PecBrasil: o Cooperativismo tenta crescer no Ceará
Jovens da Geração C invadem o Centro de Eventos para aprender o que as faculdades não ensinam
Acreditem, que é vero! Cerca de 500 jovens da chamada Geração C juntaram-se ontem, sexta-feira, 26, no Centro de Eventos do Ceará no 2º Encontro da Juventude Cooperativista com um objetivo: aprender algo que hoje, infelizmente, os cursos superiores das universidades cearenses não ensinam, nem na capital e muito menos no interior do estado: as virtudes do cooperatIvismo. Atentem para um detalhe: este é o Ano da Cultura Coop – imaginem se não fosse.
O encontro fez parte da programação técnica da PecBrasil, maior feira e exposição indoor do agro brasileiro que, iniciado na quinta-feira, 25, terminará hoje à noite. A maciça presença da juventude surpreendeu seus organizadores.
O encontro dos jovens cooperativistas cearenses foi idealizado pelo comitê que os congrega com o apoio do capítulo cearense da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), cujo presidente José NIcédio Nogueira é um dos que trabalham para ampliar e acelerar o desenvolvimento do associativismo neste estado. Ele disse à coluna que o cooperativismo “oferece soluções para os problemas enfrentados pelos jovens empreendedores”, acrescentando que este Século 21 “deve ser marcado pela colaboração que se transforma em desenvolvimento”.
Nicédio Nogueira não entende – e a coluna lhe dá razão – por que razão o ensino universitário do Ceará não inclui no seu currículo uma nova cadeira para a transmissão do conhecimento sobre o cooperativismo – levando em conta que as faculdades privadas e públicas existentes nas várias regiões do estado, principalmente na região do Cariri, têm cursos voltados para formação qualificada de técnicos para o setor da agropecuária.
O evento de ontem, que integrou a programação técnica da PecBrasil, surpreendeu pela presença de meio milhar de jovens vocacionados para o cooperativismo e claramente interessados em aprender mais sobre o tema com quem entende dele. Por isto mesmo, a OCB-Ceará trouxe para o encontro vários especialistas, entre os quais José Roberto Ricken, presidente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), além de Roberto Rodrigues, ex-ministro da Justiça e hoje embaixador especial da FAO (Fundo das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), além de professor emérito da Fundação Getúlio Vargas e integrantesdas principais organizações cooperativistas mundiais.
Ricken revelou que o cooperativismo tem crescido na velocidade do frevo nos estados do Sul do país, principalmente no Paraná, que tem hoje 255 cooperativas que empregam 154,3 mil pessoas, faturam, com suas empresas controladas, R$ 223 bilhões, com rentabilidade que, no ano passado, chegou a R$ 10,3 bilhões. Essas cooperativas paranaenses, que têm 4,42 milhões de cooperados, investiram, em 2025, mais de 9,2 bilhões.
Por que no Ceará o cooperativismo não prospera, na mesma velocidade do Paraná? A Federação da Agricultura e Pecuária (Faec) tentou, no ano passado, atrair para cá uma das grandes cooperativas paranaenses, mas esse esforço ainda não teve sucesso. O presidente da entidade, Amílcar Silvera, diz à coluna que esse o esforço prossegue e que até o fim deste ano terá “um bom resultado”.
Do Encontro dos Jovens Cooperativistas do Ceará ficou para esta coluna a certeza de que está nascendo, agora com força e bem adubada, a semente de um movimento de pressão sobre as faculdades do interior do estado, no sentido de que incluam, na sua grade curricular, cursos destinados à graduação de jovens que desejam empreender no cooperativismo. E o número deles é grande, como diz e repete Nicédio Nogueira, na opinião de quem “quem ainda não está no cooperativismo não sabe o que está perdendo”.
CENTRO DE EVENTOS DO CEARÁ PEDE INVESTIMENTOS
Esta coluna apurou que a Federação da Agricultura e Pecuária (Faec) pagou R$ 681 mil pelo aluguel do Centro de Eventos do Ceará, em cujos pavilhões realiza desde quinta-feira, 25 (hoje é último dia) a PecBrasil. Mas não ofereceu os serviços prometidos. O ar-condicionado dos seus vários auditórios funcionou precariamente. No auditório que abrigou as 600 pessoas que ouviram palestras sobre o cooperativismo, o ex-ministro Roberto Rodrigues teve de tirar o paletó e abanar-se com as mãos para enfrentar o calor. No auditório que recebeu o ato de lançamento do livro sobre a vida de Carlos Prado, o calor foi fonte de reclamação dos 500 empresários presentes.
Há mais: no banheiro feminino do lado Sul do andar térreo do Pavilhão Oeste, a descarga de vários sanitários não funcionou ontem à tarde por defeito dos mecanismos. No do segundo piso do mesmo pavilhão, o banheiro masculino do lado Norte tinha quatro torneiras com defeito.
A Secretaria de Turismo, que tem a gestão do Centro de Eventos, está convidada a consertar o que está quebrado.
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