Melhorar o Ceará e o Brasil? Só com Educação, estúpido!
É o que tenta dizer o jovem empresário Thiago Guimarães, reforçando sua opinião sobre os grandes empreendimentos no Pecém, que precisarão de mão de obra qualificada
Para crescer, o Ceará e o Brasil terão de adotar a opção correta - a da Educação, estúpido! Parece dizer o jovem empresário Thiago Guimarães, coordenador geral da AJE Fortaleza, que – diante do que disse ontem aqui o presidente do Simagran-CE, Carlos Rubens Alencar, rebatendo conceitos sobre o assunto – retomou o tema da implantação dos projetos de produção do Hidrogênio Verde e dos Data Centers no Complexo do Pecém, em torno dos quais surgiram nesta coluna várias opiniões, algumas com viés ideológico.
Thiago Guimarães mandou ontem nova mensagem à coluna, dizendo o seguinte:
“Excelentes os pontos de vista do Carlos Rubens, mas acredito que ele não tenha captado plenamente o foco central da discussão. Não há ninguém, em sã consciência, contra o Data Center ou contra qualquer outro projeto que vá trazer bilhões de reais para o Ceará. Temos é que estimular a vinda de mais!
“A pergunta é: como estamos nos preparando para isso? Se não tivermos infraestrutura, ele será só mais um projeto; se não tivermos mão de obra qualificada, o projeto virará uma paisagem.”
Guimarães prosseguiu:
“Fortaleza é a segunda cidade mais conectada do mundo há mais de 20 anos. O Ceará tem, também, um polo calçadista, entre outras frentes. Onde conseguimos surfar na tecnologia e agregar valor? Há 20 anos só temos mão de obra barata. Temos de mudar. Temos de abrir as portas para as novidades que estão vindo, e colocar isso como prioridade. Na conta do investimento precisa haver não só a infraestrutura, mas também o povo, as cabeças pensantes. Acredito que estamos experimentando aquela dor saudável que tem todo empresário que começa a dar certo: a dor do crescimento.”
O coordenador geral da AJE vai direto ao ponto. Ele entende que falta ao Ceará e ao Brasil um projeto para a educação do seu povo. E cita dois exemplos mundiais que já deveriam estar sendo copiados pelos brasileiros:
“Coreia do Sul – Da indústria básica à inovação avançada. Havia lá um problema: após a guerra, os coreanos tinham tinha pouca infraestrutura e mão de obra sem qualificação. O que eles fizeram? Educação técnica em larga escala; parcerias do governo com universidades e empresas; investimento em engenharia, eletrônica e tecnologia. Resultado: Samsung, LG, Hyundai, SK Hynix e um dos maiores polos de data centers da Ásia.
“Lição: sem gente preparada, o investimento vira apenas paisagem.
“Singapura – Infraestrutura + cérebros. Problema: o país é uma cidade-estado, com pouco território e carência de recursos naturais. O que fizeram? Investiram em educação de excelência, criaram hubs tecnológicos, importaram e formaram talentos. Planejamento urbano + infraestrutura de ponta. Resultado: Singapura é hoje um dos maiores polos de data centers, inovação e negócios do mundo.
“Lição: a conta do investimento inclui água, energia, dados e pessoas.”
Thiago Guimarães continuou expondo sua disruptiva opinião:
“Eu gostaria que nós parássemos de pensar em coisas que só se resolvem com dinheiro. Como diz o ditado cearense: ‘o que dinheiro e peia não resolver...’ Dirijo-me à sociedade civil e ao governo: devemos começar a desenhar algo que vai além do dinheiro. E parabenizo, com admiração, os empresários que estão trabalhando com afinco para trazer tudo isso para cá!”
Para concluir, ele argumentou:
“Temos de fincar o pilar da educação. Precisamos parar de achar que a pessoa vai assistir a um curso online esporádico e sair preparado para encarar e vencer os novos desafios. Na minha visão, ainda hoje ninguém constrói uma máquina a partir de telecurso, não se calcula um momento fletor de uma viga assistindo a uma aula no Youtube. Não podemos largar a base técnica e acadêmica, bem-feita, para, a partir daí, continuarmos evoluindo. Se me perguntarem ‘cadê isso hoje em dia no Brasil’, eu não sei. E sempre quando alguém me pergunta para que essa educação acadêmica serve, eu respondo: quem serve é servo".
Entendamos, caríssimos leitores: mudar a educação brasileira é uma questão de decisão política, pois essa mudança terá de ser radical. Como o Brasil não tem um Plano Nacional de Desenvolvimento (a China tem um de longo prazo que, a cada cinco anos, é adequado às novas realidades), pensar em uma nova educação, adequada aos novos tempos, é pedir demais.
Infelizmente e lamentavelmente, é este “status quo” que sustenta a má política e os maus políticos brasileiros há bastante tempo. Já que é quase impossível sermos uma Alemanha ou um Japão, que sejamos, pelo menos, uma boa cópia da Coreia do Sul.
UM COLÉGIO ESTADUAL PEDE SOCORRO EM ITAITINGA
Este é um espaço assuntos da economia, mas a educação está e estará sempre ligada às necessidades do setor econômico. Por isto, este espaço abre-se para acolher reclamações dos pais de alunos da EEEP Professor Francisco Aristóteles de Souza, localizada na rua Boa Esperança, no bairro Ponta da Serra, no vizinho município de Itaitinga.
Lá, a sala dos professores é um brinco de conforto. Mas as salas de aula estão deterioradas. Os alunos do Curso Técnico Integrado (trata-se de uma escola de ensino profissionalizante) pedem que a Secretaria de Educação mande consertar os aparelhos de ar-condicionado para amenizar o calor que faz durante as aulas. Também pedem manutenção os banheiros, a rede de água e de esgoto e a de iluminação.
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