Maior erro da empresa cearense não é falta de dinheiro, mas de posicionamento.
Em Fortaleza, empresas com produtos excelentes, equipes competentes e histórias incríveis são engolidas por concorrentes menores
Diego Mourão, um especialista em Reposicionamento de Marcas & Negócios, elaborou para esta coluna o artigo abaixo, que, em linguagem clara, direta e corajosa, manda mensagens para empresas, empresários e executivos que no Ceará, cuidam de muitas coisas, mas esquecem de algumas, que são essenciais, indspensáveis e inadiáveis.
O texto de Mourão chega no instante em que, neste espaço, há um debate que, antes restritos aos projetos de implantação de plantas industriais de Hidrogênio Verde e Data Centers, se amplia agora para a sobrevivência das empresas do Ceará, cujos donos precisam tirar a trava do seu olho para enxergar o argueiro do concorrente. Leiam-no com atenção:
“Todos os dias, empresas fecham as portas.
“E quase sempre o diagnóstico é o mesmo: ‘faltou venda’, ‘o mercado tá parado’, ‘o custo subiu’, ‘o cliente sumiu’.
“Mas a verdade é que a maioria dessas empresas não quebra por falta de dinheiro.
“Quebra por falta de posicionamento.
“Durante anos, fomos ensinados a acreditar que vender mais resolve tudo. Que bastava investir em marketing, rodar anúncios, fazer promoções, baixar preço e “gritar mais alto” que o mercado responderia. Em algum momento isso até funcionou. Hoje, não mais.
“O mercado mudou. O cliente mudou. A concorrência amadureceu. E quem não percebeu isso está pagando a conta.
“Posicionamento não é slogan bonito.
“Não é logotipo novo.
“Não é Instagram organizado.
“Posicionamento é a clareza absoluta de quem sua empresa é, para quem ela existe e por que alguém deveria escolher você, mesmo pagando mais.
“Quando uma empresa não tem isso claro, tudo vira improviso.
“A comunicação muda toda semana.
“O discurso do vendedor é confuso.
“O preço vira o principal argumento.
“E a marca passa a disputar atenção em um oceano de iguais.
“Aqui em Fortaleza vejo diariamente empresas com produtos excelentes, equipes competentes e histórias incríveis sendo engolidas por concorrentes menores, mas mais claros. Não necessariamente melhores, apenas mais bem posicionados.
“Empresas que sabem dizer ‘não’.
“Que sabem para quem não querem vender.
“Que entendem que crescer não é agradar todo mundo, mas ser relevante para alguém específico.
“O erro começa quando o empresário acredita que posicionamento é algo ‘intangível demais’, ‘abstrato demais’ ou ‘coisa de empresa grande’. Não é. Na prática, posicionamento é o que define decisões muito concretas: quanto cobrar, como falar, onde investir, que tipo de cliente atrair e até que tipo de funcionário contratar.
“Empresas fortes não competem por atenção. Elas são reconhecidas.
“Empresas fracas pedem desconto. Empresas bem-posicionadas sustentam valor.
“Outro erro comum é tratar marca como estética. Como se fosse apenas “dar uma cara nova”. A estética comunica, mas sem estratégia ela só embeleza o problema. Marca forte nasce de dentro para fora: da visão, da cultura, da proposta de valor e da coerência no longo prazo.
“É por isso que vemos tantas empresas reféns de tráfego pago, promoções constantes e campanhas cada vez mais agressivas, não por escolha estratégica, mas por necessidade. Quando a marca não sustenta valor, o preço vira o único argumento possível.
“E isso é exaustivo. Financeiramente e emocionalmente.
“Posicionamento, no fundo, é um ato de coragem.
“Coragem de escolher um lugar claro no mercado.
“Coragem de não tentar ser tudo para todos.
“Coragem de sustentar uma visão mesmo quando o caminho mais fácil parece ser baixar o preço.
“Empresas que crescem de forma consistente não são as que falam mais alto, mas as que falam com mais clareza. Elas constroem percepção antes de tentar escalar suas vendas. Elas entendem que marca não é custo, é ativo. Um ativo que reduz esforço comercial, aumenta margem e constrói longevidade.
“O futuro do mercado cearense não será dominado por quem anuncia mais, mas por quem pensa melhor. Por quem entende que crescimento sustentável começa na estratégia, passa pelo posicionamento e só depois chega à comunicação.
“Quem não escolhe como quer ser percebido, aceita ser apenas mais um.
“E, no mercado atual, ser apenas mais um é o caminho mais curto para desaparecer.”
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