O Brasil deve olhar mais para a educação na China

Governo chinês extinguiu cursos universitários sem utilidade e criou novos voltados para as áreas de alta tecnologia

Escrito por
Egídio Serpa egdio.serpa@svm.com.br
Legenda: Na China, a Educação extinguiu cursos inúteis e desnecessários. No Brasil, esses mesmos cursos seguem sendo ministrados.
Foto: Davi Rocha / SVM
Um oferecimento de:

Se copiasse o modelo chinês de planejamento estratégico, o Brasil estaria hoje noutro patamar em todos os setores, não só na agricultura e na pecuária, nos quais é líder mundial, mas também, e principalmente, na educação, na ciência, na tecnologia e na inovação.  

Os chineses planejam-se para longos prazos, mas tomam o cuidado de, a cada cinco anos, reavaliar, atualizar e adequar o seu planejamento às necessidades da atualidade. Eles decidiram, por exemplo, fechar, entre 2018 e 2024, mais de 12 mil cursos superiores que consideraram imprestáveis para os desafios do mundo moderno, que é cada vez mais tecnológico e digital. Não fecharam universidades, mas seus cursos inúteis e desnecessários. 

Entre os cursos fechados estão o de gestão e administração de empresas, design gráfico, engenharia de software tradicional, direito e artes. Argumento: esses cursos de graduação registravam baixa taxa de empregabilidade, superpopulação de formandos ou desalinhamento estratégico. Acredite, que é vero. 

No lugar desses cursos, foram abertos os destinados à High-Tech e à Ciência Aplicada, com o que se eliminaram milhares de vagas nas ciências humanas e gestão generalista. Agora, os jovens chineses estão lotando os cursos superiores voltados para a Inteligência Artificial, Ciência de Dados, Macroeletrônica, Semicondutores, Engenharia de Materiais, Biomedicina e Automação. A China acelera sua marcha para alcançar o topo mundial da tecnologia.  

Este registro sobre o que a China está fazendo para tornar-se a maior potência mundial em tecnologia (hoje, são ainda os Estados Unidos o líder tecnológico do planeta) é como um motivo para abordar a questão da educação no Brasil, onde são a má política partidária e o interesse eleitoral ou eleitoreiro que impõem a diretriz da, talvez, mais importante área de qualquer governo.  

Temos especialistas em educação, mas eles não são chamados para a emergência que temos agora: a necessidade de reavaliação de tudo o que até hoje se fez e ainda se faz na educação brasileira, cujo modelo fracassou por fadiga do material, incompetência técnica e irresponsabilidade política. Há alguns poucos núcleos de qualidade no ensino fundamental do país, e alguns deles estão localizados no Ceará, o que é uma boa notícia. No ensino universitário, há, também, centros de excelência, e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) é um deles, e sua primeira unidade instalada fora de São José Campos (SP) está sendo construída na velocidade do frevo em Fortaleza. Aleluia!! 

Falta ao Brasil, não só na educação, mas em todos os setores da vida nacional, o comando de um estadista que, como o chinês Xi Jinping, o maior do mundo hoje, lidere o esforço de elaboração de um Planejamento Estratégico de Desenvolvimento Nacional que diagnostique as causas do atraso brasileiro e proponha, no longo prazo, as soluções para cada um dos seus problemas.  

Somos, e faz tempo, campeões da corrupção, mas estamos na zona do rebaixamento do campeonato da produtividade, e um dos culpados é o modelo ultrapassado da educação básica, secundária e superior, que ensina coisas de que a indústria, o agro e a ciência não mais precisam, de tão antiquados.  

Há poucos meses, na China, Xi Jinping demitiu toda a cúpula militar do país, acusada de corrupção. Alguns generais foram presos e continuam presos. Sabemos que lá é um único partido que governa – o PCC, sigla do Partido Comunista Chinês. Xi governa desde 2013 e já abriu brecha legal para continuar no poder por mais tempo, com o apoio do PCC, do qual é a máxima liderança, e em torno dela circulam os grandes líderes do Ocidente e do Oriente, inclusive o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A China, hoje, é a grande fábrica mundial. Ela importa comodities, beneficia-os e os exporta com valor agregado. Para os chineses, desde os tempos de Confúcio, tudo o que está sob o sol lhes pertence. 

A China tem um único partido, os Estados Unidos têm dois (na verdade, têm mais, porém todos sem voto); o Brasil tem mais de 30, mas apenas um publicamente comprometido com sua ideologia, o PT, cujo sonho é ver este país sob um governo socialista democrático, algo que não existe e nem existiu até hoje no mundo. Os demais partidos brasileiros são fisiológicos. 

Um dos graves problemas brasileiros é sua elite política, a maioria da qual se corrompeu ou se deixou corromper. Também por sua culpa, acercou-se do país outro gravíssimo problema: o crime organizado, cujos tentáculos já alcançaram todas as instituições brasileiras, inclusive as do Judiciário (o STF está prestes a julgar um ministro do STJ acusado de vender sentenças, algo que se registrou, igualmente, em Tribunais de Justiça de alguns estados). 

Resumo desta ópera: se Deus é brasileiro, Ele tem de guiar o Brasil por novos caminhos. Os atuais estão ocupados por grupos (para não dizer quadrilhas) de interesse que há anos comandam e exploram para si e os seus as riquezas nacionais. Lamentavelmente.

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