Na ZPE do Pecém, um frigorífico de ovinos para exportação

Governo do Ceará trata, em Dubai, sobre o projeto de instalação de equipamento para o abate Halal para o mercado árabe

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
(Atualizado às 05:19)
Legenda: Luís Rua, Vanessa Medeiros, Daniel Steinbruch, Luciana Pecegueiro e Laudemiro Muller no estande do Ceará na Gulfood, em Dubai
Foto: Divulgação
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Dubai, um dos emirados árabes, está a 10.500 quilômetros (por via aérea) de Fortaleza. Mas é lá que o governo do Ceará, por meio de sua Secretaria Executiva do Agronegócio, hospedada na estrutura da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, acelera entendimentos com o Grupo Vicunha – que tem grandes negócios na indústria têxtil e na fruticultura na geografia cearense – no sentido da implantação de um grande e moderno frigorífico para o abate Halal (de acordo com as leis islâmicas) de ovinos e caprinos. Praticamente toda a produção desse frigorífico se destinará ao mercado do Oriente Médio, segundo apurou esta coluna. 

Ontem, no estande do Ceará na Gulfood, maior feira mundial de alimentos Halal, reuniram-se o secretário Executivo do Agronegócio do governo cearense, Sílvio Carlos Ribeiro, e o acionista e diretor do Grupo Vicunha, Daniel Steinbruch (filho de Ricardo Steinbruch, que é também acionista e conselheiro da empresa). Ambos conversaram durante uma hora, mas ao final da conversa nenhum dos dois emitiu uma só opinião sobre o que trataram.  

A coluna apurou que há uma cláusula de confidencialidade que impede a divulgação de informações acerca do projeto do frigorífico que é, também, objetivo de desejo de outros estados, como a Bahia, que tem um rebanho ovinocaprino superior ao do Ceará. Mas por que, então, o interesse da Vicunha no Ceará? Simples: porque aqui estão grandes investimentos da empresa, com fábricas de tecido índigo em Fortaleza e em Horizonte e fazendas de produção de mangas (para exportação) em Quixeré e Beberibe. Os Steinbruch mantêm há 40 anos estreitas relações com o governo e com a liderança empresarial industrial e agrícola do Ceará, e esta é uma das razões do seu interesse em sediar aqui o seu frigorífico. 

Mas há outro interesse, resultado da vantagem comparativa que o Ceará tem diante de outros estados do Nordeste: a Zona de Processamento para Exportação (ZPE) do Pecém. A produção do frigorífico Halal da Vicunha, como foi dito acima, estará voltada para o mercado árabe, grande consumidor de carne de carneiros e ovelhas. A ZPE cearense, a única em efetiva operação no Brasil, é, pois, a área ideal para a localização desse equipamento. Por dois motivos extraordinários: um porto de águas profundas ao seu lado e, eureka!, um cardápio de incentivos fiscais de fazer inveja aos Emirados Árabes. 

Após o encontro com Daniel Steinbruch, o secretário Sílvio Carlos Ribeiro reuniu-se com Luis Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa); Vanessa Medeiros, adida Agrícola da embaixada brasileira em Abu Dabi; Luciana Pecegueiro e Laudemiro Muller, ambos diretores da Apex Brasil.

Outra informação que, sobre o mesmo tema, esta coluna obteve foi a seguinte: o frigorífico da Vicunha está de olho não apenas no rebanho cearense de ovinos e caprinos, mas, igualmente, do resto do Nordeste. Como há o compromisso de confidencialidade das partes em jogo – o Grupo Vicunha e o governo do Ceará – sabe-se, por enquanto, muito pouco a respeito dos próximos passos dos Steinbruch, que têm antigas e estreitas relações com o mundo árabe.  

Afora a reunião com Daniel Steinbruch, o secretário Sílvio Carlos teve, ainda, um encontro com um grande grupo australiano que atua no mercado da pecuária de corte. Esse grupo, disse à coluna o secretário, demonstra interesse em investir no Ceará na construção de um frigorífico industrial para o abate de bovinos. Instado pela coluna, Sílvio Carlos nada mais disse, sob o mesmo argumento da confidencialidade, gerando, naturalmente, mais uma expectativa.  

Mas o que pode ser acrescentado a respeito das duas informações acima é a correta e oportuna posição assumida pelo governo cearense de participar de feiras internacionais como a Gulfood, cuja importância pode ser medida pelos seguintes números: sua edição deste ano conta com 5 mil expositores procedentes de 190 países. O que esses números significam? Significam o seguinte: a Fruit Logistica, maior feira mundial da cadeia produtiva de frutas e hortaliças, que se realiza anualmente, na primeira semana de fevereiro, em Berlim, capital da Alemanha, reúne 3 mil expositores de 140 países. Reparem a diferença. 

O mercado árabe cresce, principalmente o dos Emirados Árabes, onde se concentram os negócios de importação de todo o Oriente Médio. Estar lá significa construir novos negócios, novas amizades, novas parcerias. A presença do governo do Ceará na Gulfood 2026, com um estande próprio que abriga, também, o Complexo Industrial e Portuário do Pecém, é uma iniciativa que merece aplausos, pois é a inserção deste estado no mercado em nova área do mercado externo. 

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