virá. As 800 cadeiras foram insuficientes, porque quase 1 mil pessoas compareceram para testemunhar o lançamento do mais aguardado livro desta temporada, o que conta a história de vida de Carlos Prado, fundador da Cemag e da Itaueira Agropecuária, um acontecimento marcado pelas lágrimas da emoção e pelo silêncio, quebrado apenas pelos aplausos. Cenas dignas do biografado.
Esse frenesi registrou-se nos auditórios 3 e 4 do mezanino do Pavilhão Oeste do Centro de Eventos, onde desde segunda-feira, 25, até este sábado, 27, acontece a gigantesca PecBrasil, maior feira e exposição indoor do agro brasileiro, e teve um mestre de cerimônia à altura de sua importância, o jornalista Mauro Costa, amigo da multidão presente. Ele iniciou o crimonial, chamando o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária (Faec), Amílcar Silveira, que revelou o seguinte:
“Um ano atrás, procurei o Ricardo Cavalcante (presidente da Fiec) e disse a ele que a Faec queria publicar um livro com a história da vida de Carlos Prado. Aí ele me contou que a Fiec já estava fazendo isso. Então, eu propus: pois vamos fazer juntos o lançamento desse livro na PecBrasil, e eu prometo que vai ficar gente em pé. Ricardo concordou, e eu cumpri minha promessa: vejam aí, há umas 200 pessoas em pé.”
O presidente da Faec destacou, em seguida, as virtudes de Carlos Prado, começando pelo seu poder de agregação:
“Aqui estão toda a diretoria da Fiec e seus ex-presidentes (Jorge Parente, Fernando Cirino e Beto Studart) e mais as mil pessoas que lotam este auditório. Carlos Prado, embora nascido em São Paulo, é um cearense, pois foi o Ceará que ele escolheu para viver e trabalhar com sua família. Que Nossa Senhora Imaculada Rainha do Sertão de Quixadá, a mais importante e poderosa de todas as Nossas Senhoras, continue iluminando sua vida, Dr. Carlos”, concluiu Amílcar Silveira.
O presidente da Fiec foi chamado em seguida. Ricardo Cavalcante confirmou o que dissera seu colega da Faec a respeito da publicação do livro e do local de seu lançamento. E falou de Carlos Prado, que é, na sua opinião, “aquele amigo que a gente quer ter sempre por perto”. Disse que “é um privilégio trabalhar com ele; é um homem rigoroso, mas com um enorme e bondoso coração”.
Depois, como se estivesse lendo um texto em um teleprompter, o autor do livro, escritor Francílio Dourado, socorreu-se de Fernando Pessoa, para quem “navegar é preciso, viver não é preciso”. E destrinchou o mistério do verso famoso do poeta português:
“Viver é como navegar, exige precisão, uma carta náutica. Viver, não. Viver exige coragem, a coragem que teve Carlos Prado para enfrentar e vencer os maiores desafios com os quais ele e sua família se defrontaram”, acrescentou Dourado, que passou mais de um ano ouvindo e conversando com seu biografado.
“Carlos Prado, saiba que ninguém aqui, nenhum dos seus amigos sabe de você como eu sei”, disse o autor, que lembrou detalhes de sua relação com o seu personagem. O livro está escrito na primeira pessoa – é o protagonista que narra as histórias, escritas, reescritas, examinadas e reexaminadas para que nenhuma palavra fosse além ou aquém do necessário.
Francílio Dourado recordou que os dois assumiram um pacto: ninguém, nem sua mulher nem seus filhos, poderia tomar conhecimento do conteúdo do livro antes do seu lançamento. Dito e feito, como adiante será contado.
Mauro Costa chamou ao microfone o empresário Fernando Cirino, ex-presidente da Fiec, que foi telegráfico:
“Este lançamento deveria ter sido no Castelão”, disse ele, arrancando sorrisos e emendando:
“Para mim, Carlos Prado é o retrato da gratidão.”
Beto Studart falou em seguida e disse que “o que Carlos Prado sofreu eu sofri”. Apoiando-se na metáfora e de olho fixo no imenso auditório, Studart afirmou que “a vida do empresário é como um serrote: um dia em cima, outro dia embaixo”.
Voltando-se para Carlos Prado, acentuou:
“Carlos é um fazedor de soluções. E isto é verdade, pois você conseguiu dar ao seu melão Rei o sabor que só ele tem. Você me ensinou a aprender e a fazer. Todos nós aqui presentes somos seus seguidores”, concluiu Beto Studart.
Mauro Costa, com a voz embarga, chamou Carlos Prado para lançar o livro que conta a história de sua vida empresarial e familiar. Foi quando começaram as emoções que levaram às lágrimas metade da plateia.
Prado referiu-se aos que falaram antes dele; depois recordou alguns fatos de sua aventura empresarial. E sob um silêncio tumular contou, com outras palavras:
“Um dia, à noite, reuni minha mulher Rosarita e nossos filhos e lhes disse: nós estamos quebrados, totalmente quebrados. Não temos dinheiro. Meus filhos, assustados, perguntaram-me em que eles poderiam ajudar para a superação de tamanho desafio. Aí eu senti, no seu total esplendor, a importância, o valor que representa a família. Tive, naquele momento, a solidariedade de minha família, e isto foi como uma injeção de ânimo na veia da esperança. Com muito sacrifício, nos reerguemos com a ajuda dos amigos e aqui estamos.”
Carlos Prado agudizou a emoção do silencioso auditório, ao revelar como se deu o processo de sua sucessão. Com outras palavras ele narrou:
“Há poucos anos, reuni novamente a família. Minha mulher e nossos seis filhos, são três homens (Caito, José Luiz e Tom) e três mulheres (Adriana, Lenita e Marilena). E anunciei que dividiria o nosso patrimônio em partes iguais, mas reservando um percentual um pouco maior para o Tom, que sempre esteve por perto, acompanhando o meu esforço e por isto mesmo apto a assumir a direção dos negócios. Tom recusou a proposta e disse que era igual em tudo aos seus irmãos. Em menos de um minuto, o Tom foi eleito por unanimidade CEO da Itaueira. Foi a mais rápida decisão de um Conselho Empresarial de que tenho notícia.”
Com olhos lacrimejantes, Carlos Prado fixou-os no auditório e disse:
“Vejo aqui muitos jovens empresários. Quero lhes dizer uma coisa: não tenham medo das derrotas, pois elas servem para redefinir os planos. Dito isto, vou abrir a caixa onde está o livro. Os primeiros exemplares vou entregar aqui e agora. O primeiro vai para o amor da minha vida.”
Descendo do praticável com o livro na mão, Carlos Prado dirigiu-se à sua mulher, D. Rosarita, de quem recebeu um beijo, sob fortes e demorados aplausos.
Ricardo Cavalcante, Amílcar Silveira, Beto Studart e Waldyr Promicia (presidente da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas, fundada por Carlos Prado, que foi seu primeiro presieente) subiram ao praticável e receberam seus livros.
O derradeiro momento de forte emoção foi quando Carlos Prado chamou seu filho Tom para, também, receber o seu livro. O auditório ficou de pé e aplaudiu com toda força o abraço de pai e filho. Este colunista e dezenas de homens e mulheres presentes ao evento não contiveram as lágrimas. Momentos assim são raros de acontecer no mundo de hoje. Mas, felizmente, ainda acontecem.
Veja também