Mercado teme que liquidação do Banco Master seja anulada

Banco Central liquida a Reag, gestora de fundos que, além do Master, teria ligações com o PCC

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
(Atualizado às 15:28)
Legenda: O caso do Banco pode ser, na opinião do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o maior da história do Brasil
Foto: Agência Brasil / Rovena Rosa
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Saíram mais novidades na esteira do escândalo do Banco Master, liquidado pelo Banco Central no dia 18 de novembro pela prática de operações fraudulentas que lesaram 1,6 milhão de pessoas físicas e jurídicas em todo o país, as quais sofreram um prejuízo de R$ 12,5 bilhões, volume que poderá ser maior, dependendo das apurações em curso da Polícia Federal. 

Ontem, a PF deflagrou mais uma operação de busca e apreensão em mais de 40 endereços, todos de familiares do dono do Master, Daniel Vorcaro. Na operação, foram apreendidos 23 automóveis de luxo, vários relógios de marca, R$ 645 mil em dinheiro vivo, 30 armas, algumas de grosso calibre, e 39 celulares.   

Todo o material apreendido, porém, foi, por determinação do ministro Dias Toffoli, do STF, enviado para a Procuradoria-Geral da República, que fará a análise e a perícia das provas colhidas pela PF. É a primeira vez que o STF adota essa medida, pois é a expertise da Polícia Federal que sempre realizou a tarefa de periciar o material recolhido nas suas operações. 

No mercado financeiro, permanece a desconfiança de que há um esquema em curso, no sentido de que a liquidação do Banco Master seja revista, o que representará uma lesão grave na credibilidade do mercado financeiro, com a desmoralização do Banco Central, que é a Autoridade Monetária do país. 

A novidade desta quinta-feira é a seguinte: 

Menos de 24 horas depois da operação da Polícia Federal que resultou na prisão de familiares de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o Banco Central decretou hoje a liquidação da Reag, uma gestora de patrimônio que teria ligação com o PCC. De acordo com comunicado do Banco Central, a Reag foi liquidada por graves violações às normas do Sistema Financeiro Nacional.

A liquidação do Reag não surpreendeu, tendo em vista o volume de implicações que as investigações da PF descobriram e que serviram de fundamento legal para a decisão do Banco Central.  

A liquidação do Reag foi transmitida à imprensa por meio de um comunicado divulgado pelo site do Banco Central. A íntegra da nota é a seguinte:  

“O Banco Central do Brasil decretou nesta quinta-feira, 15 de janeiro de 2026, a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. (nova denominação de Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.), com sede em São Paulo (SP). 

“Trata-se de instituição enquadrada no segmento S4 da regulação prudencial, representando menos de 0,001% do ativo total ajustado do Sistema Financeiro Nacional.  

“A decretação da liquidação extrajudicial foi motivada por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN. 

“O Banco Central continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição.” 

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