O Brasil diante de uma recessão nos EUA e na Europa

Agência de risco Moody's adverte que a Europa está mais exposta à recessão, mas o Bankf of América e o Goldmann Sachs indicam que a economia norte-americana vai piorar em 2023

Legenda: O aumento extraordinário dos preços do petróleo, por causa guerra na Ucrânia, está na raiz da crise da economia mundial
Foto: Thiago Gadelha / Diário do Nordeste

Está sendo escrito nas estrelas que a economia dos Estados Unidos e da Europa entrará em recessão, e isto pode começar logo nos primeiros meses do próximo ano de 2023. 

Segundo os analistas, será a grave e direta consequência da guerra na Ucrânia, que levou à disparada dos preços internacionais do petróleo e do gás natural e, como efeito dominó, dobrou os fretes rodoviários, ferroviários, marítimos e aéreos, causando a extraordinária subida dos índices de inflação. 

Para combater a inflação, os bancos centrais, principalmente o Federal Reserva, dos EUA, já advertiram que seguirão escalando os juros. O BC do Brasil, por exemplo, escreveu na ata da última reunião do seu Comitê de Política Monetária que elevará em novos 0,50 pontos percentuais, ou até mais se necessário for, a taxa básica de juros Selic, hoje em 13,25% ao ano. 

Os principais bancos norte-americanos, como o Bank of América e o Goldman Sachs, apostam que há, neste momento, 40% de chance de os EUA entrarem em recessão em 2023. As agências de risco fazem a mesma aposta, acrescentando mais gasolina ao incêndio.Por exemplo: a Moody’s considera que a Europa se encontra neste momento mais exposta à recessão do que os EUA. 

Os países europeus só agora vieram a descobrir que eram, como continuam sendo, dependentes do petróleo e do gás fornecidos pela Rússia. Se o governo de Moscou, liderado por Vladimir Putin, fechar os dutos que levam seu óleo e seu gás para a Europa, a economia continental europeia enfartará. 

O Banco Central Europeu, ele mesmo, está projetando a desaceleração da economia do continente, que cairia de 4% para 3,5% em 2023, e para 2,1% em 2024.

Os EUA e a Europa precisam de orar a Deus para que, primeiro, termine logo a guerra na Ucrânia, e, segundo, a China consiga superar, o mais rapidamente possível, seus problemas com a pandemia da Covid-19, cujo repique levou ao lockdown de grandes cidades, como Shangai, e à redução da atividade econômica no país. 
 
As cadeias mundiais de suprimento foram grave e fortemente afetadas pelo conflito envolvendo a Rússia e a Ucrânia, dois dos grandes produtores e exportadores mundiais de commodities agrícolas e minerais, o que mandou o preço das mercadorias para a estratosfera. E também pelos lockdowns na China.

Todo esse cenário externo terá, sem dúvida, repercussão no Brasil, cuja economia já vive momentos de tensão causados mais pela incerteza da política do que, propriamente, pelos solavancos da inflação e da taxa de juros, que até aqui seguem bem monitorados pela autoridade monetária e, também, pela rigidez da equipe econômica, claramente comprometida com o controle dos gastos. 

Há, porém, ameaças procedentes do Parlamento, onde o apetite pelo dinheiro público cresce em ano eleitoral, como este. 

Os partidos que integram o Centrão insistem em criar novas despesas – e o aumento do valor do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600 e um voucher de R 1 mil para os caminhoneiros, anunciados pelo próprio presidente da República, são duas delas.
 
Uma recessão nos EUA e na Europa reduziria as exportações brasileiras, principalmente as de commodities agrícolas (soja, milho, algodão) e minerais (minério de ferro e petróleo) em quantidade e em valor, provocando problemas à balança comercial de cujo superávit saem as divisas que ajudam a equilibrar a conta de transações com o resto do mundo.

Assim, se houver essa recessão, poderá ser frustrada a esperança de o Banco Central brasileiro vir a cortar juros da Selic a partir do quarto trimestre deste ano. 

Ensina o bom senso que recessão e juros altos são incompatíveis.