Data Center: opinião divergente e contundente de um industrial

Presidente do Simagran-CE critica “pessoas que não entendem de negócios” e que se acham no direito de falar sobre “o maior empreendimento da história do Brasil”

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
(Atualizado às 03:43)
Legenda: O Ceará consome 1,4 GW de energia elétrica, mas gera 4 GW, graças às energia renováveis. O excedente é exportado.
Foto: Divulgação
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Ganha um novo contorno o debate sobre a próxima implantação de projetos de produção de hidrogênio verde (H2V) e de construção de grandes Data Centers no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Litoral Norte do Ceará. O presidente do Sindicato da Indústria de Mármores e Granitos (Simagran-CE), Carlos Rubens Alencar, mandou à coluna ontem o que pode ser considerado um manifesto, diante do que aqui foi dito pelo professor Mauro Oliveira, doutor em Informática pela Universidade de Sorbonne (França) e líder do portal Iracema Digital, especializado em Tecnologia da Informação (TI); pelo jovem empresário Thiago Guimarães, coordenador da AJE Fortaleza; e por empresários de vários setores a respeito do tema. 

Carlos Rubens Alencar manifestou-se nos seguintes termos: 

“Este debate sobre a implantação de Data Centers está muito estranho. Um grupo empresarial, com competência e recursos financeiros, estrutura um projeto com investimento inicial de US$ 50 bilhões, já aprovado pelo Conselho Nacional das ZPEs  e pelo Cade, e avança com celeridade para a sua implantação, e de repente aparecem pessoas que, seguramente, não entendem de negócios, e, sobretudo, sobre o que estão falando, e se arvoram a emitir conceitos e estratégias como se fossem profundos conhecedores e subestimando a excelência técnica e empresarial dos estudos envolvidos e que determinaram ao grupo empreendedor a decisão do maior investimento empresarial da história no Brasil.” 

O presidente do Simagran deixou de lado os projetos de construção de unidades industriais para a produção do H2V no Pecém, como o da empresa australiana Fortescue, preferindo centrar foco no empreendimento da Casa dos Ventos, que tem a parceria da chinesa Byte Dance, dona da Tik Tok, e da Omni. Com efeito, o projeto do Data Center da Casa dos Ventos, a ser instalado na geografia da ZPE do Pecém, chama a atenção pela sua grandiosidade: será o maior do país e um dos maiores da América Latina. Com uma vantagem: a energia elétrica que o moverá será 100% renovável e será fornecida pela Casa dos Ventos, que tem parques eólicos e solares já em operação e a serem operados em vários estados do Nordeste, o Ceará no meio. 

Outro detalhe desse empreendimento é o relativo ao consumo de água. Os estudos técnicos realizados para a elaboração do projeto do Data Center da Casa dos Ventos/Omni/Byte Dance revelaram novas tecnologias que serão nele utilizadas, uma das quais reduz bastante o uso de água. O consumo de água desse Data Center está estimado em 144 mil litros por dia, equivalente à demanda de irrigação de três hectares. O secretário Executivo do Agronegócio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Sílvio Carlos Ribeiro, que é presidente da Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem (Abid), disse, numa rede social, que esse consumo “é realmente pequeno”. Conclusão: o que estão dizendo grupos de esquerda e de extrema esquerda é, no mínimo, uma manifestação de desonestidade intelectual. 

O que retarda o início efetivo das obras de construção do Data Center e de projetos industriais de produção do H2V no Pecém, além dos processos de licenciamento ambiental, é a carência de Linhas de Transmissão (LTs) de energia elétrica. O Ministério de Minas e Energia, contudo, trabalha no sentido de superar essa dificuldade, prevendo que, até 2028, essas LTs já estejam construídas. O Data Center da Casa dos Ventos/Byte Dance/Omni é um projeto de interesse nacional, e o próprio presidente Lula o disse no dia 3 de dezembro passado, quando falou em evento de que participou em Fortaleza, ao lado do governador Elmano de Freitas e do ministro da Educação, Camilo Santana.      

O governador Elmano disse na ocasião que os investimentos nesse projeto alcançarão R$ 200 bilhões e os empregos que ele gerará terão salário médio de R$ 5 mil. É mesmo de causar entusiasmo. 

Assim, ao posicionar-se criticamente diante do debate que surgiu pelo que disseram nesta coluna, na semana passada, o professor Mauro Oliveira, o jovem empresário Thiago Guimarães e, ainda, empresários da indústria e do agro, Carlos Rubens Alencar manteve aberta a porta desta discussão.  

O Ceará, sua economia, seu empresariado e seu governo estão tendo acesso a novos nichos de negócios que exigem altos investimentos, porque são empreendimentos 100% tecnológicos e 100% sofisticados nos equipamentos e, principalmente, na mão de obra.  

A indústria, o agro, a academia e a inteligência do governo, incluindo o setor ambiental, devem dar-se as mãos para não retardar, mas para acelerar os trâmites burocráticos que permitam a imediata implementação desses novos projetos.  

Em tempo: o estado do Ceará produz, graças à iniciativa privada, produz 4 GW de energia elétrica. A maior de fontes renováveis, como a solar e a eólica. O excedente é exportado. 

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